Mostrando postagens com marcador Pastagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pastagem. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de março de 2016

II Simpósio de Pastagens e Bovinocultura de Corte

II Simpósio de Pastagens e Bovinocultura de Corte
Faculdade de Ciências Agrárias e Tecnológicas- Unesp Campus de Dracena
Para mais informações acesse o link:

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cuidados com os carrapatos no ambiente




No Brasil, os carrapatos estão amplamente distribuídos em todas as regiões, são obrigatoriamente hematófagos e exercem diversos efeitos prejudiciais no organismo do hospedeiro, que vão desde lesão cutânea, anemia, inoculação de toxinas e, eventualmente, indução à morte. Obviamente, tais efeitos variam conforme a espécie de carrapato e a área geográfica.

Esses ectoparasitas são potencialmente transmissores de agentes patogênicos e têm despertado o interesse na saúde pública por causa da participação na transmissão de doenças aos humanos, tidas como emergenciais e reemergenciais, muitas vezes letais. Os carrapatos, quando infectados por esses agentes, possuem a capacidade de transmissão de uma fase de vida para outra levando seus descendentes a serem reservatórios potenciais de patógenos.

Neste texto, daremos ênfase a espécies de carrapatos que acometem equinos, que normalmente são parasitados por duas espécies de carrapatos: Dermacentor nitens, que possui preferência de se fixar principalmente nas oelhas, narinas, crina e cauda, e Amblyomma cajennense, conhecido como carrapato-estrela, rodoleiro, micuim vermelhinho, que se distribui por todo o corpo do animal, e está associado a doenças como babesioses em equinos (Babesia. caballi e Theileria equi).

O carrapato A. Cajennense, mesmo preferindo os equinos, parasita outras espécies de animais, inclusive os humanos. Pode sobreviver vários meses na fase de vida livre e necessita de três hospedeiros para realizar seu ciclo de vida. Dessa forma, possui capacidade de disseminar agentes causadores de doenças como a Febre Maculosa Brasileira (FMB), que tem sido uma das zoonoses mais estudadas no Brasil.

A FMB apresenta-se como doença infecciosa aguda, de gravidade variável, determinada por Rickettsia rickettsii e, pelo que se conhece até o momento, transmitida por carrapatos do gênero Ambyomma spp. A ecologia e a distribuição do carrapato vetor determinam os principais aspectos epidemiológicos dessa enfermidade.

Pelo quadro clínico da Febre Maculosa Brasileira, podemos considerá-la uma doença que acomete vários órgãos do corpo humano, que apresenta uma evolução dos sintomas de forma variável, desde situações com sintomas brandos sem manchas avermelhadas até situações que pode levar à morte. Inicia-se geralmente de forma abrupta, com manifestações inespecíficas tais como febre, mal-estar generalizado, cefaléia, dor muscular e regiões avermelhadas. Os sinais e sintomas clínicos podem variar dependendo do tipo de comprometimento: gastrintestinal com náusea, vômito, dor abdominal, diarr&eacu te;ia e, eventualmente, comprometimento hepático com icterícia; manifestações renais causando impacto no sistema de excreção; pulmonar com tosse e edema pulmonar. O exantema é o sinal mais importante da febre maculosa, aparece geralmente entre o terceiro e o quinto dia de doença, podendo estar ausente em 15% a 20% dos pacientes, o que dificulta e retarda o diagnóstico.

Todas as espécies de riquétsias do grupo da febre maculosa conhecidas até o momento mantêm seu ciclo de vida na natureza entre o carrapato vetor e algumas espécies de mamíferos silvestres, chamados de hospedeiros amplificadores. Desta forma, o efeito amplificador que alguns hospedeiros silvestres desempenham deve existir para assegurar a manutenção da bactéria na natureza.

No Brasil, existem casos registrados de febre maculosa em vários estados, em especial na região Sudeste. Na região Centro-Oeste, embora existam as condições ideais para circurculação do agente, somente em Mato Grosso do Sul foram identificadas bactérias do grupo da Febre Maculosa Brasileira infectando carrapatos das espécies A. Calcaratum e A. nodosum. Em ambos os casos identificou-se Rickettsia parkeri-like, que é patogênica para seres humanos e determina sinais clínicos mais moderados.

Medidas de controle

O controle do carrapato somente nos equinos não resolve o problema, pois outras espécies podem manter a população desta espécie. As larvas e as ninfas aparecem nos meses mais frios. Neste período, uma série de tratamentos carrapaticidas, com base nas especificações do fabricante, a intervalos semanais deve ser realizada nos animais (equinos e bovinos, conforme o caso) com o direcionamento para a espécie de carrapato A. cajennense. Deve-se avaliar as pastagens, com relação à infestação, até considerar-se com baixa infestação. Os animais devem retornar ao mesmo pasto infestado para se reinfestarem, reduzindo a popu lação de carrapatos nas pastagens e promovendo o tratamento carrapaticida para desinfestar os animais novamente. Nos meses mais quentes ocorre a predominância dos adultos, quando o controle pode ser realizado por catação manual ou rasqueamento nos equinos e realizando a queima ou tratamento com carrapaticida dos carrapatos retirados.

É importante separar bovinos de equinos e os mesmos de capivaras ou outros animais silvestres quando possível. Cães e cavalos podem com maior facilidade levar adultos para as instalações e, neste caso, deve ser realizada a pulverização das instalações semanalmente para o seu controle. Os cães devem ser tratados com orientação específica para a espécie. Deve-se roçar os pastos bem próximo ao solo, para que o sol possa aumentar a temperatura e diminuir a humidade no ambiente do carrapato reduzindo o seu tempo de vida, além de controlar o carrapato nos animais que forem introduzidos na propriedade.

Cuidados pessoais

Para evitar possibilidade de contaminação pela FMB alguns cuidados devem ser tomados visando reduzir a possibilidade de picada e fixação dos carrapatos nos humanos:

1 – Uso de roupas claras, camisa de manga comprida e botas de cano longo com a proteção de fita adesiva entre a calça e a bota.
2 – Vistoriar o corpo e retirar os carrapatos imediatamente após terminar a atividade de campo.
3 – Matar os carrapatos com fogo, água fervente ou álcool e não esmagar entre as unhas para não correr o risco de contaminação. Para retirar os carrapatos da roupa pode ser usada fita adesiva e, em seguida, ferver as roupas antes de lavar.

Se dias após o contato com carrapatos aparecerem sintomas como gripe forte (febre, desânimo, dores no corpo), falta de apetite e/ou manchas na pele, deve-se procurar um médico imediatamente e informar sobre o contato com carrapato. É importante lembrar que as larvas e ninfas são os principais responsáveis pela transmissão da FMB.

Renato Andreotti – pesquisador da Embrapa Gado de Corte e Marcos Valério Garcia – bolsista de pós-doutorado do CNPq 
Embrapa Gado de Corte

E-mail enviado por: RuralBan

quarta-feira, 15 de julho de 2015

DIA DO PECUARISTA


15 de Julho é dia do Pecuarista





Dia do Pecuarista!
Uma homenagem a todos os pecuaristas do Brasil, que alem de produzir alimentos, movem a economia nacional e geram milhares de empregos.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Rotação de pastagens

autor: Redação Ruralban





Manter o gado em pastagens extensas apresenta uma série de inconvenientes, entre os quais: menor aproveitamento das forrageiras; menor controle sobre os animais; baixo rendimento de carne ou de leite e reprodução mal orientada. Por esses motivos, devemos adotar o sistema de rotação de pastagens.

Esse sistema consiste em dividirmos os pastos de grande extensão, em piquetes, cujas áreas serão calculadas de acordo com o número e a categoria, a idade e a produção das reses a serem neles colocadas para o pastoreio e o tamanho da propriedade.

Normalmente, os pastos comuns, extensos, podem comportar, em média, 2 unidades/animal por hectare, enquanto que, pelo sistema de rotação de pastagens, na mesma área podem ser colocadas 8 unidades/ animal, ou seja, 9,3 cabeças de gado. Além disso, o rendimento dos animais é bem maior do que quando eles pastam em maiores áreas.

Outra vantagem dos piquetes é que a reprodução dos animais e os cuidados com as crias se tornam muito mais práticos e fáceis. Naturalmente, o número e as áreas dos piquetes, devem variar, de acordo com as necessidades da criação e o tamanho do imóvel em que estão localizadas.

Importante, também, para manter a qualidade e o rendimento das pastagens ou piquetes, é promover, periodicamente, a sua adubação. Não devemos deixar, também, que o gado permaneça durante muito tempo, em um só piquete, para que a sua vegetação não seja muito sacrificada, por ser cortada muito baixa, o que dificultaria, também, a sua nova brotação.

A divisão em piquetes, com a rotação das pastagens, aumenta significativamente, tanto a produtividade dos rebanhos para a produção de leite quando para a produção de carne. Isso ocorre, também, nas criações de outras espécies domésticas como as de ovinos, caprinos, bubalinos, etc.

Importante também é que, em cada piquete, sejam colocados permanentemente um bebedouro com água limpa e fresca, um cocho para rações e forrageiras, quando necessárias e um cocho menor, para sal e elementos minerais. Para que as pastagens não se esgotem, devem se adubadas normalmente, com adubos orgânicos além de, também, com 250 quilos de nitrogênio, por hectare e por ano.

Com esses cuidados, os piquetes podem manter o dobro dos animais que comportam, normalmente, as pastagens comuns ou normais. Quanto às forrageiras, devem ser plantadas as que já existam e produzam bem, na região ou as que trazidas de fora, a ela se adaptem muito bem.

As grandes vantagens da rotação de pastagens são a possibilidade de melhor aproveitamento da área total disponível e a maior produtividade dos animais que ela proporciona. Outra vantagem dos piquetes é que permitem um maior e melhor aproveitamento das áreas montanhosas mas, nesses casos, principalmente, é necessário manter o solo sempre adubado e com uma camada de material orgânico Essa adubação deve ser se realizada, de preferência no período das chuvas ou quando o solo está bem úmido. Importante, e muito, é não deixar nunca que o solo fique esgotado.

O período em que o rebanho deve ser mantido em um piquete varia de acordo com as condições das pastagens, o tipo, idade ou produção dos animais e nunca deve ser ultrapassado, para evitar que as forrageiras sejam prejudicadas, com os prejuízos disso resultante.

FONTE: RURALBAN

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Na verdade, produzir carne bovina é bom para o planeta, diz autora de livro

Por Nicolette Hahn Niman, autora do livro “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”
Vaca Caracú - Foto: Renata Pitombo


As pessoas que defendem a redução no consumo de carne bovina frequentemente argumentam que sua produção prejudica o meio-ambiente. Os bovinos, conforme nos dizem, têm uma enorme pegada ecológica: consomem água, prejudicam plantas e solos e consomem os preciosos grãos que deveriam estar sendo destinados à alimentação de seres humanos famintos. Ultimamente, os críticos têm culpado os arrotos dos bovinos, a flatulência e até mesmo sua respiração pela mudança climática.
Como vegetariana há muito tempo e advogada ambiental, já acreditei nessas afirmações. Porém agora, depois de mais de uma década vivendo e trabalhando no negócio – meu marido, Bill, fundou o Ninam Ranch, mas deixou a companhia em 2007 e, agora, temos uma companhia de carne bovina produzida a pasto – tenho uma visão oposta disso. Não é só que o alarme referente aos efeitos ambientais da carne bovina são exagerados. É que criar bovinos de corte, especialmente a pasto, representa um ganho ambiental para o planeta.
Vamos começar com a mudança climática. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, toda a agricultura do país é responsável por apenas 8% das emissões de gases de efeito estufa, com, de longe, a maior parte se devendo à gestão do solo – ou seja, técnicas de cultivo. Um relatório da Union of Concerned Scientists concluiu que cerca de 2% dos gases de efeito estufa dos Estados Unidos podem ser relacionados com os bovinos e que o bom manejo diminuiria mais ainda isso. A preocupação primária é o metano, um potente gás de efeito estufa.
Porém, o metano dos bovinos, agora sob um estudo vigoroso pelas faculdades de agricultura de todo o mundo, pode ser mitigado de várias formas. Uma pesquisa australiana mostrou que certos suplementos nutricionais podem reduzir o metano de bovinos pela metade. Coisas tão intuitivas como o bom manejo do pasto e tão obscura quanto populações robustas de besouros coprófagos mostraram reduzir o metano.
Ao mesmo tempo, os bovinos são importantes para a estratégia mais promissora do mundo para conter o aquecimento global: restaurar o carbono ao solo. Um décimo de todas as emissões de carbono causadas por humanos desde 1850 vieram do solo, de acordo com o ecologista, Richard Houghton, do Woods Holem Research Center. Isso devido ao cultivo da terra, que libera carbono e retira da terra a vegetação protetora, e às práticas agrícolas que falham em retornar os nutrientes e matéria orgânica à terra. Terras cobertas por plantas que nunca são aradas são ideais para recapturar o carbono através da fotossíntese e para mantê-lo em formas estáveis.
A maioria dos bovinos de corte do mundo é criada a pasto. Suas bocas de poda estimulam o crescimento vegetativo, à medida que seus cascos que atropelam o pasto e seus tratos digestivos impulsionam a germinação de sementes e a reciclagem de nutrientes. Essas perturbações genéticas, bem como aquelas causadas pelos rebanhos selvagens que pastam, impedem a invasão de arbustos e são necessários para o funcionamento de ecossistemas de pastagens.
Uma pesquisa feita pela Soil Association, no Reino Unido, mostrou que se os bovinos são criados principalmente em pasto e se as boas práticas de produção são seguidas, carbono suficiente poderia ser sequestrado para compensar as emissões de metano de todo o rebanho de corte do Reino Unido e metade de seu rebanho leiteiro. Similarmente, nos Estados Unidos, a Union of Concerned Scientists estima que até 2% de todos os gases de efeito estufa (levemente menos do que o que é atribuído aos bovinos) poderiam ser eliminados pelo sequestro de carbono nos solos de operações a pasto.
O pasto é também uma das melhores formas de gerar e proteger o solo e proteger a água. O pasto protege o solo de erosão pelo vento e pela água, enquanto suas raízes formam um tapete que mantém o solo e a água no lugar. Os especialistas em solo descobriram que as taxas de erosão de campos agrícolas convencionalmente arados em média era de uma a duas vezes de magnitude maior do que a erosão sob vegetação nativa, como o que se encontra tipicamente em terras com pasto bem manejado.
Além disso, os bovinos não são consumidores vorazes de água. Alguns críticos ambientais de bovinos dizem que 2.500 galões de água (9463,52 litros) são requeridos para cada libra (cerca de 0,45 quilos) de carne bovina produzida – cerca de 20,8 mil litros de água para cada quilo de carne. Porém, esse dado (ou alguns ainda maiores frequentemente citados pelos defensores do veganismo) são baseados em situações mais intensivas de água. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, Davis, mostrou que a produção de uma libra típica de carne bovina nos Estados Unidos usa cerca de 441 galões (1669,37 litros) de água – ou 3,68 mil litros por quilo de carne -, ou seja, um pouco a mais só do que para a produção de um quilo de arroz, e a carne bovina é bem mais nutritiva.
O consumo de carne bovina também é acusado de agravar a fome mundial. Isso é irônico, uma vez que um bilhão das pessoas mais pobres do mundo dependem da pecuária. A maioria dos bovinos do mundo vive em terras que não podem ser usadas para cultivo agrícola e, nos Estados Unidos, 85% da terra que é usada para pastagem pelos bovinos não pode ser usada para agricultura, de acordo com o U.S. Beef Board.
O atributo mais marcante dos bovinos é que eles podem viver com uma dieta simples de pasto, que ele mesmo forrageia. Para proteger a terra, a água, o solo e o clima, não há nada melhor do que um pasto denso. Quando consideramos previsões de longo prazo para alimentação da raça humana, os bovinos certamente continuam sendo um elemento essencial.
O artigo é de Nicolette Hahn Niman é autora do livro: “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”, a partir do qual esse artigo foi adaptado, publicado no The Wall Street Journal.
FONTE: BeefPoint

terça-feira, 18 de outubro de 2011

PASTAGEM PARA EQUINOS (parte 2)

Forrageiras 

Informações sobre as espécies de gramíneas para a formação de pastagens é de grande importância na alimentação eqüina. 

Estrela Africana (Cynodon Plectostachyus)

Espécie de crescimento prostrado tolera bem solos de textura argilo-arenosa. Extremamente resistente ao super pastejo, apresenta valor nutritivo bom e notável capacidade de cobrir terreno. Regra geral não recomendada para fenação, devido ao seu “talo” (formação excessiva de hastes) ser grosso dificultando a perda de água. 

Coast – Cross (Cynodon Dactylon)

O coast-cross é uma forrageira perene, subtropical, híbrida, desenvolvida na Geórgia, EUA, pelo cruzamento entre espécies de Cynodon (grama-bermuda). É resistente ao frio, tolerando bem geadas. Apresenta bom valor nutritivo (teor protéico: 12 a 13%), alta produção (20 a 30 t/ha/ano de matéria-seca) e alto nível de digestibilidade (60 a 70%). Por apresentar alta relação folha/haste e responder vigorosamente à adubação, constitui-se em excelente opção para fenação. Seu hábito prostrado e estolonífero lhe assegura maior persistência. 

Tifton 85 (Cynodon SP)

Gramínea do gênero Cynodon sp, híbrido estéril resultante do cruzamento da TIFTON – 68 com a espécie Bermuda Grass da África do Sul Gramínea perene estolonífera com grande massa folhear, rizomas grossos, que são os caules subterrâneos que mantêm as reservas de carboidratos e nutrientes que proporcionam a sua incrível resistência a secas, geadas, fogos e pastejos baixos. Pode ser plantada tanto em regiões frias, quanto em regiões quentes de clima subtropical e tropical, ou seja, em todo território nacional, em solos arenosos, mistos e argilosos (não alagados), devidamente corrigidos e adubados. O grande diferencial dessa forrageira é o poder de rebrota no período de temperaturas baixas, o Tifton 85 rebrota até temperaturas de 12 graus celsius enquanto a grande maioria das forrageiras tropicais rebrota somente acima de 15 graus.

Tifton 68 (Cynodon sp)

O tifton 68 é uma gramínea forrageira tropical obtida a partir de melhoramentos genéticos realizados com o gênero Cynodon nas universidades da Geórgia e da Flórida, nos Estados Unidos. Apresenta as mesmas características o tifton 85 apresentado acima. 

Braquiárias
Capins do gênero brachiaria devem ser evitados na formação de pastagens para eqüinos, pois algumas espécies (brachiaria decumbens) são rejeitas pelos animais. Algumas causam fotossenbilização hepatógena principalmente nas partes despigmentadas dos animais (brachiaria humidicola), além de apresentarem alto teor de oxalato, que seqüestra o cálcio tornanndo-o indisponível para o animal. 
A doença conhecida como “cara inchada” (hiperparatireoidismo nutricional secundário), é caracterizada por um inchaço bilateral dos ossos da face, e é causada pelo alteração da relação Ca:P. Para tentar restabelecer a quantidade de cálcio no sangue o organismo libera o PTH (hormônio da paratireóide), que mobiliza o cálcio dos ossos para a corrente sanguínea. 
O cálcio retirado dos ossos é substituído por um tecido cicatricial fibroso, que provoca aumento de volume dos ossos da face. Embora irreversíveis, essas lesões podem ser controladas quando detectadas. 
Outras espécies como o capim kycuiu (pennisetum clandestinum), Setaria anceps cv. Kazungula, Panicum maximum cv. Colonião, Digitaria decumbens cv. Transvala também devem ser evitadas pelo seu alto teor de oxalato.

Postado por Tiago Felipini em: 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PASTAGEM PARA EQUINOS

As pastagens por constituírem há milhares de anos o alimento natural dos eqüinos, seu complexo sistema digestivo adaptou-se anatômica e fisiologicamente para sua transformação em fonte de energia, proteína e para suprir suas necessidades de nutrição via pastagens. 
Com o incremento da estabulação e dos esportes eqüestres, os cavalos começaram a receber uma nutrição muitas vezes incompatível com sua capacidade de digestão e conversão, resultando como conseqüência mais grave a síndrome cólica, além das diarréias, aguamento, anemia etc. 
A respeito da fisiologia digestiva, enquanto nos bovinos (ruminantes) a assimilação de toda a energia dos carboidratos fibrosos dos vegetais ocorre no complexo “rúmen”; enquanto a dos eqüinos (não ruminantes) é no intestino grosso (ceco funcional), local de abrigo dos microorganismos, destinados a realizar a digestão desses alimentos volumosos. 
Por este motivo, toma-se importante a ingestão da fração fibra, responsável pelo equilíbrio e bom funcionamento do sistema digestivo e uma boa nutrição. Como a pastagem é a principal fonte de fibra da alimentação eqüina, associada ao bom valor nutritivo e ao custo mais baixo, não se deve desprezá-la nos mais diversos programas nutricionais. 
A oferta de alimentos de alta qualidade, tanto de pastagens quanto de suplementação concentrada, possui seus benefícios comprovados, pois garante crescimento saudável e excelente condição física dos animais. Na avaliação das espécies forrageiras para formação das pastagens para os eqüinos, devemos considerar seu hábito de pastejo e fisiologia digestiva, que são diferentes dos outros animais herbívoros. O pastejo dos eqüinos consiste na apreensão dos alimentos pelo lábio superior, usando os dentes para o corte da forragem, auxiliado pelos movimentos da cabeça. Nos bovinos esta apreensão é realizada pela língua que enrola a vegetação prensando-a no palato superior (céu da boca) arrancando-a com um pequeno movimento da cabeça. 

Características desejáveis da Pastagem

Com este tipo de pastejo rente ao solo, é importante a escolha adequada de uma espécie forrageira que tenha hábito de crescimento rasteiro. Como por exemplo, as espécies de estoloníferas ou semidecumbentes, no qual o tipo de pastejo causa menor dano ao meristema apical da planta proporcionando um melhor rebrote e persistência das pastagens, uma vez que estão menos expostos, dificultando seu corte. 
Pastagens com crescimento cespitoso e com o meristema apical mais alto devem receber mais atenção no manejo do pastejo. Neste caso, não permitir que os animais pastegem muito baixo as pastagens, pois com uma desfolhação muito intensa acarretará a remoção do meristema apical, resultando na paralisação de seu crescimento. Caso não houver adubações nitrogenadas logo após o pastejo a rebrota será muito mais lenta, pois ocorrerá a partir de gemas basais ou axilares, prejudicando assim a produção e a vida útil da pastagem. 

Outras características desejadas nas pastagens são: 

1 – Crescimento agressivo (capacidade de crescer e fechar a área rapidamente);
2 – Resistência ao pisoteio;
3 – Alto valor nutritivo;
4 – Baixa exigência em fertilidade do solo;
5 – Boa palatabilidade;
6 – Adaptável às condições climáticas da região.

Escolha da pastagem 

Por ser um país de proporções continentais, o Brasil possui uma diversidade de clima e fertilidade do solo, responsáveis pelas diferenças na adaptabilidade de uma mesma espécie em diferentes regiões do país. 
A composição das forragens varia muito com o estádio vegetativo da planta, com a fertilidade e tipo do solo, regime de chuvas, temperatura, umidade do ar, latitude, altitude, sistema de pastoreio, praguejamento, espécie forrageira, etc. 
Com essa ampla variedade de fatores influenciando a composição nutritiva e produção das forragens, pode-se afirmar que não há uma espécie forrageira ideal, e sim dentro das características desejáveis já citadas, ocorra à escolha da espécie mais adaptada a região e ao manejo adotado (adubação, rotação de pastagens, irrigação, taxa de lotação, etc.).

Preparo do solo para formação da pastagem

Antes do plantio, deve-se tomar providencias para uma melhor germinação tanto das sementes ou das mudas plantadas. A coleta de amostra do solo para análise em laboratório, tem grande importância para a determinação das suas condições de fertilidade e pH. De acordo com os resultados, recomenda-se a correção do pH do solo, de preferência 60 dias antes do plantio, e a adubação adequada para que o solo esteja apto para proporcionar o rápido crescimento e persistência da forrageira cultivada. 
É também importante para o sucesso na implantação de uma pastagem fazer a retirada das plantas daninhas perenes antes da floração, para que não reproduzindo, impeça a reinfestação, possibilitando maior controle da qualidade das pastagens.

sábado, 17 de setembro de 2011

Pastagem na produtividade dos ovinos


O mundo tem uma população ovina de aproximadamente 1,2 bilhão, sendo mais de 800 raças, ocupando grande parte dos ambientes impróprios para a agricultura, como regiões montanhosas e semiáridas. Pela seleção praticada pelo homem e pela capacidade de adaptação desses animais, é possível encontrar criações de ovinos nas mais diferentes condições ambientais.
No Brasil, a produção de ruminantes é baseada em pastagens, independente do produto obtido, seja carne, leite ou lã. As gramíneas constituem a base natural da alimentação dos animais ruminantes, sendo considerada a principal e mais econômica fonte de nutrientes, em virtude da capacidade dos mesmos de ingerir e digerir alimentos fibrosos.
Em vista disso, há que se dar atenção ao manejo dos ovinos nas pastagens, já que a produtividade aumentará, à medida que o pasto tiver maior valor nutricional e maior disponibilidade de forragem. No sistema de produção de carne ovina, o pastejo está diretamente relacionado com a eficiência reprodutiva do rebanho, influenciando diretamente a fertilidade, a prolificidade e a capacidade de sobrevivência dos recém-nascidos.
Quanto à capacidade de consumo do animal, considere-se que é regida pelos seguintes fatores: palatabilidade das forrageiras, velocidade de passagem pelo tubo digestivo, efeito do ambiente sobre o animal e quantidade de forragem disponível, sendo a preferência das ovelhas as gramíneas de porte baixo. Na escolha da gramínea, deve-se observar a qualidade nutricional, que determinará o desempenho dos animais em termos de ganho de peso; a boa capacidade de produção de forragem por área; o custo de implantação; e a sua resistência ao pastejo, às pragas e às condições climáticas. Entre as espécies mais utilizadas estão as do gênero cynodom, estrela africana, cost-cross e tiftons.
As leguminosas também são importantes como banco de proteínas na alimentação e devem ser introzidas em consórcio nas pastagens de gramíneas, ou mesmo cultivadas em áreas separadas. As espécies mais usadas são puerária, soja perene, centrosema, lab-lab e o calopogônio.
A integração de ovinos com outras espécies no pastejo pode ser uma forma de explorar melhor o pasto e melhorar o manejo da forrageira, considerando os hábitos de pastejo diferenciados. Pode-se realizar a integração entre diferentes ruminantes, tanto bovinos quanto equinos. Para que essa associação seja bem sucedida, aspectos como a interação social, a utilização deplantas forrageiras, a distribuição de excrementos na pastagem, os impactos sobre o solo, a sanidade e a produtividade, devem ser observados e analisados.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Uso de pasto nativo torna produção mais sustentável

Produzir de forma sustentável é um dos desafios propostos não só para agricultura, mas também para a pecuária nas principais regiões produtoras de gado de corte do País, como Pantanal. Porém, o crescimento vertiginoso da criação extensiva preocupa pesquisadores e ambientalistas. Conhecer as espécies de forrageiras características da região e criar animais que tenham facilidade de se adaptar ao clima e vegetação local, melhoram a produtividade do pecuarista, preserva a biodiversidade local e evita a degradação das fazendas. Nos dias 29 e 30 de outubro, a cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, foi palco de diversas discussões a respeito do tema durante o II Encontro de Aprimoramento da Pecuária de Corte (ENAPEC).
Sandra Aparecida Santos, pesquisadora da Embrapa Pantanal, foi uma das palestrantes do evento e falou sobre a sustentabilidade em fazendas de cria da região pantaneira. Ela disse que a inserção de raças adaptadas ao local, como o Nelore, a otimização dos recursos forrageiros nativos da região e a identificação do potencial de cada área é uma das saídas para tornar a pecuária mais sustentável, evitando a necessidade de plantar espécies que não são nativas.
O Nosso foco principal é buscar como isso pode ser feito de forma a aumentar a produtividade do produtor, agredindo menos o meio ambiente. O Pantanal tem a região com dominância de pastagens nativas e isso torna a região com vocação para criação de gado de corte de forma extensiva, principalmente a cria de bezerros. Para tornar a produção mais sustentável, buscamos raças e linhagens adaptadas às condições climáticas e espécies forrageiras locais. Outro aspecto é otimizar o uso dos recursos forrageiros nativos na região, conhecendo o que a gente tem e usando estes recursos da melhor forma — explica a pesquisadora. 
Porém, conscientizar os produtores a fazerem um uso sustentável de sua produção, não é uma tarefa fácil, segundo ela. No Pantanal, de acordo com a pesquisadora, 95% das propriedades rurais é particular e por isso é preciso contar com a tomada de decisão do proprietário e para convencer cada produtor a realizar o manejo correto é preciso realizar uma estratégia diferente para cada fazenda. Cada propriedade tem uma característica específica, algumas sofrem com inundações constantes durante grande parte do ano e com perda de nutrientes no solo.
Um dos métodos aplicados em pesquisa nessa região é ajudar os pecuaristas a mapearem os recursos forrageiros, porque o produtor deve saber quais são os materiais disponíveis na fazenda. Sandra explica que na região pantaneira, existem centenas de espécies de forrageiras, mas as dominantes são as gramíneas, com cerca de 220 tipos de variedades. No entanto, a pesquisadora alerta que quando há locais com qualidade de capim muito baixas, onde a recomendação é para que seja feita a inserção de variedades exóticas mais produtivas, como a braquiária, mas isso deve ser feito dentro de critérios técnicos para manter a biodiversidade local.
Um dos projetos apresentados pela pesquisadora é o Indicador de Sustentabilidade, que prevê a avaliação de critérios ambientais, econômicos e sociais. Essa ferramenta irá fazer um diagnóstico do sistema de produção da região do Pantanal.

domingo, 17 de julho de 2011

Rotação de pastagem

Um ponto muito importante no manejo do pasto é preservar o capim e respeitar o momento de rebrota. O que acontece em muitas fazendas é que os animais vão comendo a gramínea até um ponto em que só sobra basicamente a raiz e com esse dano a planta vai levar três vezes mais tempo para crescer novamente. Isso faz com que o animal tenha um alimento de pior qualidade e o pecuarista perde dinheiro. Para evitar este problema é preciso adotar o pastejo rotacionado com piquetes na propriedade. Dividir o pasto em pequenas proporções faz com que as gramíneas tenham tempo de descanso necessário para rebrotarem e o animal não precisa comer o capim até a raiz porque, na hora adequada, ele será encaminhado para outro piquete.
O pecuarista tem que entender que o capim necessita de um período de descanso para ele rebrotar. O produtor não pode deixar que o animal corte a gramínea abaixo de uma certa altura e cada capim tem a sua altura. É preciso conhecer estas alturas e não deixar o gado cortar o capim abaixo disso porque senão ele danifica a planta. Se isso acontecer, a gramínea vai rebrotar gastando três vezes mais o tempo do que ela necessitaria. O pecuarista consegue fazer esse bom manejo da tendo divisões com pastos menores para preservar a pastagem. A gente se deparar pelo Brasil com pastagens muito grandes e o manejo se torna difícil. Começa a sobrar demais capim ou rapar demais. Mas isso é uma ciência, a gente tem que dividir respeitando uma variação correta, formato sempre visando o conforto do animal para que ele consiga se desenvolver de uma forma sadia e tenha o maior ganho de peso possível. São detalhes importantes que fazem com que o pecuarista consiga ter uma lucratividade maior — enfatiza Pires.
O bem-estar animal também deve ser levado em conta porque pode fazer a diferença entre um animal mais pesado e outro que não conseguiu ganhar tanto peso. Plantar árvores ao longo do pasto provoca sombras onde o animal pode descansar nos dias quentes, o que é muito importante para evitar fatiga do gado. Prestar atenção na localização dos bebedouros e colocá-los em áreas estratégicas para que os animais não tenham que andar muito tempo para chegar até eles também influencia no ganho de peso. Normalmente, o gado vai de três a quatro vezes ao dia beber água e se o local estiver muito longe ele vai ter que gastar mais energia. O dimensionamento do cocho de sal também é importante para ganho de peso satisfatório.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

E O INVERNO CHEGOU





O Professor Ivan Luiz Brondani, sempre escreve e-mails muito interessantes. Neste ele falou sobre a alimentação no inverno:

Estamos novamente no período de maior carência alimentar; o inverno.
No Rio Grande do Sul (Brasil) o clima se caracteriza por frio e chuva. Temos utilizado muitas alternativas para suprir esse déficit nutricional dos bovinos. Na FOTO 1 podemos observar que a condição de comida (pastagem de inverno) é de extrema importância para a recria de terneiros (bezerros).
Senhores, fome se combate com “comida”, seja como na FOTO 2 ou até como na FOTO 3, mas nunca chegar na situação da FOTO 4.

Prof. Dr. Ivan Luiz Brondani

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Cuidados com pastagem triplicam produção do rebanho

Os pecuaristas brasileiros não estão acostumados a darem importância aos detalhes com cuidados de pastagem. O foco da maioria dos produtores é a alta qualidade genética dos animais, mas sem um bom pasto a genética não dá resultados. Os pecuaristas precisam passar a cuidar do capim como cuidam dos seus animais. O primeiro ponto fundamental é identificar o estado do pasto e saber se ele está saudável, se precisa ser recuperado ou se está tão ruim que precisa ser totalmente reformado. Outra questão fundamental é fazer a adubação correta do pasto com aplicação de calcário e fósforo, na época adequada, e o fertilizante nitrogenado, se o produtor quiser fazer um investimento mais alto. O pastejo rotacionado com a adoção de piquetes também é muito importante para preservar o capim e não deixar que o animal coma toda a planta. Detalhes como o plantio de árvore, para fazer sombras nos dias de sol, e a distância adequada dos bebedouros para que os animais não andem muito são fatores que melhoram o bem-estar do gado, fazem ele se preservar e resultam em aumento de peso.
A pastagem é a base de toda a produção pecuária, seja leite ou carne. Não adianta a gente ter uma boa genética (e o Brasil é campeão de genética) sem pastagem boa. É fundamental que o pecuarista conheça e entenda a sua pastagem. Hoje, nós temos necessidade de se dobrar a produção de carne para atender a demanda brasileira e mundial nos próximos 30 anos. Temos que fazer isso intensificando as pastagens e trabalhando com tecnologia. A forma extrativista que o nosso pecuarista tradicional vinha fazendo não tem mais condições dele sobreviver dessa forma. Ele precisa trabalhar com níveis de produtividade mais altos. Os cuidados com a pastagem permitem triplicar a produção do pecuarista. É assustador a resposta que a gente tem nas pastagens quando agente aduba o solo. Os solos brasileiros são muito deficientes de fósforo, então é fundamental que a gente reponha o fósforo pra que a planta consiga realmente produzir a massa — ressalta Wagner Pires, consultor e sócio-proprietário da DTA Consultoria.
Com um cuidado mais atencioso ao pasto, o pecuarista consegue perceber como o animal está se relacionando com a pastagem e aprende a fazer o diagnóstico correto para fazer a intervenção correta. Os sintomas de degradação são o surgimento de plantas daninhas, queda de fertilidade e surgimento de áreas vazias sem gramínea. Uma questão fundamental é fazer a análise de solo para conhecer de fato o nível que a pastagem se encontra. A partir do resultado encontrado na análise o pecuarista tem condições de saber as necessidades da gramínea e deve fazer uma adubação equilibrada. Muitos produtores acham que a adubação é irrelevante ou muito cara, mas os resultados que ela gera são muito grandes e o retorno financeiro, com a melhor qualidade de alimento ingerida pelo animal, é certo.
A partir do momento que ele diagnosticou o estado que está a pastagem nós vamos atacar as plantas daninhas, melhorar a fertilidade e o pecuarista fica desesperado achando que não tem capital para fazer a adubação. Quando houver necessidade vamos entrar com a calagem na entrada das águas e podemos fazer calagem de reforma da pastagem ou de recuperação. Depois, partimos para a fosfatagem e o pecuarista se assusta com os custos e acaba desistindo. Eu vou mostrar para ele um planejamento de médio e longo prazo para ele fazer uma adubação a cada dois anos usando adubo de baixa solubilidade e melhorando gradativamente a pastagem para finalmente, se ele quiser atingir um nível de alta intensificação, entrar com adubação nitrogenada no pasto dele — explica.

domingo, 17 de abril de 2011

Pastejo rotacionado triplica produção de leite em Recreio, Zona da Mata

A unidade, implantada em uma propriedade particular, pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), na comunidade rural de Agaturama, conseguiu saltar de uma produção inicial de 60 litros diários de leite, em média, para 180 litros/dia, conforme informações do extensionista local, Rodrigo Junqueira. 
Segundo Junqueira, o objetivo do projeto é melhorar a qualidade e a quantidade da alimentação oferecida aos rebanhos, de forma que os produtores do município adotem a iniciativa em suas propriedades. De acordo o técnico, “o projeto desencadeou outras melhorias, como o aumento no índice de sanidade animal e um melhor desempenho reprodutivo do gado”. 
A manutenção da unidade demonstrativa fica a cargo dos produtores locais. Mas, segundo Junqueira, “a Emater-MG presta assistência técnica e auxilia aqueles que se interessam pelo pastejo rotacionado”. Ainda de acordo o extensionista, o local tem atraído a atenção de produtores de outros municípios como Leopoldina, Itamarati de Minas e Santana de Cataguases, recebendo a visita de muitos deles. 
Desde 2007, ano de implantação do projeto, dez propriedades rurais de Recreio adotaram o sistema de pastejo rotacionado. O extensionista lembra que o projeto foi implementado após visitas às propriedades do município. O levantamento constatou naquela época, a precariedade na alimentação oferecida aos bovinos da redondeza e por isso a técnica foi incentivada pela empresa. 
O pastejo rotacionado consiste em dividir a pastagem em três ou mais partes (denominadas piquetes), protegidas por cercas, para que o gado possa se alimentar em sistema de rodízio. Isso permite a recuperação do capim, enquanto uma determinada área fica em repouso. Mas para o funcionamento correto do sistema, “o produtor deve tomar outros cuidados, como a correção do solo e o respeito aos períodos de descanso das plantas forrageiras, fontes de alimentação para os animais”, alerta Junqueira. Ele completa que “as gramíneas mais comuns, capim braquiarão e capim mombaça, por exemplo, exigem respectivamente de 30 a 28 dias para se recuperarem no pasto”.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Lavoura de baixa qualidade gera pastagem pouco lucrativa

O cultivo de silagem em lavouras de baixa qualidade pode comprometer a produtividade da plantação e torná-la pouco lucrativa. A ideia, comum entre alguns agricultores, de que não é necessário dispensar a essa produção os mesmos cuidados que recebem os cultivos comerciais resulta, muitas vezes, na escolha inadequada de sementes e na aplicação insuficiente de insumos. Ao final do processo, o produtor obtém uma silagem com valor nutricional inferior e pouca quantidade de grãos.
De acordo com João Ricardo Alves Pereira, doutor em zootecnia pela Unesp de Jaboticabal e consultor da Pioneer na área de nutrição animal, a preocupação do agricultor deve começar na escolha da variedade e se estender até as últimas etapas de manejo da lavoura. Segundo o pesquisador, a qualidade da plantação não pode ser prejudicada por cortes de gastos na aplicação de insumos e na compra da sementes. Quanto mais o produtor investe na qualidade da lavoura, maior o lucro e menores os custos.
A partir do momento que o produtor tem maior produtividade, ele tem redução de custo. A explicação é que existe um custo operacional bastante significativo, que inclui gastos com colheita, transporte da forragem, colocação do silo, compactação do silo e fechamento desse material todo. E esse custo, em algumas operações, é o mesmo independentemente da quantidade, de forma que quanto maior for a produtividade menor é o impacto do gasto — explica.
O retorno econômico, segundo o zootecnista, aparece no momento da alimentação do gado. Seja a pecuária de corte ou de leite, a silagem de milho de boa qualidade nutricional dispensa a necessidade de suplementação com ração concentrada. Portanto, todo o investimento feito na qualidade da lavoura tem um retorno positivo para o bolso do produtor.
A busca de informações técnicas é fundamental para o sucesso da lavoura e a qualidade da silagem.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Adubação e manejo: a associação perfeita para pastagens

Com a possibilidade de uso da terra com a agricultura intensificada e com a silvicultura, a necessidade de investimento em pastagens também acaba ganhando força. Por isso, a pesquisa com o melhoramento da fertilidade do solo através da adubação associado ao manejo de pastos busca o maior aproveitamento das forragens produzidas. É justamente alertar aos pecuaristas quanto ao aproveitamento do capim Tanzânia na alimentação animal a finalidade do projeto coordenado pelo professor Moacyr Corsi, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da USP.
Ao contrário dos sistemas agrícolas, que, com máquinas eficientes, garantem perdas inferiores a 3% da produção, nem sempre a qualidade e quantidade de pastagens se convertem em carne e leite. Para modificar essa ideia, a alternativa é combinar a adubação e o manejo. A escolha pelo Tanzânia foi feita por conta da existência do capim na região do entorno de Piracicaba (SP) há cerca de 10 anos, o que garante pastagens mais estáveis e a redução do tempo de pesquisa. Com alto potencial, a espécie se adequou perfeitamente aos objetivos do experimento, que tem sido aplicado também em outros Estados, como Goiás e Minas Gerais.
O nível de produção depende da fertilidade inicial do terreno e de sua estrutura. Existem solos que são arenosos e, com isso, o índice de fertilidade precisa ser aumentado com certo cuidado, pois isso depende bastante do acúmulo de matéria orgânica. No início do processo, a adubação deve ser leve nesse tipo de solo. Em territórios mais argilosos, as adubações já são mais concentradas. Evidentemente, os resultados são diferentes nesse princípio. O que acaba mudando depois de certo tempo, visto que a produtividade de ambos se aproxima — ressalta Moacyr Corsi.
Em terrenos argilosos, os adubos precisam ser aplicados anualmente com cerca de 300kg de nitrogênio por hectare. Depois, é preciso atingir a saturação no solo com a calagem em torno de 75% a 80%, níveis de fósforo de 20 PPM e de potássio, de 3% a 5%, dependendo da intensificação da produção. O professor do Departamento de Zootecnia da Esalq ainda comenta que os agropecuaristas podem imaginar que esses são valores altos para pastagens. Porém, ele afirma que os resultados são satisfatórios.
Na fertilidade natural, raramente conseguimos 0,8 unidade de animais por hectare, o que corresponde a aproximadamente uma cabeça ao ano. Com a pesquisa implantada, esse número aumenta cerca de sete vezes. E as respostas em termos de produtividade de carne ou ganho de peso são consideráveis. Enquanto que no sistema tradicional se produz cinco arrobas por hectare, o nosso produziu 55 arrobas. Assim, o que parece ser tão caro, torna-se mais barato — exalta o pesquisador.
Em solos arenosos, a fertilização deve ser gradativa. O motivo é a dificuldade de associação com as técnicas de manejo. Afinal, o pecuarista tem que levar em consideração os custos das aplicações e o manejo para não perder as forragens. Uma das grandes vantagens do estudo, iniciado ainda na década de 70 com a meta de equiparar a lucratividade da pecuária com o plantio de cana-de-açúcar e milho, entre outros. O professor assinala que, após as avaliações, a rentabilidade da criação de animais pode, sim, ser igual à da agricultura. Principalmente com inovações tecnológicas ocorridas frequentemente na interpretação dos nutrientes necessários ao enriquecimento do solo, no manejo das pastagens e, ainda, nos aspectos de melhoramento genético e sanidade animal.

Para maiores informações, basta entrar em contato com o centro de treinamento do Departamento de Zootecnia da Esalq pelo telefone (19) 3429-4134.