quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Dez mitos no uso do sal mineral para bovinos

Uma técnica usada há décadas na pecuária de corte brasileira é a mineralização do rebanho. Apesar disso, parece que algumas informações distorcidas ainda prevalecem no meio. O objetivo da lista abaixo é, ao esclarecê-las, contribuir para o melhor uso da técnica. São dez pontos que elencamos como “mitos”, ou seja, algo “que não tem existência real ou passível de ser provada”, conforme uma das definições do dicionário “Caudas Aulete”. Vamos a eles:
Mito 1: “Sal mineral é tudo igual!” – Um sal mineral é uma mistura de vários elementos, óxidos e sais à disposição no mercado. Comprá-los e misturá-los é algo dentro das possibilidades de quase qualquer terráqueo. Mas, então, por que isso é mito? O que pode diferenciar um sal mineral de outro? O primeiro ponto seria a formulação do sal (as quantidades de cada matéria prima visando determinadas concentrações finais dos nutrientes no produto). Um produto mal formulado, isto é com níveis de garantia furados e consumo mal planejado, não será eficaz. Assim, mesmo que o animal o consuma, não será atingido o objetivo de atender suas exigências minerais. Outra questão ainda muito mais comprometedora é que existem inúmeras armadilhas no mercado em termos de matéria-prima. Ainda que algumas delas possam ser evitadas com uma análise de laboratório, outras podem ter um  laudo perfeito do laboratório, mas o nutriente não ser assimilável (não ser biodisponível, no jargão técnico). Outros diferencias seriam: qualidade da mistura, fontes mais nobres de matéria-prima, tipo de apresentação (granulado, floculado,,,), resistência ao empedramento e algo que tem feito muita diferença: apoio técnico da empresa ao produtor.
Mito 2: “O animal sabe que mineral precisa!” – Esse é um dos mitos mais difusos e duradouros. Já foi amplamente comprovado por pesquisas que o animal voluntariamente não seleciona minerais dos quais esteja deficiente. Exatamente por isso que precisamos colocar todos juntos, de maneira bem formulada para que eles os consumam. Como o sódio é o único mineral que efetivamente o animal mostra desejo em consumir, o cloreto de sódio virou o veículo ideal para ajudar nesta tarefa (Ver Mito 5).
Mito 3: “O mineral que importa no sal, mesmo, é o fósforo” – Segundo um extenso levantamento realizado pela Embrapa Gado de Corte, 100% das forrageiras analisadas teriam valores muito baixo de sódio (< 0,1% da matéria seca), que predisporiam deficiência. Nesta mesma pesquisa, o fósforo ficou em quarto lugar, com 72% das amostras abaixo de 0,12% da matéria seca. Zinco, com 96% das amostras menor do que 20 ppm (2º lugar), cobre com 82% menor que 4 ppm (3º lugar) e Cálcio com 38% menor que 0,2% da matéria seca (5º lugar), completam a lista. Não foram avaliados nesta pesquisa Cobalto, Iodo e Selênio, todos com histórico de deficiência e resposta a suplementação no Brasil. Fica claro, então, que o fósforo não é o único mineral que devemos nos preocupar. Como todos podem limitar a produção, devemos nos preocupar com cada um deles, bem como nos preocupar que estejam balanceados, sem grandes excessos que possam predispor a problemas de absorção (um mineral em excesso, prejudicando a absorção de outro).
Mito 4: “Quanto maior a concentração em minerais, melhor é o sal! Esse é o critério que eu uso na compra!” – Ao comparar dois produtos é comum o produtor optar por aquele que tenha valores de níveis de garantia dos nutrientes mais altos. A lógica seria que, se eles têm maiores concentrações, o animal vai ter mais desse mineral a disposição. O que “fura” essa lógica é o consumo! Se o sal tem 90 gramas de fósforo por quilograma do produto isso apenas significa qual a concentração dele e não quanto está à disposição do animal, o que vai depender da quantia que ele ingere desse sal mineral. Assim, se esse sal tem um consumo de 60 gramas/cabeça.dia, o consumo de fósforo pelo animal é de 5,4 g/cabeça.dia. Um sal com 88 de fósforo por quilograma do produto, mas com consumo de 70 gramas/cabeça.dia, suprirá com 6,16 gramas de fósforo por dia ao animal, quase 1 g a mais do que o de 90. Portanto, lembre-se: o animal não come concentração, ele come o sal!
Mito 5: “Só o sódio basta para acertar o consumo” -  Esse é um mito que todo nutricionista gostaria de acreditar, pois a única forma de formular o sal é considerar que isso é verdade. Enfim, precisamos de uma referência e a melhor que temos é o teor de sódio. Esta referência até funciona bem, no sentido que ao fazermos a média de muito dados de consumo, há uma convergência para que o valor obtido se aproxime daquele que atende as exigências de sódio. Assim, para estimar a o consumo de um mineral bastar identificar qual o consumo necessário para atender as exigências de sódio. Por exemplo, considerando como 10 g de Sódio a exigência de uma unidade animal (um animal com 450 kg), se o sal fornecido a ele tem 200 g de sódio por quilograma do produto, o consumo esperado deste produto é de 50 gramas/cabeça.dia, O cálculo é uma “regra de três”: Se em 1 kg do produto temos 200 g, quantos quilos do produto preciso para ter esses 10 g ou, simplesmente, 10 g/cab.dia dividido por 200 g Sódio/kg produto  = 0,05 kg produto.
Mito 6: “Regulando o consumo pelo teor de sódio, não há necessidade de monitorar o consumo” – O problema dos nutricionistas precisarem tanto desta referência é que ele passa, muitas vezes, a ser tido como uma referência absoluta. A realidade nos mostra que o consumo de minerais é muito variável e que essa variabilidade é pouco previsível. O que esta realidade nos impõe é monitorarmos o consumo, de preferência, de piquete à piquete e, na pior das hipóteses ter a média da fazenda no ano. (neste link há um exemplo deste cálculo:http://sites.beefpoint.com.br/sergioraposo/2013/12/26/cinco-dicas-basicas-para-ter-uma-producao-melhor-em-2014/)
Mito 7: “As empresas usam palatabilizantes para aumentar consumo” – O consumo de minerais interessa, sim, às empresas, pois quanto maior for o consumo, maiores serão suas vendas. Todavia, não há pior propaganda para uma empresa do que ela ter sais minerais com fama de alto consumo, pois isso é um fator altamente desestimulante para os compradores. Aliás, nunca há reclamação por consumo abaixo do valor recomendado, apenas quando ele fica acima. Ocorre que o maior prejuízo ao pecuarista, em geral, ocorre por não aproveitar todo o benefício de “zerar” as deficiências minerais. Dessa forma, é interessante que algum palatabilizante seja utilizado na formulação. Adicionalmente, resultados de pequisa mostram que ele ajuda a uniformizar o consumo, o que é muito desejável. (Mais informações sobre consumo uniforme do lote no texto: http://sites.beefpoint.com.br/sergioraposo/2013/09/17/mineralizacao-de-animais-em-pastagem-assunto-encerrado/)
Mito 8: “Mineralizar faz diferença mesmo na seca!” – As vendas de sal mineral aumentam na época que antecede a estiagem, mostrando claramente que o produtor tem aumentada sua preocupação em vista dos pastos mais pobres da seca. A crença por trás disso seria que, uma vez que a pastagem teria níveis mais baixos de minerais (o que é fato), consequentemente seria necessário dar mais minerais ao animal para compensar. Todavia, o que acontece na seca é que não adianta fornecer apenas os minerais, pois o nutriente mais limitante é a proteína. Há, inclusive, dados de pesquisa mostrando não haver diferença entre fornecer sal mineralizado e apenas sal branco aos animais na época da seca. A lógica é que a exigência dos minerais para manter ou perder peso na seca é tão baixa que o pouco que tem na pastagem já resolve. O conceito importante aqui é o seguinte: Quanto maior a produção, maior a necessidade de nutrientes (inclusive minerais). Por isso que a hora que mais se deve preocupar com a suplementação de minerais é nas águas. Na seca, também devemos, mas usando sal com ureia e proteinado, resolvendo primeiro o fator mais limitante.
Mito 9: “Se não usar cocho coberto, melhor nem mineralizar!” – Cochos cobertos, bem assentados, bem localizados, que não fiquem ilhados por acúmulo de água ajudam muito os lotes por eles atendidos a terem bom consumo e devem ser o padrão a ser atingido. Todavia, o pior cenário não é ter o sal mineral molhado pela chuva, mas a falta de espaço linear mínimo de cocho. Recomenda-se oferecer no mínimo 6 cm lineares de cocho para cada unidade animal atendida por esse cocho. Entre ter o sal preservado da chuva e dar acesso ao sal a todos os animais, mesmo que molhado, dê preferência à segunda opção. Ainda assim, ao usar cochos não cobertos, é aconselhável ter um monitoramento (e abastecimento) mais intensivo, uma vez que a umidade ajuda a empedrar o sal, o que prejudica seu consumo.
Mito 10: “Bobagem gastar com sal mineral! Um amigo parou de mineralizar e não notou diferença nenhuma!” – Esse é um mito para o qual basta o tempo para que seja derrubado. As vezes, nos deparamos com alguém que está fazendo esse “teste” e é possível que, em algum lugar no Brasil, de fertilidade natural muito alta e que o produtor se contente com índices produtivos medíocres que o “teste” funcione por um bom tempo, alongando a “vida útil” do mito. O confronto entre os níveis usualmente encontrados dos minerais nas forragens brasileiras e a exigência cada vez maior, a medida que melhoramos o manejo das pastagens e a genética dos animais, fazem com que possamos esperar que cada vez mais esses tipo de “teste” dure menos.
Um bom uso da técnica de suplementação mineral permite o aproveitamento de todo potencial produtivo da forragem. Ajudar esse aliado da produção a nos ajudar é altamente compensador. Ter esses conceitos corretos na ponta da língua ajudam a deixar o sal na ponta da língua dos animais e o azul mais vivo na conta da fazenda.
Por Sergio Raposo para BeefPoint

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Estudo brasileiro sobre vacinação de bovinos em protocolos de IATF é destaque em congresso científico na França

Um estudo brasileiro comparando animais vacinados em protocolos de Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF) com bovinos que não receberam a vacinação chamou a atenção de pesquisadores que participaram da Conferência Anual da IETS (International Embryo Transfer Society), realizada no Palais des Congrés, em Versalhes, na França, de 10 a 13 de janeiro, com a participação de aproximadamente 600 pessoas de diversos países.
O trabalho, feito com 1172 vacas Nelore, provenientes de quatro fazendas localizadas no Mato Grosso do Sul, distribuídas em dois grupos na estação de monta 2013/2014, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em conjunto com veterinários de campo parceiros e veterinários do laboratório Biogénesis Bagó, de Curitiba (PR) e Lab Axys Análises Diagnóstico, de Porto Alegre (RS). O levantamento identificou que os animais vacinados de forma estratégica contra Diarreia Viral Bovina (BVD), Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR) e Leptospirose obtiveram taxas de prenhez superiores em protocolos de IATF. Os animais vacinados tiveram taxas de prenhez em IATF de 58,2% enquanto que o grupo de controle teve 44,7%, demonstrando um índice superior de 13,5 pontos percentuais ou um aumento de 27% em prenhez.
“O que mais me chamou a atenção durante o congresso foi notar que o interesse neste tema tem aumentado muito principalmente dentro da área acadêmica e científica. Pesquisadores renomados de diversos países, e principalmente do Brasil, discutiram os dados e o interesse em desenvolver novos trabalhos nesta área foi muito grande. Durante muito tempo as pesquisas foram voltadas a estratégias visando aumentar a fertilidade e a prenhez das vacas, porém poucos estudos se concentraram nas perdas gestacionais, especificamente nas relacionadas à sanidade. De certa forma há uma conscientização maior de que não adianta apenas termos altos índices de prenhez sendo que em algum momento estamos perdendo parte destas gestações”, observa o médico veterinário Lucas Souto, Gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó, que esteve na Conferência da IETS para apresentar o trabalho.
“Cada vez mais tem se comprovado que um programa sanitário definido da forma correta ajuda na melhoria de índices reprodutivos e, consequentemente, produtivos, permitindo utilizar o conceito de reprodução com saúde, emprenhando mais vacas, na época certa, mantendo as gestações e minimizando as perdas”, salienta o veterinário.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Na verdade, produzir carne bovina é bom para o planeta, diz autora de livro

Por Nicolette Hahn Niman, autora do livro “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”
Vaca Caracú - Foto: Renata Pitombo


As pessoas que defendem a redução no consumo de carne bovina frequentemente argumentam que sua produção prejudica o meio-ambiente. Os bovinos, conforme nos dizem, têm uma enorme pegada ecológica: consomem água, prejudicam plantas e solos e consomem os preciosos grãos que deveriam estar sendo destinados à alimentação de seres humanos famintos. Ultimamente, os críticos têm culpado os arrotos dos bovinos, a flatulência e até mesmo sua respiração pela mudança climática.
Como vegetariana há muito tempo e advogada ambiental, já acreditei nessas afirmações. Porém agora, depois de mais de uma década vivendo e trabalhando no negócio – meu marido, Bill, fundou o Ninam Ranch, mas deixou a companhia em 2007 e, agora, temos uma companhia de carne bovina produzida a pasto – tenho uma visão oposta disso. Não é só que o alarme referente aos efeitos ambientais da carne bovina são exagerados. É que criar bovinos de corte, especialmente a pasto, representa um ganho ambiental para o planeta.
Vamos começar com a mudança climática. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, toda a agricultura do país é responsável por apenas 8% das emissões de gases de efeito estufa, com, de longe, a maior parte se devendo à gestão do solo – ou seja, técnicas de cultivo. Um relatório da Union of Concerned Scientists concluiu que cerca de 2% dos gases de efeito estufa dos Estados Unidos podem ser relacionados com os bovinos e que o bom manejo diminuiria mais ainda isso. A preocupação primária é o metano, um potente gás de efeito estufa.
Porém, o metano dos bovinos, agora sob um estudo vigoroso pelas faculdades de agricultura de todo o mundo, pode ser mitigado de várias formas. Uma pesquisa australiana mostrou que certos suplementos nutricionais podem reduzir o metano de bovinos pela metade. Coisas tão intuitivas como o bom manejo do pasto e tão obscura quanto populações robustas de besouros coprófagos mostraram reduzir o metano.
Ao mesmo tempo, os bovinos são importantes para a estratégia mais promissora do mundo para conter o aquecimento global: restaurar o carbono ao solo. Um décimo de todas as emissões de carbono causadas por humanos desde 1850 vieram do solo, de acordo com o ecologista, Richard Houghton, do Woods Holem Research Center. Isso devido ao cultivo da terra, que libera carbono e retira da terra a vegetação protetora, e às práticas agrícolas que falham em retornar os nutrientes e matéria orgânica à terra. Terras cobertas por plantas que nunca são aradas são ideais para recapturar o carbono através da fotossíntese e para mantê-lo em formas estáveis.
A maioria dos bovinos de corte do mundo é criada a pasto. Suas bocas de poda estimulam o crescimento vegetativo, à medida que seus cascos que atropelam o pasto e seus tratos digestivos impulsionam a germinação de sementes e a reciclagem de nutrientes. Essas perturbações genéticas, bem como aquelas causadas pelos rebanhos selvagens que pastam, impedem a invasão de arbustos e são necessários para o funcionamento de ecossistemas de pastagens.
Uma pesquisa feita pela Soil Association, no Reino Unido, mostrou que se os bovinos são criados principalmente em pasto e se as boas práticas de produção são seguidas, carbono suficiente poderia ser sequestrado para compensar as emissões de metano de todo o rebanho de corte do Reino Unido e metade de seu rebanho leiteiro. Similarmente, nos Estados Unidos, a Union of Concerned Scientists estima que até 2% de todos os gases de efeito estufa (levemente menos do que o que é atribuído aos bovinos) poderiam ser eliminados pelo sequestro de carbono nos solos de operações a pasto.
O pasto é também uma das melhores formas de gerar e proteger o solo e proteger a água. O pasto protege o solo de erosão pelo vento e pela água, enquanto suas raízes formam um tapete que mantém o solo e a água no lugar. Os especialistas em solo descobriram que as taxas de erosão de campos agrícolas convencionalmente arados em média era de uma a duas vezes de magnitude maior do que a erosão sob vegetação nativa, como o que se encontra tipicamente em terras com pasto bem manejado.
Além disso, os bovinos não são consumidores vorazes de água. Alguns críticos ambientais de bovinos dizem que 2.500 galões de água (9463,52 litros) são requeridos para cada libra (cerca de 0,45 quilos) de carne bovina produzida – cerca de 20,8 mil litros de água para cada quilo de carne. Porém, esse dado (ou alguns ainda maiores frequentemente citados pelos defensores do veganismo) são baseados em situações mais intensivas de água. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, Davis, mostrou que a produção de uma libra típica de carne bovina nos Estados Unidos usa cerca de 441 galões (1669,37 litros) de água – ou 3,68 mil litros por quilo de carne -, ou seja, um pouco a mais só do que para a produção de um quilo de arroz, e a carne bovina é bem mais nutritiva.
O consumo de carne bovina também é acusado de agravar a fome mundial. Isso é irônico, uma vez que um bilhão das pessoas mais pobres do mundo dependem da pecuária. A maioria dos bovinos do mundo vive em terras que não podem ser usadas para cultivo agrícola e, nos Estados Unidos, 85% da terra que é usada para pastagem pelos bovinos não pode ser usada para agricultura, de acordo com o U.S. Beef Board.
O atributo mais marcante dos bovinos é que eles podem viver com uma dieta simples de pasto, que ele mesmo forrageia. Para proteger a terra, a água, o solo e o clima, não há nada melhor do que um pasto denso. Quando consideramos previsões de longo prazo para alimentação da raça humana, os bovinos certamente continuam sendo um elemento essencial.
O artigo é de Nicolette Hahn Niman é autora do livro: “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”, a partir do qual esse artigo foi adaptado, publicado no The Wall Street Journal.
FONTE: BeefPoint

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

2015 assume o lema “mais do mesmo” (como previsto)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”  (Edição #147, de 11 a 17/JAN/15)
1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?
Deixamos o último relatório postado aqui, pouco antes do Natal, com o indicador Esalq/BMF em R$ 142,55/@ (variando de R$ 141 a R$ 145), base av. Após finalizarmos o ano com R$ 143,75/@, voltamos nesta última sexta para R$ 143,31/@ av (variando de R$ 141,25 a R$ 145,50).
Continuando nossa recapitulação, o último texto de 2014 foi postado quando havia 3 semanas de baixa da @ no mercado, sequência ruim que foi quebrada pois as semanas do Natal e do Ano Novo foram de alta (leve). Esta semana passada, a inicial do ano, semana a qual se refere este texto, foi de baixa.
Em suma, o mercado flertou com a estabilidade, tendo ocorrido pouca coisa relevante em termos de preços, apenas alguns ajustes pontuais para cima, conforme havia sido aventado aqui no último informe: “nenhum movimento brusco é esperado. Aliás, é até possível tem um precinho para cima, em função de alguma indústria precisar tampar brechas”.
O mercado físico do final da semana marcava R$ 142 a 143/@ av (frigos grandes) até R$ 144 ou 145/@ (frigos pequenos), em SP.
As escalas, já sem o efeito dos feriados, estão entre a quinta 15/jan e a segunda 19/jan, levando a maioria dos frigoríficos ter como “DIA D” a SEGUNDA (19/jan) e o PLACAR médio de 4 dias úteis (entre o dia do acordo da venda e o do abate). O MS já tem a próxima semana mais bem resolvida. Desta forma, o STATUS DO BEEFRADAR vai para:

40% queda (leve) : 45% estabilidade : 15% para alta (leve)

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?
O Estado de GO tem figurado com maior dificuldade que outros na questão do preenchimento das escalas, e este atual momento está alinhado com esta tendência recente. As escalas estão ainda “para dentro da semana” que se inicia (jargão de mercado), entre a próxima quinta/sexta, de modo geral, com preços de R$ 138av x R$ 140ap, com bônus EU de +R$2/@. São pouquíssimos os negócios “personalité” com sobrepreço acima da referência, pois “frigorífico não está com fome para fazer graça” (outro jargão), aliás, panorama geral no mercado.
A média semanal do diferencial de base com SP foi de – R$ 7,20/@, abaixo da média de 2014. Enquanto isto, o deságio da vaca em relação ao macho começa o ano abrindo e já marcando a média semana de –R$ 5,50/@, mostrando que aos poucos, começa a pintar animais acabados via pastagem.
3)      HORA DO QUILOnão tenho nenhuma dúvida que a grande maioria que lê este informe semanal gostaria que o atual Presidente do Brasil fosse outro. Baseio-me nas pesquisas de preferência feitas pelo BeefPoint por ocasião da última eleição. Portanto, não é fácil aceitar que o governo que aí está tenha tomado uma atitude correta.
O artigo do link a seguir aponta nesta direção. Nada de achar que não tenhamos à frente tempos difíceis e que tudo dará certo naturalmente. Mas temos que entender que não importa mais o que a nossa Presidente falou na eleição, mas sim o que passará a ser feito agora, por ela, e sobre tudo, pelos seus Ministros, em especial o da Fazenda. E outro ponto importante ligado a isto: “não há uma linha ética na política, mas uma faixa ética”.
4)      TO BEEF OR NOT TO BEEF: você, voltando das festas e um frigorífico mudou de mão… Não confunda JBS, J&F e JBJ. Entenda quem comprou o Mataboi. E uma coisa nós já sentimos nas redes sociais: uma dicotomia sobre a expectativa dos possíveis efeitos futuros desta “dança de cadeiras” para o produtor.
Uma parte do mercado entende como positiva a mudança, enquanto que outra tem restrições. O tempo nos dirá qual parte está correta. Tomara que sejam os otimistas. Veja o link:http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/giro-do-boi/junior-jbj-compra-frigorifico-mataboi/
5)      O LADO “B” DO BOI:
5.1. A CONVERSA COM O PORTUGUÊS ADÃO
Nestas “mini-férias”, estive em SP e tive a oportunidade de conversar com o “Adão”, dono de um simples, mas bem sucedido, açougue de bairro no ABC Paulista, que tem como freguesia as classes C, D e E. Ele é um português “POI”, tradicional, daqueles que não abre mão de comprar carne com osso (“traseiro bom tem no mínimo 70kg”) e de ter o caderninho de fiado da freguesia. Da conversa com o Adão, foi interessante:
- notar que ela pesa as bandas recebidas do frigorífico pelo açougue. Conclusão: a relação de peso polêmica com o produtor, o frigorífico também tem com a outra ponta quanto a peso…
- notar que da mesma forma que o pecuarista, tem açougueiro que não quer comercializar com determinados frigoríficos “nem de graça”, ou seja, as preferências comerciais são fortes na “outra banda” também…
- relata 20% de queda na venda de carne bovina devido à arrancada do preço em 2014, volume de produto que ele acha ter sido substituído por suíno, ovo e sobre tudo frango, “como a Dilma falou”…
- notar que ele não vende “nem para o seu pai” nenhum kg de fraldinha, carne que ele destina exclusivamente para a produção dos seus espetos…
- observar que ele acha que a carne “não volta de preço e que em pouco tempo a carne de primeira não sairá por menos de USD 10,00/kg, como é nos EUA e Canadá”…
- ele precifica a sua carne de maneira simples: compra traseiro com osso à R$ 12,20/kg, preço sobre o qual ele adiciona 30% referente à quebra (“limpeza” e osso, que é vendido por R$ 0,10/kg), chegando em R$ 15,86/kg de carne sem osso. Sobre este valor, ele adiciona 50% que é a “margem que não abre mão”, chegando à cerca de R$ 24,00 a R$ 25,00/kg, preço de venda ao seu consumidor da carne de traseiro, em média.
5.2. A VISITA AO FEED
Outra visita à ponta final foi a que fiz ao açougue Feed, em SP, do Pedro Merola. Eu simplesmente recomendo, não dá para explicar. Na sua próxima oportunidade em SP, não deixe de ir, caso aprecie verdadeiramente carne. Veja no link: www.feed.com.br.
Coisa de primeiro mundo, no atendimento, local e sobre tudo na qualidade do produto. Provamos bifes de raquete, de ancho, bife de tira e baby-beef. Prepare-se para se surpreender com o alto consumo de carne pelos seus “clientes de casa”. Uma carne de qualidade tem o seu consumo aumentado em até 50%. E por último, além disto, o preço é honesto.

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5.3. MAIS DO MESMO
Finalizamos dizendo que pouca coisa de novidade apareceu nestes feriados de passagem de ano. A novidade foi a intensidade com que começou o ano de 2015, bem alta. Nos últimos textos tínhamos relatado:
  • Que seria um ano de instabilidade política: o atentado histórico que o terrorismo praticou no órgão da imprensa francesa repercute fortemente do ponto de vista internacional, da mesma forma, que a baixa do Petróleo (já em US$ 47,80), fatos de complexidade grande e enorme influência política internacional. Do ponto de vista interno, as apurações da Operação Lava-Jato aproximam empresas do nosso setor para o foco das investigações, mantendo cenário de turbulência no nosso para-brisa;
  • Que seria um ano de instabilidade econômica: apesar de eu concordar com o Luis Carlos Mendonça de Barros (link acima), no nosso para-brisa também está certo o encontro com o ajuste fiscal e econômico. Nas grandes cidades do ABC Paulista, o ano começa com demissões na indústria automobilística, planos de demissão voluntária e greves, evidenciando queda de cerca de 20% no setor, ocorrida em 2014. Isto é apenas um exemplo. O setor elétrico precisa de ajustes urgentes. Aumentos em contas da ordem de 30% são esperados. Eu nunca vi residências na grande SP com mais de 30h sem energia elétrica. Pois vi agora. Se a coisa está feia até em SP, imagina no resto do País… E a inflação continua… Fechamos 2014 com 6,41%, e advinha quem ganhou destaque, veja: http://g1.globo.com/jornal-nacional/edicoes/2015/01/09.html
  • Que seria um ano de instabilidade climática: tivemos um dezembro maravilhoso em termos de chuvas. Mas de 26/dez em diante, passamos a experimentar um veranico típico e de intensidade fortíssima. Tem regiões produtoras de soja já com 20d sem chuvas e perdas de 60% nas lavouras. Além da falta de chuva, a quantidade de horas de sol de altíssima intensidade, produz uma temperatura acima da média no País como um todo. Isto está afetando muito a produção de lavouras e capacidade de suporta das pastagens neste mês de janeiro, fundamental para a safra de ambos. Vejam o material. Não entendi muito, mas não gostei do que escutei:http://www.climatempo.com.br/videos/playlist/8/previsao-para-eventos-e-feriados
  • Que seria um ano de reposição firme: o bezerro inicia o ano até mais firme do que imaginávamos, já tendo renovado seu recorde da BMF: R$ 1.252,06/bez (base MS, cerca de R$ 195/@)
  • Que seria um ano de oferta contida: o final do ano confirmou a tendência. Companheiros de produção receberam ligações de compradores de boi no dia 30/dez, solicitando animais para embarque imediato. Não há perspectiva de aumento de oferta em 2015. A oferta está estável, flertando com a queda;
  • Que seria um ano de desafiador para a demanda: tanto internamente, quanto externamente, como está exposto acima, por apenas alguns dos motivadores.
No curto prazo, a semana inicia verdadeiramente o ano, e a indústria deve analisar o consolidado das vendas de carne das últimas semanas com a produção menor que certamente ocorreu. Este balanço deve sair a partir de segunda, mas algo nos sugere que poderemos ter a indústria recompondo estoques com muita ponderação (vendas de jan costumam ser fracas internamente, ainda mais neste ano, com os ajustes de tarifas públicas e impostos do início do ano). Enquanto isto, deve haver uma ligeira melhora de oferta em função de possíveis vendas represadas por parte de pecuaristas até então em viagens de final de ano.
No médio-longo prazo, o cenário para 2015 aponta para uma oferta de gado gordo estável/piorando levemente enquanto que ao mesmo tempo se depara com uma demanda rica de sinais mais consistentes de piora (ou pelo menos de incertezas profundas).
Resta-nos acompanhar a intensidade destes movimentos, e se estes sinais de incerteza na demanda, vão se concretizar. Lembramos que não expusemos ainda o nosso atual mercado (com oferta limitada de animais acabados) a um cenário menos pujante de consumo (aqui e lá fora). De toda a forma, acreditamos em um mercado mais distante de derretimentos de preços profundos, com maior probabilidade de ocorrência, em função dos fundamentos pecuários. Mas, certeza, ninguém tem. Por ora, assim é precificado pela bolsa, pois o contrato de maio está apenas R$ 3,81/@ mais barato que o indicador de hoje.
Nesta história toda, que veremos juntos ser desvendada, esperamos que o ano seja “mais do mesmo” também em relação à margem da atividade pecuária que tivemos em 2014… Tenhamos uma boa viagem… Portas de 2015 em automático…

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Artigo sobre a Síndrome da Exaustão Eqüina por Dr. Maurício José Bittar




Exaustão é uma síndrome caracterizada por transtornos físicos e mentais, desencadeados por exercícios físicos intensos em condições de calor e umidade elevados, ocorrendo devido uma sobrecarga ou falha no sistema de termorregulação eqüina. Durante a atividade física, em condições de temperatura e umidade elevadas, a termorregulação fica comprometida e o organismo eqüino apresenta dificuldades para conseguir eliminar o calor gerado pela musculatura exercitada, acrescido do calor ambiente. Quanto maior forem a temperatura e a umidade ambiente, menor será a perda de calor.


Dois mecanismos são utilizados pelo cavalo para promover a termorregulação:


Sudorese: A sudorese realizada pela pele, como no homem, trata-se do principal mecanismo. A eficiência da termorregulação eqüina através do suor dependerá da sua evaporação, a qual se tornará diminuída ou impedida se o ar estiver saturado de umidade.


Ventilação: Durante a inspiração, parte do calor corpóreo é transmitido da mucosa do trato respiratório superior para o ar, que ao chegar aos alvéolos é saturado com vapor de água. Na expiração parte desse calor volta para a mucosa e ocorre uma porcentagem de condensação da água. A diferença entre o calor transferido para o ar inspirado e o calor transferido de volta para as mucosas é o resultado da perda de calor pelo trato respiratório.


Quando corridas de cavalos, provas de enduro ou provas de fundo do Concurso Completo de Equitação são realizadas em climas extremamente quentes, aumentam concomitantemente as demandas de energia e irrigação sanguínea para a musculatura continuar a se exercitar, e para a pele promover a troca calórica. Para tanto, o sistema cardiovascular aumenta o seu trabalho, elevando a freqüência cardíaca e o volume sanguíneo ejetado pelo coração. Caso a perda de água e eletrólitos (sais orgânicos) através do suor for intensa, ou o cavalo apresentar-se levemente desidratado anterior a competição, o volume de sangue a ser movido pelo coração estará diminuído, a pressão arterial sofrerá queda e em resposta o coração irá trabalhar mais intensamente.


Com a diminuição do volume sanguíneo, o fluxo para a pele estará diminuído, assim como a sudorese, prejudicando a termorregulação; além disso, menor quantidade de substratos energéticos chegarão à musculatura e ao sistema nervoso central podendo levar ao colapso e morte.


Devido à deficiência na termorregulação, ocorrerá a hipertermia (aumento da temperatura corporal), a qual terá efeitos avassaladores sobre todos os tecidos orgânicos, principalmente, cérebro, coração, vasos sanguíneos, rins, fígado, pulmões e musculatura esquelética.


O rápido reconhecimento e o tratamento da condição reduzem a severidade da síndrome de exaustão.


Os animais afetados apresentam sinais de stress, fadiga significativa, desidratação, e elevação persistente da freqüência cardíaca e respiratória.


Nos animais com bom condicionamento físico e boa função do sistema termorregulatório, após um período de repouso de 30 minutos, a freqüência cardíaca deve baixar para menos de 55 batimentos por minuto, a respiratória para 25 movimentos respiratórios por minuto e a temperatura corporal para menos de 39,5° C.


Qualquer animal que apresente uma elevação significativa e persistente da freqüência cardíaca e respiratória, ou da temperatura retal, não deve continuar o exercício ao qual estava sendo submetido.


Estes animais devem receber pequenas quantidades de água fresca, em intervalos freqüentes, e permitido o acesso a uma comida palatável, além disso, devem ser observados de perto até a sua completa recuperação.


Cavalos que apresentarem uma elevação marcante da temperatura retal (maior que 40,5°C) devem ser resfriados o mais rápido possível. Banhos de mangueira com água fria sob a briza natural em um ambiente aberto auxiliam na perda de calor por convecção e evaporação. Atenção especial deve ser dada no resfriamento da cabeça, do pescoço e de grandes vasos subcutâneos entre os membros posteriores. Enemas com água fria e administração de fluidos via sonda nasogástrica também auxiliam na diminuição da temperatura corpórea.


A fluidoterapia deve ser instituída imediatamente nos animais que apresentarem sinais severos ou que não responderem de forma efetiva ao tratamento conservador dentro de 30 minutos. O volume exato e a via de administração irão depender da severidade dos sinais clínicos. Na grande maioria das vezes a via de eleição é a intravenosa, e o volume a ser administrado pode ser superior a 50 litros de solução isotônica.


Os animais afetados por síndrome de exaustão não devem ser transportados nas 12 a 24 horas subseqüentes, porque uma alta atividade muscular está associada ao transporte prolongado, o que aumenta os riscos do desenvolvimento de problemas pós-exaustão. Isto inclui problemas musculares severos, laminite (aguamento) e falência renal.


Os riscos de um animal desenvolver síndrome de exaustão são reduzidos com uma preparação adequada e um manejo cuidadoso durante as competições, sempre levando em conta os efeitos das condições climáticas (umidade relativa do ar e temperatura ambiente) durante o evento.


Referências Bibliográficas


MCCONAGHY, F. Thermoregulation. In: HODGSON, D. R.; ROSE, R.J. The Atletic Horse. Philadelphia, U.S.A.: W.B. Saunders, 1994. p. 181-199.


MONREAL, L.; SEGURA, D. Urgencias metabólicas post-esfuerzo. In: BARCELONA, F.V.; MONREAL, L. Consulta de Difusión Veterinaria. Valencia, Spain, v. 08, p. 47-56, 2000.


CLAYTON, H. M. Endurance Racing. In: Conditioning Sport Horses. Saskatoon, Canada, v. 18, p.213-228, 1991.




Dr. Mauricio José Bittar é Médico Veterinário oficial da ABHIR (Associação Brasileira de Hipismo Rural) e atua nas áreas de Clínica, Radiologia, Anestesiologia, Odontologia e Medicina Esportiva Eqüina.




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FONTE : http://www.n1cavalos.com.br/node/21256

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Prazo para recolhimento de Contribuição Sindical Rural vai até dia 31


Tributo parafiscal deve ser pago por todos os produtores rurais, pessoa física ou jurídica



Os agricultores de pessoa física e jurídica têm até o dia 31 de janeiro para efeturar o pagamento da Contribuição Sindical Rural referente ao ano de 2014. A cobrança é feita pela feita pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em parceria com sindicatos rurais.

O que é a Contribuição Sindical Rural?

É um tributo parafiscal que deve ser pago por todos os produtores rurais, pessoa física ou jurídica, enquadrados na categoria econômica rural, nos termos do Decreto-Lei nº 1.166/71, com redação dada pelo art. 5º da Lei nº 9.701/98. É uma contribuição que existe desde 1943, com regulamentação prevista nos arts. 578 a 591 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, combinado com o art. 217 do Código Tributário Nacional e Decreto-Lei 1.166/71 que trata do enquadramento e da contribuição sindical rural.

Quem contribui?

A contribuição sindical é devida por todos aqueles que participam de uma determinada categoria econômica ou profissional ou ainda de uma profissão liberal em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão (Art. 578 a 591 da CLT).

É cobrada de todos os produtores rurais - pessoa física ou jurídica - conforme estabelece o Decreto-Lei nº 1.166, de 15 de abril de 1971.

Como é feito o cálculo da contribuição?

É efetuado com base nas informações prestadas pelo proprietário rural ao Cadastro Fiscal de Imóveis Rurais (CAFIR), administrado pela Secretaria da Receita Federal. De acordo com o § 1º do artigo 4º do Decreto-lei nº 1.166/71. Veja as distinções de base de cálculo para os contribuintes de pessoas físicas e jurídicas:

Pessoa Física - A contribuição é calculada com base no Valor da Terra Nua Tributável (VTNT) da propriedade, constante no cadastro da Secretaria da Receita Federal, utilizado para lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

Pessoa Jurídica - A contribuição é calculada com base na Parcela do Capital Social - PCS, atribuída ao imóvel.

O que fazer se a guia de pagamento não for recebida?

O proprietário rural que, por qualquer motivo, não recebeu a sua guia de recolhimento do exercício, deve procurar o Sindicato Rural do Município ou a Federação da Agricultura do Estado onde reside munido da cópia do Documento de Informação e Apuração do Imposto Territorial Rural (DIAT), a fim de que sejam adotadas as providências para a emissão de nova guia.

Penalidade para o agricultor que não efetuar o pagamento?

Não pagamento - O sistema sindical promoverá a cobrança judicial. Sem comprovante de pagamento da contribuição sindical rural, o produtor rural - pessoas física ou jurídica:

I - não poderá participar de processo licitatório; II - não obterá registro ou licença para funcionamento ou renovação de atividades para os estabelecimentos agropecuários; III - a não observância deste procedimento pode, inclusive, acarretar, de pleno direito, a nulidade dos atos praticados, nos itens I e II, conforme o artigo 608 da CLT.

Pagamento com atraso - Se o pagamento for feito após a data de vencimento, terá multa de 10% nos primeiros 30 dias, mais um adicional de 2% por mês subseqüente de atraso; juros de mora de 1% ao mês e atualização monetária, conforme artigo 600 da CLT.

O que é feito com os recursos recolhidos?

Quando o produtor rural (pessoa física ou jurídica) recolhe sua contribuição sindical, os recursos arrecadados, retirados os custos da cobrança, são distribuídos conforme estabelece o artigo 589 da CLT.

Cerca de 20% se destina ao Ministério do Trabalho e Emprego - MTE; 60% destinam ao Sindicato Rural; 15% à Federação de Agricultura do Estado; e 5% à CNA.

FONTE: CANAL RURAL

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Senepol: Pesquisa aponta melhoradores



Levantamento de informações sobre a raça reúne dados sobre performance e seleciona melhores animais do rebanho



Um levantamento de informações sobre a raça senepol pretende estimular a procura pelos animais de pele vermelha. Para isso, criadores investiram em uma prova de ganho de peso. 

Três técnicos de setores diferentes, uma pesquisadora da Universidade Federal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e 158 animais para serem avaliados. A tarefa de toda a equipe era levantar o máximo de informações sobre a raça senepol, que passaram por uma prova de ganho de peso de alta performance, nos últimos seis meses. O trabalho serviu como ferramenta de seleção do rebanho e foi realizado na Fazenda Tufubarina, no município de Monte Alegre de Minas (MG).

– Todo mundo produz fundo, meio e cabeceira. Mas como se identifica esse fundo, meio e cabeceira? É só através de avaliação. E não existe mais apenas a avaliação visual. Só ela não vale mais – explica o pecuarista Gustavo Rezende Vieira.

Os animais, machos e fêmeas, são contemporâneos em 90 dias e foram fechados no confinamento logo após a desmama. Durante a prova, receberam alimentação à base de concentrado proteico para crescimento, e silagem de milho.

Além do ganho de peso e do desenvolvimento de carcaça, várias outras características foram avaliadas durante os 168 dias da prova. Entre elas, as marcas reprodutivas e de padrão racial. Com todos os dados em mãos será possível separar os animais com potencial para ser melhoradores dentro da raça, tanto para a produção de animais puros, quanto para os cruzamentos.

Os lotes foram divididos em quatro grupos: inferior, regular, superior e elite. A classificação foi feita com base nos dados levantados durante as pesagens, medições e exames com ultrassonografia, além das notas da avaliação visual. Pontuação que nem sempre coincidia, se para um dos técnicos os aprumos de determinado animal mereciam nota 4, para o outro poderia não ser bem assim. Uma divergência saudável, que contribuiu para a eleição de animais diferenciados.

– É uma raça que se destaca em produtividade, se destaca em precocidade sexual, se destaca em rendimento através da avaliação por meio da área de olho de lombo, e é importante dentro desse conjunto de animais da raça senepol, a gente identificar aqueles que realmente são avaliados geneticamente superiores – diz a diretora de Produção Animal da AFU, Carina Ubirajara de Faria.

De acordo com o pecuarista Gustavo Rezende, apenas os animais dos lotes superiores e elite serão destinados à reprodução, para garantir a continuidade do melhoramento. O senepol tem apenas 14 anos de Brasil, mas, segundo esse representante de central de inseminação artificial, os animais da raça estão em evidência como uma das boas opções para a pecuária de corte no país.

– É um animal resistente a ectoparasitas, resistente ao calor. Ele aguenta um desafio um pouco maior de alimento em sistema de pastagem, e devido a isso é que o pessoal tem buscado essa raça – afirma Miguel Abdalla, gerente de corte taurino.

Em uma central, que fica em Uberaba (MG), oito touros senepol estão em coleta. De acordo com dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), só no primeiro semestre de 2014 foram vendidas mais de 42 mil doses de sêmen de reprodutores da raça. Sinônimo de reconhecimento para quem se dedica à seleção desses animais.

– Já conseguimos nesses 14 anos de Brasil, identificar quais são os animais melhoradores para o objetivo daquele criador. Dependendo de qual o sistema de produção dele, já têm animais para atendê-lo bem, nos mais diversos sistemas de produção – garante Rezende.

FONTE: http://www.canalrural.com.br/noticias/jornal-da-pecuaria/senepol-pesquisa-aponta-melhoradores-52119

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Lei prioriza libertação de animais apreendidos

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta segunda-feira (8) a Lei 13.052/2014, que altera a Lei de Crimes Ambientaispara determinar que animais silvestres apreendidos sejam prioritariamente libertados em seu habitat. Se isso não for possível, devem ser entregues a zoológicos, fundações ou entidades semelhantes, onde recebam cuidados de técnicos habilitados.
De autoria do deputado Antonio Carlos Mendes Thames (PSDB-SP), o projeto que deu origem à lei (PLC 147/2009) sofreu alteração no Senado, por sugestão de Jorge Viana (PT-AC), para dispor também que, até a entrega dos animais à entidade capacitada, o órgão autuante mantenha os animais em condições adequadas para garantir seu bem-estar físico.
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
Altera o art. 25 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e dá outras providências, para determinar que animais apreendidos sejam libertados prioritariamente em seu habitat e estabelecer condições necessárias ao bem-estar desses animais.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o  Esta Lei determina que os animais apreendidos em decorrência de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sejam libertados prioritariamente em seu habitat e estabelece condições necessárias ao bem-estar desses animais.
Art. 2o  O § 1o do art. 25 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 25.  .....................................................................
§ 1o  Os animais serão prioritariamente libertados em seu habitat ou, sendo tal medida inviável ou não recomendável por questões sanitárias, entregues a jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, para guarda e cuidados sob a responsabilidade de técnicos habilitados.
...................................................................................” (NR)
Art. 3o  O art. 25 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2o, renumerando-se os demais:
“Art. 25.  ......................................................................
.............................................................................................
§ 2o  Até que os animais sejam entregues às instituições mencionadas no § 1o deste artigo, o órgão autuante zelará para que eles sejam mantidos em condições adequadas de acondicionamento e transporte que garantam o seu bem-estar físico.
...................................................................................” (NR) 
Art. 4o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 8 de dezembro de 2014; 193o da Independência e 126o da República.
DILMA ROUSSEFF
Izabella Mônica Vieira Teixeir
Este texto não substitui o publicado no DOU de 9.12.2014
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FONTE: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/12/09/lei-prioriza-libertacao-de-animais-apreendidos


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Saiba como criar chinchilas

Criação pode ser um incremento de renda para o produtor acostumado a lidar com animais

As chinchilas são animais rentáveis e com poucos problemas com doenças. São animais dóceis e rústicos. E pode bom negócio para o produtor que deseja incrementar a renda. 



Para quem deseja começar a criação, o custo pode ser baixo. O criador Rafael Gutierrez Oliveira explica mais sobre a criação de chinchilas.

– É importante salientar que é um investimento baixo, mas, depois do quinto, sexto ano, ele começa a ter uma lucratividade muito boa com essa criação – reforça.

Você pode estar se perguntando qual é o valor baixo de investimento. São cerca de R$ 4 mil, para o pequeno produtor que deseja começar devagar com a criação, seis fêmeas e um macho.

– R$ 4 mil é o mínimo para iniciar. Entre R$ 20 e R$ 30 mil você já começa em um tamanho médio de criação, o seu retorno começa a ser um pouco menor. Acima de R$ 40 e R$ 50 mil você começa bem grande e o retorno chega depois alguns anos também – comenta Oliveira.

Isso quer dizer que, para o criador que fizer um investimento menor, o retorno pode ser em longo prazo, de seis até sete anos. Já para o produtor médio, período de quatro a cinco anos. E um grande produtor pode obter lucro já no segundo ou terceiro.

– Cada animal custa entre US$ 20,00 a US$ 25,00 e você consegue vender a mercadoria por US$ 45,00. Mais ou menos está aí a lucratividade. É uma lucratividade boa, mas que precisa de volume, e para chegar nesse volume requer de alguns anos para chegar nesse volume. (O principal mercado consumidor) É mercado externo, é aonde 99% da produção de chinchila vai. Hoje está mais para Ásia e Europa, também – explica Rafael Gutierrez Oliveira.

É importante ficar atento ao ambiente de criação e à alimentação dos animais.

– Ambiente sempre climatizado, fechado e chega ao ponto de 28°C, a gente precisa ligar o ar condicionado. Para animal que não gosta de calor, quanto mais baixa a temperatura, melhor ele se sente. Melhora a reprodução dele, melhora o manejo reprodutivo dele, fica bem melhor. A alimentação dela é específica para chinchila. Hoje temos empresas comercias que fazem exatamente a ração que eles necessitam. Isso é muito tranquilo para nós criadores de chinchila. Além da ração, a gente suplementa com alfafa, que é uma fibra importante para eles – explica Oliveira.

O criador começou o negócio com o irmão há 25 anos. Até hoje eles mantêm a cabanha que fica em Viamão, região metropolitana de Porto Alegre. Eles são especializados em venda de matrizes reprodutoras e criam cerca de dois mil animais.

– O perfil do produtor de chinchila para nós está bem claro. É quem tem uma propriedade, que lida com animais, tem uma criação de suínos ou de aves, alguma outra coisa relacionada até a agricultura e a chinchila entra, às vezes, como terceira, quarta renda e, dependendo do tempo, ela vai subindo de patamar na rentabilidade desse produtor rural. É importante conhecer o mercado e ver alguns produtores que tenham sucesso – afirma.

Lembrando que a chinchila tem algumas mutações. Tem animais de outras colorações também, que são atrativos para aquelas que desejam ter como animal de estimação.

– Hoje em dia têm animais brancos, beges e de outras colorações. Como animal de estimação, tem valor por causa da raridade – completa o criador Rafael Gutierrez Oliveira.

FONTE: http://www.canalrural.com.br/noticias/jornal-da-pecuaria/saiba-como-criar-chinchilas-52099