domingo, 29 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

O cavalo árabe




A criação de cavalos, nos dias de hoje, não possui a mesma finalidade dos tempos pré-automobilísticos. Hoje, a criação de cavalos tem um apelo sentimental, uma força que transcende apenas sua utilização em corridas, em passeios ou para locomoção em áreas rurais. É algo que está dentro da alma humana, conviver e se integrar com esse maravilhoso animal, considerado um dos mais imponentes sobre a face da terra.

O Cavalo Árabe, também conhecido como um animal guerreiro, desperta grandes paixões em seus criadores e em todos que possam ter o privilégio de montá-lo ou mesmo de ter um contato direto. É um animal imponente, de porte nobre e que une os mais diferentes criadores e admiradores, por todo o mundo. Apesar de ser um cavalo de guerra, sua maior proeza foi a de continuar puro por tantas gerações, trazendo do passado o espírito de seus ancestrais e dos homens que fizeram história, montando e criando esses belos animais.

Nos dias de hoje, a criação do Cavalo Árabe e considerada uma verdadeira indústria, que movimenta bilhões de dólares em todo mundo. Sua criação não conhece fronteiras, classe social, idiomas ou política e faz dessa atividade, muitas vezes, a única coisa em comum entre inimigos mortais.

Com o passar dos séculos, e principalmente nos dias de hoje, a criação do Cavalo Árabe se tornou um símbolo de status e poder dos criadores, que fazem com que seus cavalos fiquem sob a luz dos holofotes em multimilionários leilões, que acontecem centenas de vezes por ano, no mundo inteiro. A paixão que esses cavalos despertam em seus criadores é inigualável, fazendo com que sua criação tenha se tornado uma atividade altamente profissional e técnica, onde são empregadas as mais modernas tecnologias da área veterinária e da genética, visando um constante aperfeiçoamento dos animais, sem que isso descaracterize a raça.

O Cavalo Árabe tem sido criado, principalmente, na Europa, nos Estados Unidos, no Oriente Médio e Norte da África e na América do Sul. O Brasil possui um grande número de criadores, tornando o país, um dos mais importantes no panorama mundial da raça. Grandes empresários e grupos econômicos de peso fazem parte deste lucrativo e imponente negócio que pode render milhões de dólares em apenas um leilão.

FONTE: Enviado por Ruralban

quinta-feira, 5 de março de 2015

O tipo bovino é importante na produção

O termo ou palavra "tipo", embora possa ter outros significados em criações e zootecnia, a tomaremos agora sob um aspecto mais prático e econômico, ou seja, em torno da qual se reúnem os indivíduos, de acordo com as suas aptidões ou produção.



Os bovinos podem assim ser classificados em 4 grupos ou tipos, que são os seguintes:

1º - tipo para carne ou corte;

2º - tipo leiteiro;

3º - tipo misto ou para a produção de carne e leite;

4º - tipo comum. 

Os três primeiros são tipos aperfeiçoados ou especializados, sendo todos eles precoces. Quanto ao 4º ou comum, é um tipo sem características definidas para qualquer uma das produções e, além disso, é tardio. 

Portanto, um criador, ao pretender explorar bovinos, deve, antes de tudo, ter em mente o que pretende produzir: carne, leite ou ambos os produtos, para então escolher o tipo adequado à produção desejada. 

É preciso levar em conta não só o tipo de gado para determinada produção, mas também outros fatores. Entre eles podem ser citados: as possibilidades e exigências do mercado, o clima, as condições de alimentação, o sistema de criação, as instalações existentes e também, a prática e a competência do criador. 

É preciso que todos esses fatores sejam levados em consideração porque, quanto mais aperfeiçoada e especializada a raça ou tipo, mais exigente será em relação ao clima, à alimentação, etc. Por esse motivo requer, não só maiores cuidados, mas também maiores conhecimentos e prática do criador. 

Ao escolher a raça ou tipo de bovino para criar, é aconselhável que o principiante aproveite a experiência dos seus vizinhos ou a orientação de um técnico, pois isso já lhe dá uma grande vantagem para obter o sucesso. 

Gado de corte

Os animais para a produção de carne apresentam uma boa conformação, têm o corpo cilíndrico, são precoces e de um bom desenvolvimento, tendo ainda um esqueleto fino e resistente.São exigentes quanto à alimentação, mas aproveitam bem as forragens que lhes são fornecidas. 

Como a especialização e aperfeiçoamento diminuem a rusticidade, os animais das raças aperfeiçoadas são mais "fracos" e portanto menos resistentes às doenças e aos parasitas, tanto internos quanto externos. Entre as raças de corte, podemos citar a Hareford, Durhan e a Charoleza. 

Gado leiteiro

Quanto aos animais do tipo leiteiro, possuem formas angulosas, peito mais estreito e cornelha aguda, pescoço fino, costelas bem arqueadas, são pouco "barrigudos" e possuem o "trem traseiro" mais desenvolvido do que o dianteiro. Possuem, ainda, o que se chama de corpo "em forma de cunha", o que pode ser observado principalmente nas vacas quando estão dando leite. 

O gado leiteiro é ainda mais exigente quanto à alimentação e o manejo do que o gado de corte. Além disso, é também menos resistente às doenças do que eles. Como raças leiteiras, podem ser citadas, entre outras, as holandesas, jersey, guernsey, flamenga, etc. 

Gado misto

Já o tipo misto, tanto produz carne de qualidade e em quantidades satisfatórias, como também leite em abundância, embora nenhum desses produtos seja produzido, por elas, nas mesmas quantidades das raças especializadas, ou seja dos tipos para carne ou para a produção leiteira. 

Quando no gado misto aparece alguma vaca de grande produção leiteira, isso concorre para que ela seja má produtora de carne, pois uma produção vem sempre em prejuízo da outra. Como principais raças mistas, existem as raças Schwitz, simental e normanda. 

Gado comum
 
Quanto ao gado ou tipo comum, sua principal característica é a sua grande rusticidade e notável adaptação ao meio ambiente, além de maior resistência às doenças e parasitas. Devido a essa característica, dão bons animais de serviço. 

Os bovinos desse tipo apresentam, porém, como inconveniente a sua conformação defeituosa e a falta de precocidade, bem como a baixa produção de leite ou rendimento de carne. Além disso, tratando-se de animais muito tardios, iniciam sua produção com muito mais idade do que as raças aperfeiçoadas. 

Basta citar que, nas raças aperfeiçoadas e especializadas para a produção de carne, os novilhos, de um ano e meio em diante, já podem ir para o corte, enquanto que nas raças comuns, somente com 4 a 5 anos estarão em condições de abate. 

O mesmo acontece com as raças aperfeiçoadas especializadas para a produção de leite, pois já antes dos dois anos as novilhas podem ser enxertadas e portanto, antes dos três anos já estão produzindo leite, enquanto que as das raças comuns só entram em lactação depois dos 4 anos. 

Esse tipo de gado pertence às raças nacionais e também é conhecido como "pé duro". Portanto, o criador deve criar raças aperfeiçoadas, puros, quando possível ou então mestiços dessas mesmas raças. 

Se o seu gado for comum, o melhor é introduzir um bom touro de raça aperfeiçoada, pois é essa a maneira mais simples e barata para melhorar a qualidade do rebanho e aumentar a produção.

FONTE: Enviada por Ruralban

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

39º Congresso da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil 2015



INSCREVA-SE JÁ para garantir a sua vaga, falta menos de um mês.
Foz do Iguaçu, 12-15 de Março, 2015.
Uma chance IMPERDÍVEL de participar em palestras e minicursos de especialistas do mundo todo.
50 Palestrantes do Brasil, EUA, Dinamarca, Reino Unido, México, Colômbia e Argentina.
Palestrantes:
Diretor Executivo, Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (WAZA)
Presidente, Associação Latinoamericana de Zoológicos e Aquários (ALPZA)
Vice-Presidente, Associação de Zoológicos e Aquários do México (AZCARM)
Diretora, Amphibian Ark
Grupo Especialista em Reprodução Para Conservação, (CBSG) Europa
Grupo Especialista em Reprodução Para Conservação, (CBSG) EUA
Grupo Especialista em Reprodução Para Conservação, (CBSG), América Latina
Wild Welfare
International Elephant Foundation
SAVE Brasil
CBEE
Eto Consultoria Comportamental e Bem-Estar Animal
ISIS
IPÊ
Associação Mata Ciliar
USP
Uniderp
Zoo Cali
Zoo Minnesota
Zoo Temaiken
Zoo Cincinnati
Zoo de Sorocaba
Zoo de São Paulo
Zoo de João Pessoa
Aquário de Campo Grande
Parque das Aves
Itaipu Binacional/Refúgio Biológico
Projeto Tatu-Canastra
Projeto Papagaio-verdadeiro
Projeto Papagaio-de-cara-roxa
Projeto Papagaio-de-peito-roxo
Projeto Charão
Projeto Papagaio verdadeiro
Projeto Lobo-Guará
Projeto Carnívoros do Iguaçu
... e muito mais.
Vamos juntos?
Confira a programação e inscreve-se:
www.congressoszb.com.br

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Conheça os sinais da comunicação dos cavalos




Os cavalos mostram três linguagens corporais distintas: o movimento de repressão, o empurrão e a apresentação da traseira. No movimento de repressão, utilizado por animais corajosos e dominadores, o cavalo coloca o corpo na frente do outro animal, impedindo-o de avançar. O empurrão com o ombro é a forma mais violenta de dominação e a apresentação da traseira ocorre quando o cavalo demonstra que vai escoicear. Um corpo flexível, cheio de movimentos, que simplesmente explora todas as suas possibilidades, demonstra muita alegria. Isso ocorre quando os animais estão encocheirados ou soltos. 

O cavalo se comunica usando oito sons principais. O mais conhecido é o relincho, que é um som longo, alto e agudo, usado para chamar a atenção sobre algo ou de alguém. O resfôlego é um som que se origina através da saída bruta de ar pelas narinas, que trepidam. É uma forma de limpar as vias respiratórias, aumentando a oxigenação. É o som que traz consigo curiosidade e medo ao mesmo tempo, quando vê algo novo. Muitas vezes é usado para alertar os outros animais da novidade. O guincho é um som emitido com a boca fechada, sendo baixo e freqüente em encontros não muito "românticos" entre éguas e garanhões. É dado em sinal de defesa, do tipo "cai fora".

O ronco, um som grave, curto e descontínuo, pode ser de cumprimento, namoro ou maternal. Quase sempre está ligado ao reconhecimento, a um sinal leve de excitação, ou porque viu um cavalo amigo, uma pessoa querida, um alimento, uma égua ou o filho (potro). O ronco de namoro é o mais excitante, pois é acompanhado do bater dos cascos e o movimento da cabeça, pescoço e cauda. Muitos cavalos reagem dessa forma na aproximação de seus donos. O urgido é um som agudo, comum entre os cavalos selvagens e ocorre em estados emocionais intensos. Semelhante ao resfôlego, mas sem trepidação, o sopro é um som mais suave e com uma mensagem menos tensa, significando apenas um "Hum! O que é isso?!". E ainda temos o suspiro, com a saída longa de ar pelas narinas, onde o animal demonstra um certo tédio, mal estar digestivo ou até mesmo angústia. 

Um dos sinais de comunicação mais utilizados e mais fácil de ser observado é o transmitido pelas orelhas. Elas mostram sempre aonde está direcionada a atenção do cavalo. Conforme a posição das orelhas, o cavalo mostra o seu ânimo e a sua atenção. Por exemplo: inclinação aguda para frente indica tensão, curiosidade ou boa intenção; caídas para o lado significam aborrecimento ou cansaço; abaixadas e voltadas para trás indicam animosidade ou agressão.

Os cavalos também usam combinações dessas posições, além de posições intermediárias que, por enquanto, só eles mesmo entendem o significado. Entretanto, sabemos que orelhas em pé e voltadas para trás denotam a presença de um dominador, que geralmente é o treinador ou o cavaleiro e indicam submissão, obediência, um indício de que a voz de comando foi utilizada para o adestramento como uma "ajuda". 

A cabeça mostra, através de movimentos pendulares, que existe alguma insatisfação, uma vontade de sair da situação em que está. Quando montados, demonstra desagrado com a embocadura ou com o exercício imposto. Mas, muitas vezes, o movimento com a cabeça serve apenas para aumentar o campo de visão do animal ou para chamar a atenção de alguém. A investida ou empurrão com a cabeça é também uma forma de atrair a atenção ou talvez a demonstração de não gostar de alguma coisa que está vendo ou sentindo. 

As pernas não servem somente para dar movimento e estrutura, também possuem a sua linguagem. Escavar o chão com as patas mostra o desejo de achar algum alimento ou de estar pedindo-o ao seu dono. Serve também de reconhecimento e como desejo claro de continuar com algum movimento, mostrando algum tipo de frustração. Levantar a pata dianteira é ameaça, pois dá início ao coice frontal, enquanto que levantar a perna traseira é um ato defensivo, anterior ao coice. O coice é uma forma de proteção, agressão, dominância e força, enquanto bater e pisar são maneiras como o cavalo demonstra que é o chefe, é uma forma de protesto. 

A face do animal também transmite sinais, através da boca, dos olhos e das narinas. O ato de abocanhar, onde o animal puxa o canto da boca, abrindo-a e fechando-a como se fosse morder, mostra o lado brincalhão, querendo dizer "olha, eu estou aqui e sei ser simpático!". Quando os cavalos possuem o hábito de mordiscar uns aos outros (pêlo e crina), pode ser a representação de cordialidade entre eles, a maneira que encontraram de demonstrar "amizade". Abrir os lábios e não morder, também é uma brincadeira, mas a mordida é uma forma de defesa. A boca contraída mostra angústia e dor, enquanto os lábios caídos mostram relaxamento. 

Os olhos demonstram medo, excitação, curiosidade, dor e interesse, assim como as narinas podem dilatar em estado de excitação, esforço ou emoção intensa. Prestando atenção no comportamento de pastejo do cavalo, veremos que, praticamente, não se modifica quando anoitece, o que revela uma capacidade de visão noturna relativamente boa. 

Os cavalos utilizam-se de vários recursos para se comunicarem através de seus próprios corpos ou com a emissão de sons, cabendo a nós conhecer e observar esses sinais de comunicação para que se possa chegar ao convívio mais completo. O cavalo faz sua parte de maneira natural e espontânea, expressando o que sente, avisando com antecedência do que gosta e do que não gosta, deixando clara sua posição de submissão e obediência, da mesma forma que alerta sobre sua postura de líder em determinadas situações. Será que estamos atentos a isso e correspondendo com a mesma franqueza aos sinais de comunicação. Bom, se ficou alguma dúvida no ar, chame seu cavalo e tenha uma longa conversa com ele!

FONTE: enviado por Ruralban

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Aprenda a fazer uma ordenha de cabras manual

A Embrapa desenvolveu o Kit de Ordenha Manual para Caprinos, uma tecnologia social que contribui para o desenvolvimento sustentável da caprinocultura leiteira de base familiar nas diferentes regiões do país. 



A correta utilização favorece a obtenção higiênica do leite, por meio da redução de micro-organismos com consequente controle da mastite/mamite (inflamação da glândula mamária) nos rebanhos.
Segundo a Embrapa, o Kit pode ser montado pelo próprio produtor e é composto por peças e utensílios facilmente encontrados no mercado.
• 1 balde plástico de 8 litros para armazenamento de água clorada
• 1 filtro para coar o leite (nylon, alumínio, aço inoxidável ou plástico atóxico)
• 1 adaptador para caixa de água de œ polegada
• 1 copo graduado para medir o detergente em pó
• 1 caneca de fundo escuro ou telada
• mangueira de borracha (5 metros)
• 1 adaptador de pressão de œ polegada
• 1 registro esfera de œ polegada
• 1 esguicho de jardim de œ polegada
• detergente alcalino em pó
• papel toalha descartável
• 1 par de luvas de borracha
• 1 caneca para ordenha
• 1 veda-rosca/teflon
• 1 seringa de 20 mL
• cloro comercial
• escova ou bucha

Para a realização de uma ordenha higiênica, os cuidados abaixo deverão ser observados:
• Condução dos animais para a sala de ordenha de forma tranquila.
• Adoção de uma linha de ordenha, para que as cabras sadias, que nunca tiveram mastite/mamite (inflamação da glândula mamária) sejam ordenhadas primeiro.
• Lavagem das mãos do ordenhador.
• Realização do teste da caneca telada ou de fundo escuro, para a retirada dos primeiros jatos de leite e detecção de cabras com mastite/mamite clínica, por meio da observação do leite, verificando se possui anormalidades como grumos, pus ou sangue.
• Lavagem dos tetos com água clorada.
• Secagem de cada teto com papel toalha absorvente e descartável. Não é recomendado a utilização de panos.
• Realização da ordenha com movimentos lentos e organizados para ajudar o estímulo e a descida do leite.
• Após a ordenha, imergir os tetos em solução antisséptica glicerinada (solução de iodo a 0,5% com glicerina).
• Manutenção das cabras de pé após a ordenha.
• Filtração do leite em coador apropriado.
• Resfriamento do leite em temperatura igual ou inferior a 4°C, logo após o término da ordenha.
• Atenção: O leite de cabras que estão com mastite ou em tratamento não poderá ser aproveitado. Esse leite deverá ser descartado.
• Lavagem e higienização da sala de ordenha, utensílios e equipamentos com a solução detergente de limpeza e água corrente.
• Para o preparo da solução de limpeza coloque 20 gramas de detergente alcalino em pó (conforme o copo de medida graduado) em uma garrafa PET de dois litros, contendo 1 litro de água de boa qualidade. Agite a garrafa até dissolver bem todo o detergente e em seguida complete a garrafa com água até encher. Utilize luvas para realizar a limpeza dos utensílios que entram em contato com o leite.

FONTE: Canal Rural

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Dez mitos no uso do sal mineral para bovinos

Uma técnica usada há décadas na pecuária de corte brasileira é a mineralização do rebanho. Apesar disso, parece que algumas informações distorcidas ainda prevalecem no meio. O objetivo da lista abaixo é, ao esclarecê-las, contribuir para o melhor uso da técnica. São dez pontos que elencamos como “mitos”, ou seja, algo “que não tem existência real ou passível de ser provada”, conforme uma das definições do dicionário “Caudas Aulete”. Vamos a eles:
Mito 1: “Sal mineral é tudo igual!” – Um sal mineral é uma mistura de vários elementos, óxidos e sais à disposição no mercado. Comprá-los e misturá-los é algo dentro das possibilidades de quase qualquer terráqueo. Mas, então, por que isso é mito? O que pode diferenciar um sal mineral de outro? O primeiro ponto seria a formulação do sal (as quantidades de cada matéria prima visando determinadas concentrações finais dos nutrientes no produto). Um produto mal formulado, isto é com níveis de garantia furados e consumo mal planejado, não será eficaz. Assim, mesmo que o animal o consuma, não será atingido o objetivo de atender suas exigências minerais. Outra questão ainda muito mais comprometedora é que existem inúmeras armadilhas no mercado em termos de matéria-prima. Ainda que algumas delas possam ser evitadas com uma análise de laboratório, outras podem ter um  laudo perfeito do laboratório, mas o nutriente não ser assimilável (não ser biodisponível, no jargão técnico). Outros diferencias seriam: qualidade da mistura, fontes mais nobres de matéria-prima, tipo de apresentação (granulado, floculado,,,), resistência ao empedramento e algo que tem feito muita diferença: apoio técnico da empresa ao produtor.
Mito 2: “O animal sabe que mineral precisa!” – Esse é um dos mitos mais difusos e duradouros. Já foi amplamente comprovado por pesquisas que o animal voluntariamente não seleciona minerais dos quais esteja deficiente. Exatamente por isso que precisamos colocar todos juntos, de maneira bem formulada para que eles os consumam. Como o sódio é o único mineral que efetivamente o animal mostra desejo em consumir, o cloreto de sódio virou o veículo ideal para ajudar nesta tarefa (Ver Mito 5).
Mito 3: “O mineral que importa no sal, mesmo, é o fósforo” – Segundo um extenso levantamento realizado pela Embrapa Gado de Corte, 100% das forrageiras analisadas teriam valores muito baixo de sódio (< 0,1% da matéria seca), que predisporiam deficiência. Nesta mesma pesquisa, o fósforo ficou em quarto lugar, com 72% das amostras abaixo de 0,12% da matéria seca. Zinco, com 96% das amostras menor do que 20 ppm (2º lugar), cobre com 82% menor que 4 ppm (3º lugar) e Cálcio com 38% menor que 0,2% da matéria seca (5º lugar), completam a lista. Não foram avaliados nesta pesquisa Cobalto, Iodo e Selênio, todos com histórico de deficiência e resposta a suplementação no Brasil. Fica claro, então, que o fósforo não é o único mineral que devemos nos preocupar. Como todos podem limitar a produção, devemos nos preocupar com cada um deles, bem como nos preocupar que estejam balanceados, sem grandes excessos que possam predispor a problemas de absorção (um mineral em excesso, prejudicando a absorção de outro).
Mito 4: “Quanto maior a concentração em minerais, melhor é o sal! Esse é o critério que eu uso na compra!” – Ao comparar dois produtos é comum o produtor optar por aquele que tenha valores de níveis de garantia dos nutrientes mais altos. A lógica seria que, se eles têm maiores concentrações, o animal vai ter mais desse mineral a disposição. O que “fura” essa lógica é o consumo! Se o sal tem 90 gramas de fósforo por quilograma do produto isso apenas significa qual a concentração dele e não quanto está à disposição do animal, o que vai depender da quantia que ele ingere desse sal mineral. Assim, se esse sal tem um consumo de 60 gramas/cabeça.dia, o consumo de fósforo pelo animal é de 5,4 g/cabeça.dia. Um sal com 88 de fósforo por quilograma do produto, mas com consumo de 70 gramas/cabeça.dia, suprirá com 6,16 gramas de fósforo por dia ao animal, quase 1 g a mais do que o de 90. Portanto, lembre-se: o animal não come concentração, ele come o sal!
Mito 5: “Só o sódio basta para acertar o consumo” -  Esse é um mito que todo nutricionista gostaria de acreditar, pois a única forma de formular o sal é considerar que isso é verdade. Enfim, precisamos de uma referência e a melhor que temos é o teor de sódio. Esta referência até funciona bem, no sentido que ao fazermos a média de muito dados de consumo, há uma convergência para que o valor obtido se aproxime daquele que atende as exigências de sódio. Assim, para estimar a o consumo de um mineral bastar identificar qual o consumo necessário para atender as exigências de sódio. Por exemplo, considerando como 10 g de Sódio a exigência de uma unidade animal (um animal com 450 kg), se o sal fornecido a ele tem 200 g de sódio por quilograma do produto, o consumo esperado deste produto é de 50 gramas/cabeça.dia, O cálculo é uma “regra de três”: Se em 1 kg do produto temos 200 g, quantos quilos do produto preciso para ter esses 10 g ou, simplesmente, 10 g/cab.dia dividido por 200 g Sódio/kg produto  = 0,05 kg produto.
Mito 6: “Regulando o consumo pelo teor de sódio, não há necessidade de monitorar o consumo” – O problema dos nutricionistas precisarem tanto desta referência é que ele passa, muitas vezes, a ser tido como uma referência absoluta. A realidade nos mostra que o consumo de minerais é muito variável e que essa variabilidade é pouco previsível. O que esta realidade nos impõe é monitorarmos o consumo, de preferência, de piquete à piquete e, na pior das hipóteses ter a média da fazenda no ano. (neste link há um exemplo deste cálculo:http://sites.beefpoint.com.br/sergioraposo/2013/12/26/cinco-dicas-basicas-para-ter-uma-producao-melhor-em-2014/)
Mito 7: “As empresas usam palatabilizantes para aumentar consumo” – O consumo de minerais interessa, sim, às empresas, pois quanto maior for o consumo, maiores serão suas vendas. Todavia, não há pior propaganda para uma empresa do que ela ter sais minerais com fama de alto consumo, pois isso é um fator altamente desestimulante para os compradores. Aliás, nunca há reclamação por consumo abaixo do valor recomendado, apenas quando ele fica acima. Ocorre que o maior prejuízo ao pecuarista, em geral, ocorre por não aproveitar todo o benefício de “zerar” as deficiências minerais. Dessa forma, é interessante que algum palatabilizante seja utilizado na formulação. Adicionalmente, resultados de pequisa mostram que ele ajuda a uniformizar o consumo, o que é muito desejável. (Mais informações sobre consumo uniforme do lote no texto: http://sites.beefpoint.com.br/sergioraposo/2013/09/17/mineralizacao-de-animais-em-pastagem-assunto-encerrado/)
Mito 8: “Mineralizar faz diferença mesmo na seca!” – As vendas de sal mineral aumentam na época que antecede a estiagem, mostrando claramente que o produtor tem aumentada sua preocupação em vista dos pastos mais pobres da seca. A crença por trás disso seria que, uma vez que a pastagem teria níveis mais baixos de minerais (o que é fato), consequentemente seria necessário dar mais minerais ao animal para compensar. Todavia, o que acontece na seca é que não adianta fornecer apenas os minerais, pois o nutriente mais limitante é a proteína. Há, inclusive, dados de pesquisa mostrando não haver diferença entre fornecer sal mineralizado e apenas sal branco aos animais na época da seca. A lógica é que a exigência dos minerais para manter ou perder peso na seca é tão baixa que o pouco que tem na pastagem já resolve. O conceito importante aqui é o seguinte: Quanto maior a produção, maior a necessidade de nutrientes (inclusive minerais). Por isso que a hora que mais se deve preocupar com a suplementação de minerais é nas águas. Na seca, também devemos, mas usando sal com ureia e proteinado, resolvendo primeiro o fator mais limitante.
Mito 9: “Se não usar cocho coberto, melhor nem mineralizar!” – Cochos cobertos, bem assentados, bem localizados, que não fiquem ilhados por acúmulo de água ajudam muito os lotes por eles atendidos a terem bom consumo e devem ser o padrão a ser atingido. Todavia, o pior cenário não é ter o sal mineral molhado pela chuva, mas a falta de espaço linear mínimo de cocho. Recomenda-se oferecer no mínimo 6 cm lineares de cocho para cada unidade animal atendida por esse cocho. Entre ter o sal preservado da chuva e dar acesso ao sal a todos os animais, mesmo que molhado, dê preferência à segunda opção. Ainda assim, ao usar cochos não cobertos, é aconselhável ter um monitoramento (e abastecimento) mais intensivo, uma vez que a umidade ajuda a empedrar o sal, o que prejudica seu consumo.
Mito 10: “Bobagem gastar com sal mineral! Um amigo parou de mineralizar e não notou diferença nenhuma!” – Esse é um mito para o qual basta o tempo para que seja derrubado. As vezes, nos deparamos com alguém que está fazendo esse “teste” e é possível que, em algum lugar no Brasil, de fertilidade natural muito alta e que o produtor se contente com índices produtivos medíocres que o “teste” funcione por um bom tempo, alongando a “vida útil” do mito. O confronto entre os níveis usualmente encontrados dos minerais nas forragens brasileiras e a exigência cada vez maior, a medida que melhoramos o manejo das pastagens e a genética dos animais, fazem com que possamos esperar que cada vez mais esses tipo de “teste” dure menos.
Um bom uso da técnica de suplementação mineral permite o aproveitamento de todo potencial produtivo da forragem. Ajudar esse aliado da produção a nos ajudar é altamente compensador. Ter esses conceitos corretos na ponta da língua ajudam a deixar o sal na ponta da língua dos animais e o azul mais vivo na conta da fazenda.
Por Sergio Raposo para BeefPoint

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Estudo brasileiro sobre vacinação de bovinos em protocolos de IATF é destaque em congresso científico na França

Um estudo brasileiro comparando animais vacinados em protocolos de Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF) com bovinos que não receberam a vacinação chamou a atenção de pesquisadores que participaram da Conferência Anual da IETS (International Embryo Transfer Society), realizada no Palais des Congrés, em Versalhes, na França, de 10 a 13 de janeiro, com a participação de aproximadamente 600 pessoas de diversos países.
O trabalho, feito com 1172 vacas Nelore, provenientes de quatro fazendas localizadas no Mato Grosso do Sul, distribuídas em dois grupos na estação de monta 2013/2014, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em conjunto com veterinários de campo parceiros e veterinários do laboratório Biogénesis Bagó, de Curitiba (PR) e Lab Axys Análises Diagnóstico, de Porto Alegre (RS). O levantamento identificou que os animais vacinados de forma estratégica contra Diarreia Viral Bovina (BVD), Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR) e Leptospirose obtiveram taxas de prenhez superiores em protocolos de IATF. Os animais vacinados tiveram taxas de prenhez em IATF de 58,2% enquanto que o grupo de controle teve 44,7%, demonstrando um índice superior de 13,5 pontos percentuais ou um aumento de 27% em prenhez.
“O que mais me chamou a atenção durante o congresso foi notar que o interesse neste tema tem aumentado muito principalmente dentro da área acadêmica e científica. Pesquisadores renomados de diversos países, e principalmente do Brasil, discutiram os dados e o interesse em desenvolver novos trabalhos nesta área foi muito grande. Durante muito tempo as pesquisas foram voltadas a estratégias visando aumentar a fertilidade e a prenhez das vacas, porém poucos estudos se concentraram nas perdas gestacionais, especificamente nas relacionadas à sanidade. De certa forma há uma conscientização maior de que não adianta apenas termos altos índices de prenhez sendo que em algum momento estamos perdendo parte destas gestações”, observa o médico veterinário Lucas Souto, Gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó, que esteve na Conferência da IETS para apresentar o trabalho.
“Cada vez mais tem se comprovado que um programa sanitário definido da forma correta ajuda na melhoria de índices reprodutivos e, consequentemente, produtivos, permitindo utilizar o conceito de reprodução com saúde, emprenhando mais vacas, na época certa, mantendo as gestações e minimizando as perdas”, salienta o veterinário.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Na verdade, produzir carne bovina é bom para o planeta, diz autora de livro

Por Nicolette Hahn Niman, autora do livro “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”
Vaca Caracú - Foto: Renata Pitombo


As pessoas que defendem a redução no consumo de carne bovina frequentemente argumentam que sua produção prejudica o meio-ambiente. Os bovinos, conforme nos dizem, têm uma enorme pegada ecológica: consomem água, prejudicam plantas e solos e consomem os preciosos grãos que deveriam estar sendo destinados à alimentação de seres humanos famintos. Ultimamente, os críticos têm culpado os arrotos dos bovinos, a flatulência e até mesmo sua respiração pela mudança climática.
Como vegetariana há muito tempo e advogada ambiental, já acreditei nessas afirmações. Porém agora, depois de mais de uma década vivendo e trabalhando no negócio – meu marido, Bill, fundou o Ninam Ranch, mas deixou a companhia em 2007 e, agora, temos uma companhia de carne bovina produzida a pasto – tenho uma visão oposta disso. Não é só que o alarme referente aos efeitos ambientais da carne bovina são exagerados. É que criar bovinos de corte, especialmente a pasto, representa um ganho ambiental para o planeta.
Vamos começar com a mudança climática. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, toda a agricultura do país é responsável por apenas 8% das emissões de gases de efeito estufa, com, de longe, a maior parte se devendo à gestão do solo – ou seja, técnicas de cultivo. Um relatório da Union of Concerned Scientists concluiu que cerca de 2% dos gases de efeito estufa dos Estados Unidos podem ser relacionados com os bovinos e que o bom manejo diminuiria mais ainda isso. A preocupação primária é o metano, um potente gás de efeito estufa.
Porém, o metano dos bovinos, agora sob um estudo vigoroso pelas faculdades de agricultura de todo o mundo, pode ser mitigado de várias formas. Uma pesquisa australiana mostrou que certos suplementos nutricionais podem reduzir o metano de bovinos pela metade. Coisas tão intuitivas como o bom manejo do pasto e tão obscura quanto populações robustas de besouros coprófagos mostraram reduzir o metano.
Ao mesmo tempo, os bovinos são importantes para a estratégia mais promissora do mundo para conter o aquecimento global: restaurar o carbono ao solo. Um décimo de todas as emissões de carbono causadas por humanos desde 1850 vieram do solo, de acordo com o ecologista, Richard Houghton, do Woods Holem Research Center. Isso devido ao cultivo da terra, que libera carbono e retira da terra a vegetação protetora, e às práticas agrícolas que falham em retornar os nutrientes e matéria orgânica à terra. Terras cobertas por plantas que nunca são aradas são ideais para recapturar o carbono através da fotossíntese e para mantê-lo em formas estáveis.
A maioria dos bovinos de corte do mundo é criada a pasto. Suas bocas de poda estimulam o crescimento vegetativo, à medida que seus cascos que atropelam o pasto e seus tratos digestivos impulsionam a germinação de sementes e a reciclagem de nutrientes. Essas perturbações genéticas, bem como aquelas causadas pelos rebanhos selvagens que pastam, impedem a invasão de arbustos e são necessários para o funcionamento de ecossistemas de pastagens.
Uma pesquisa feita pela Soil Association, no Reino Unido, mostrou que se os bovinos são criados principalmente em pasto e se as boas práticas de produção são seguidas, carbono suficiente poderia ser sequestrado para compensar as emissões de metano de todo o rebanho de corte do Reino Unido e metade de seu rebanho leiteiro. Similarmente, nos Estados Unidos, a Union of Concerned Scientists estima que até 2% de todos os gases de efeito estufa (levemente menos do que o que é atribuído aos bovinos) poderiam ser eliminados pelo sequestro de carbono nos solos de operações a pasto.
O pasto é também uma das melhores formas de gerar e proteger o solo e proteger a água. O pasto protege o solo de erosão pelo vento e pela água, enquanto suas raízes formam um tapete que mantém o solo e a água no lugar. Os especialistas em solo descobriram que as taxas de erosão de campos agrícolas convencionalmente arados em média era de uma a duas vezes de magnitude maior do que a erosão sob vegetação nativa, como o que se encontra tipicamente em terras com pasto bem manejado.
Além disso, os bovinos não são consumidores vorazes de água. Alguns críticos ambientais de bovinos dizem que 2.500 galões de água (9463,52 litros) são requeridos para cada libra (cerca de 0,45 quilos) de carne bovina produzida – cerca de 20,8 mil litros de água para cada quilo de carne. Porém, esse dado (ou alguns ainda maiores frequentemente citados pelos defensores do veganismo) são baseados em situações mais intensivas de água. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, Davis, mostrou que a produção de uma libra típica de carne bovina nos Estados Unidos usa cerca de 441 galões (1669,37 litros) de água – ou 3,68 mil litros por quilo de carne -, ou seja, um pouco a mais só do que para a produção de um quilo de arroz, e a carne bovina é bem mais nutritiva.
O consumo de carne bovina também é acusado de agravar a fome mundial. Isso é irônico, uma vez que um bilhão das pessoas mais pobres do mundo dependem da pecuária. A maioria dos bovinos do mundo vive em terras que não podem ser usadas para cultivo agrícola e, nos Estados Unidos, 85% da terra que é usada para pastagem pelos bovinos não pode ser usada para agricultura, de acordo com o U.S. Beef Board.
O atributo mais marcante dos bovinos é que eles podem viver com uma dieta simples de pasto, que ele mesmo forrageia. Para proteger a terra, a água, o solo e o clima, não há nada melhor do que um pasto denso. Quando consideramos previsões de longo prazo para alimentação da raça humana, os bovinos certamente continuam sendo um elemento essencial.
O artigo é de Nicolette Hahn Niman é autora do livro: “Defending Beef: The Case for Sustainable Meat Production”, a partir do qual esse artigo foi adaptado, publicado no The Wall Street Journal.
FONTE: BeefPoint

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

2015 assume o lema “mais do mesmo” (como previsto)

A pecuária Goiana e Brasileira descrita por quem a vive e “carrega o pó da viagem”  (Edição #147, de 11 a 17/JAN/15)
1)      COMO ESTÁ O NOSSO TETO (SP/MS)?
Deixamos o último relatório postado aqui, pouco antes do Natal, com o indicador Esalq/BMF em R$ 142,55/@ (variando de R$ 141 a R$ 145), base av. Após finalizarmos o ano com R$ 143,75/@, voltamos nesta última sexta para R$ 143,31/@ av (variando de R$ 141,25 a R$ 145,50).
Continuando nossa recapitulação, o último texto de 2014 foi postado quando havia 3 semanas de baixa da @ no mercado, sequência ruim que foi quebrada pois as semanas do Natal e do Ano Novo foram de alta (leve). Esta semana passada, a inicial do ano, semana a qual se refere este texto, foi de baixa.
Em suma, o mercado flertou com a estabilidade, tendo ocorrido pouca coisa relevante em termos de preços, apenas alguns ajustes pontuais para cima, conforme havia sido aventado aqui no último informe: “nenhum movimento brusco é esperado. Aliás, é até possível tem um precinho para cima, em função de alguma indústria precisar tampar brechas”.
O mercado físico do final da semana marcava R$ 142 a 143/@ av (frigos grandes) até R$ 144 ou 145/@ (frigos pequenos), em SP.
As escalas, já sem o efeito dos feriados, estão entre a quinta 15/jan e a segunda 19/jan, levando a maioria dos frigoríficos ter como “DIA D” a SEGUNDA (19/jan) e o PLACAR médio de 4 dias úteis (entre o dia do acordo da venda e o do abate). O MS já tem a próxima semana mais bem resolvida. Desta forma, o STATUS DO BEEFRADAR vai para:

40% queda (leve) : 45% estabilidade : 15% para alta (leve)

2)      E AQUI, NA TERRA DO PEQUI?
O Estado de GO tem figurado com maior dificuldade que outros na questão do preenchimento das escalas, e este atual momento está alinhado com esta tendência recente. As escalas estão ainda “para dentro da semana” que se inicia (jargão de mercado), entre a próxima quinta/sexta, de modo geral, com preços de R$ 138av x R$ 140ap, com bônus EU de +R$2/@. São pouquíssimos os negócios “personalité” com sobrepreço acima da referência, pois “frigorífico não está com fome para fazer graça” (outro jargão), aliás, panorama geral no mercado.
A média semanal do diferencial de base com SP foi de – R$ 7,20/@, abaixo da média de 2014. Enquanto isto, o deságio da vaca em relação ao macho começa o ano abrindo e já marcando a média semana de –R$ 5,50/@, mostrando que aos poucos, começa a pintar animais acabados via pastagem.
3)      HORA DO QUILOnão tenho nenhuma dúvida que a grande maioria que lê este informe semanal gostaria que o atual Presidente do Brasil fosse outro. Baseio-me nas pesquisas de preferência feitas pelo BeefPoint por ocasião da última eleição. Portanto, não é fácil aceitar que o governo que aí está tenha tomado uma atitude correta.
O artigo do link a seguir aponta nesta direção. Nada de achar que não tenhamos à frente tempos difíceis e que tudo dará certo naturalmente. Mas temos que entender que não importa mais o que a nossa Presidente falou na eleição, mas sim o que passará a ser feito agora, por ela, e sobre tudo, pelos seus Ministros, em especial o da Fazenda. E outro ponto importante ligado a isto: “não há uma linha ética na política, mas uma faixa ética”.
4)      TO BEEF OR NOT TO BEEF: você, voltando das festas e um frigorífico mudou de mão… Não confunda JBS, J&F e JBJ. Entenda quem comprou o Mataboi. E uma coisa nós já sentimos nas redes sociais: uma dicotomia sobre a expectativa dos possíveis efeitos futuros desta “dança de cadeiras” para o produtor.
Uma parte do mercado entende como positiva a mudança, enquanto que outra tem restrições. O tempo nos dirá qual parte está correta. Tomara que sejam os otimistas. Veja o link:http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/giro-do-boi/junior-jbj-compra-frigorifico-mataboi/
5)      O LADO “B” DO BOI:
5.1. A CONVERSA COM O PORTUGUÊS ADÃO
Nestas “mini-férias”, estive em SP e tive a oportunidade de conversar com o “Adão”, dono de um simples, mas bem sucedido, açougue de bairro no ABC Paulista, que tem como freguesia as classes C, D e E. Ele é um português “POI”, tradicional, daqueles que não abre mão de comprar carne com osso (“traseiro bom tem no mínimo 70kg”) e de ter o caderninho de fiado da freguesia. Da conversa com o Adão, foi interessante:
- notar que ela pesa as bandas recebidas do frigorífico pelo açougue. Conclusão: a relação de peso polêmica com o produtor, o frigorífico também tem com a outra ponta quanto a peso…
- notar que da mesma forma que o pecuarista, tem açougueiro que não quer comercializar com determinados frigoríficos “nem de graça”, ou seja, as preferências comerciais são fortes na “outra banda” também…
- relata 20% de queda na venda de carne bovina devido à arrancada do preço em 2014, volume de produto que ele acha ter sido substituído por suíno, ovo e sobre tudo frango, “como a Dilma falou”…
- notar que ele não vende “nem para o seu pai” nenhum kg de fraldinha, carne que ele destina exclusivamente para a produção dos seus espetos…
- observar que ele acha que a carne “não volta de preço e que em pouco tempo a carne de primeira não sairá por menos de USD 10,00/kg, como é nos EUA e Canadá”…
- ele precifica a sua carne de maneira simples: compra traseiro com osso à R$ 12,20/kg, preço sobre o qual ele adiciona 30% referente à quebra (“limpeza” e osso, que é vendido por R$ 0,10/kg), chegando em R$ 15,86/kg de carne sem osso. Sobre este valor, ele adiciona 50% que é a “margem que não abre mão”, chegando à cerca de R$ 24,00 a R$ 25,00/kg, preço de venda ao seu consumidor da carne de traseiro, em média.
5.2. A VISITA AO FEED
Outra visita à ponta final foi a que fiz ao açougue Feed, em SP, do Pedro Merola. Eu simplesmente recomendo, não dá para explicar. Na sua próxima oportunidade em SP, não deixe de ir, caso aprecie verdadeiramente carne. Veja no link: www.feed.com.br.
Coisa de primeiro mundo, no atendimento, local e sobre tudo na qualidade do produto. Provamos bifes de raquete, de ancho, bife de tira e baby-beef. Prepare-se para se surpreender com o alto consumo de carne pelos seus “clientes de casa”. Uma carne de qualidade tem o seu consumo aumentado em até 50%. E por último, além disto, o preço é honesto.

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5.3. MAIS DO MESMO
Finalizamos dizendo que pouca coisa de novidade apareceu nestes feriados de passagem de ano. A novidade foi a intensidade com que começou o ano de 2015, bem alta. Nos últimos textos tínhamos relatado:
  • Que seria um ano de instabilidade política: o atentado histórico que o terrorismo praticou no órgão da imprensa francesa repercute fortemente do ponto de vista internacional, da mesma forma, que a baixa do Petróleo (já em US$ 47,80), fatos de complexidade grande e enorme influência política internacional. Do ponto de vista interno, as apurações da Operação Lava-Jato aproximam empresas do nosso setor para o foco das investigações, mantendo cenário de turbulência no nosso para-brisa;
  • Que seria um ano de instabilidade econômica: apesar de eu concordar com o Luis Carlos Mendonça de Barros (link acima), no nosso para-brisa também está certo o encontro com o ajuste fiscal e econômico. Nas grandes cidades do ABC Paulista, o ano começa com demissões na indústria automobilística, planos de demissão voluntária e greves, evidenciando queda de cerca de 20% no setor, ocorrida em 2014. Isto é apenas um exemplo. O setor elétrico precisa de ajustes urgentes. Aumentos em contas da ordem de 30% são esperados. Eu nunca vi residências na grande SP com mais de 30h sem energia elétrica. Pois vi agora. Se a coisa está feia até em SP, imagina no resto do País… E a inflação continua… Fechamos 2014 com 6,41%, e advinha quem ganhou destaque, veja: http://g1.globo.com/jornal-nacional/edicoes/2015/01/09.html
  • Que seria um ano de instabilidade climática: tivemos um dezembro maravilhoso em termos de chuvas. Mas de 26/dez em diante, passamos a experimentar um veranico típico e de intensidade fortíssima. Tem regiões produtoras de soja já com 20d sem chuvas e perdas de 60% nas lavouras. Além da falta de chuva, a quantidade de horas de sol de altíssima intensidade, produz uma temperatura acima da média no País como um todo. Isto está afetando muito a produção de lavouras e capacidade de suporta das pastagens neste mês de janeiro, fundamental para a safra de ambos. Vejam o material. Não entendi muito, mas não gostei do que escutei:http://www.climatempo.com.br/videos/playlist/8/previsao-para-eventos-e-feriados
  • Que seria um ano de reposição firme: o bezerro inicia o ano até mais firme do que imaginávamos, já tendo renovado seu recorde da BMF: R$ 1.252,06/bez (base MS, cerca de R$ 195/@)
  • Que seria um ano de oferta contida: o final do ano confirmou a tendência. Companheiros de produção receberam ligações de compradores de boi no dia 30/dez, solicitando animais para embarque imediato. Não há perspectiva de aumento de oferta em 2015. A oferta está estável, flertando com a queda;
  • Que seria um ano de desafiador para a demanda: tanto internamente, quanto externamente, como está exposto acima, por apenas alguns dos motivadores.
No curto prazo, a semana inicia verdadeiramente o ano, e a indústria deve analisar o consolidado das vendas de carne das últimas semanas com a produção menor que certamente ocorreu. Este balanço deve sair a partir de segunda, mas algo nos sugere que poderemos ter a indústria recompondo estoques com muita ponderação (vendas de jan costumam ser fracas internamente, ainda mais neste ano, com os ajustes de tarifas públicas e impostos do início do ano). Enquanto isto, deve haver uma ligeira melhora de oferta em função de possíveis vendas represadas por parte de pecuaristas até então em viagens de final de ano.
No médio-longo prazo, o cenário para 2015 aponta para uma oferta de gado gordo estável/piorando levemente enquanto que ao mesmo tempo se depara com uma demanda rica de sinais mais consistentes de piora (ou pelo menos de incertezas profundas).
Resta-nos acompanhar a intensidade destes movimentos, e se estes sinais de incerteza na demanda, vão se concretizar. Lembramos que não expusemos ainda o nosso atual mercado (com oferta limitada de animais acabados) a um cenário menos pujante de consumo (aqui e lá fora). De toda a forma, acreditamos em um mercado mais distante de derretimentos de preços profundos, com maior probabilidade de ocorrência, em função dos fundamentos pecuários. Mas, certeza, ninguém tem. Por ora, assim é precificado pela bolsa, pois o contrato de maio está apenas R$ 3,81/@ mais barato que o indicador de hoje.
Nesta história toda, que veremos juntos ser desvendada, esperamos que o ano seja “mais do mesmo” também em relação à margem da atividade pecuária que tivemos em 2014… Tenhamos uma boa viagem… Portas de 2015 em automático…