quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Na verdade, produzir carne bovina é bom para o planeta, diz autora de livro

Por Nicolette Hahn Niman, autora do livro “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”
Vaca Caracú - Foto: Renata Pitombo


As pessoas que defendem a redução no consumo de carne bovina frequentemente argumentam que sua produção prejudica o meio-ambiente. Os bovinos, conforme nos dizem, têm uma enorme pegada ecológica: consomem água, prejudicam plantas e solos e consomem os preciosos grãos que deveriam estar sendo destinados à alimentação de seres humanos famintos. Ultimamente, os críticos têm culpado os arrotos dos bovinos, a flatulência e até mesmo sua respiração pela mudança climática.
Como vegetariana há muito tempo e advogada ambiental, já acreditei nessas afirmações. Porém agora, depois de mais de uma década vivendo e trabalhando no negócio – meu marido, Bill, fundou o Ninam Ranch, mas deixou a companhia em 2007 e, agora, temos uma companhia de carne bovina produzida a pasto – tenho uma visão oposta disso. Não é só que o alarme referente aos efeitos ambientais da carne bovina são exagerados. É que criar bovinos de corte, especialmente a pasto, representa um ganho ambiental para o planeta.
Vamos começar com a mudança climática. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, toda a agricultura do país é responsável por apenas 8% das emissões de gases de efeito estufa, com, de longe, a maior parte se devendo à gestão do solo – ou seja, técnicas de cultivo. Um relatório da Union of Concerned Scientists concluiu que cerca de 2% dos gases de efeito estufa dos Estados Unidos podem ser relacionados com os bovinos e que o bom manejo diminuiria mais ainda isso. A preocupação primária é o metano, um potente gás de efeito estufa.
Porém, o metano dos bovinos, agora sob um estudo vigoroso pelas faculdades de agricultura de todo o mundo, pode ser mitigado de várias formas. Uma pesquisa australiana mostrou que certos suplementos nutricionais podem reduzir o metano de bovinos pela metade. Coisas tão intuitivas como o bom manejo do pasto e tão obscura quanto populações robustas de besouros coprófagos mostraram reduzir o metano.
Ao mesmo tempo, os bovinos são importantes para a estratégia mais promissora do mundo para conter o aquecimento global: restaurar o carbono ao solo. Um décimo de todas as emissões de carbono causadas por humanos desde 1850 vieram do solo, de acordo com o ecologista, Richard Houghton, do Woods Holem Research Center. Isso devido ao cultivo da terra, que libera carbono e retira da terra a vegetação protetora, e às práticas agrícolas que falham em retornar os nutrientes e matéria orgânica à terra. Terras cobertas por plantas que nunca são aradas são ideais para recapturar o carbono através da fotossíntese e para mantê-lo em formas estáveis.
A maioria dos bovinos de corte do mundo é criada a pasto. Suas bocas de poda estimulam o crescimento vegetativo, à medida que seus cascos que atropelam o pasto e seus tratos digestivos impulsionam a germinação de sementes e a reciclagem de nutrientes. Essas perturbações genéticas, bem como aquelas causadas pelos rebanhos selvagens que pastam, impedem a invasão de arbustos e são necessários para o funcionamento de ecossistemas de pastagens.
Uma pesquisa feita pela Soil Association, no Reino Unido, mostrou que se os bovinos são criados principalmente em pasto e se as boas práticas de produção são seguidas, carbono suficiente poderia ser sequestrado para compensar as emissões de metano de todo o rebanho de corte do Reino Unido e metade de seu rebanho leiteiro. Similarmente, nos Estados Unidos, a Union of Concerned Scientists estima que até 2% de todos os gases de efeito estufa (levemente menos do que o que é atribuído aos bovinos) poderiam ser eliminados pelo sequestro de carbono nos solos de operações a pasto.
O pasto é também uma das melhores formas de gerar e proteger o solo e proteger a água. O pasto protege o solo de erosão pelo vento e pela água, enquanto suas raízes formam um tapete que mantém o solo e a água no lugar. Os especialistas em solo descobriram que as taxas de erosão de campos agrícolas convencionalmente arados em média era de uma a duas vezes de magnitude maior do que a erosão sob vegetação nativa, como o que se encontra tipicamente em terras com pasto bem manejado.
Além disso, os bovinos não são consumidores vorazes de água. Alguns críticos ambientais de bovinos dizem que 2.500 galões de água (9463,52 litros) são requeridos para cada libra (cerca de 0,45 quilos) de carne bovina produzida – cerca de 20,8 mil litros de água para cada quilo de carne. Porém, esse dado (ou alguns ainda maiores frequentemente citados pelos defensores do veganismo) são baseados em situações mais intensivas de água. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, Davis, mostrou que a produção de uma libra típica de carne bovina nos Estados Unidos usa cerca de 441 galões (1669,37 litros) de água – ou 3,68 mil litros por quilo de carne -, ou seja, um pouco a mais só do que para a produção de um quilo de arroz, e a carne bovina é bem mais nutritiva.
O consumo de carne bovina também é acusado de agravar a fome mundial. Isso é irônico, uma vez que um bilhão das pessoas mais pobres do mundo dependem da pecuária. A maioria dos bovinos do mundo vive em terras que não podem ser usadas para cultivo agrícola e, nos Estados Unidos, 85% da terra que é usada para pastagem pelos bovinos não pode ser usada para agricultura, de acordo com o U.S. Beef Board.
O atributo mais marcante dos bovinos é que eles podem viver com uma dieta simples de pasto, que ele mesmo forrageia. Para proteger a terra, a água, o solo e o clima, não há nada melhor do que um pasto denso. Quando consideramos previsões de longo prazo para alimentação da raça humana, os bovinos certamente continuam sendo um elemento essencial.
O artigo é de Nicolette Hahn Niman é autora do livro: “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”, a partir do qual esse artigo foi adaptado, publicado no The Wall Street Journal.
FONTE: BeefPoint

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