segunda-feira, 8 de junho de 2015

Gerenciamento de índices em fazendas: ordenha e qualidade do leite

Quando pensamos em produção de leite eficiente e rentável, o que se passa na cabeça de um produtor? Leite! Muito leite, como sinônimo de rentabilidade. Correto! Essa abordagem é verdadeira? Direcionar esforços somente para aumento do volume produzido é, de fato, o caminho para o sucesso? A busca por boas médias de produção individual, no caso de sistemas confinados ou elevadas taxas de lotação em sistemas a pasto são indicadores importantes de eficiência produtiva. No entanto, a produção de leite eficiente para ser alcançada depende de uma avaliação global e conjunto de medidas. Ninguém é eficiente em produção de leite só porque alimenta bem seus animais, só oferece bom conforto ou qualquer outra prática favorável ao bem estar animal. Para alcançarmos o máximo, em termos de produtividade, é necessário inserir a vaca dentro do sistema de produção proposto e direcionarmos nossos esforços para garantirmos: boa nutrição, bom manejo alimentar e bom conforto, promovendo um consumo efetivo e retorno ao investimento. Tão importante quando a tríade: nutrição-manejo-conforto são os cuidados direcionados para a produção de leite com qualidade. Infelizmente e, de forma errada, muitos produtores encaram a qualidade do leite como um esforço “secundário” dentro na atividade sem perceber que produzir leite de qualidade não é uma necessidade para “atendermos demanda da indústria e lacticínios”, mas sim a forma mais inteligente e eficiente de explorarmos a glândula mamária das nossas vacas. Uma vaca sadia, com baixos índi! ces de contagem de células somáticas (CCS/ml) implica numa “fábrica” em pleno funcionamento e rendimento para ser viável economicamente.

Devemos entender duas situações distintas: a qualidade do leite em termos de saúde animal e qualidade do leite em termos de saúde humana (consumo). Quando abordamos a saúde das nossas vacas devemos pensar em baixa contagem de células somáticas (CCS/ml) como meta. Quando pensamos em leite de qualidade para consumo humano devemos direcionar esforços para uma baixa contagem bacteriana total (UFC/ml). Esta reflete as condições de higiene das instalações, ordenha e existência (ou não) de boas condições de armazenamento e refrigeração porteira adentro.

A prerrogativa, de muitos produtores, da ausência de investimentos e maiores esforços em se produzir um leite de qualidade é a falta de programas de pagamento por qualidade, falta de remuneração adicional por litro satisfatória ou mesmo a dificuldade de obtenção de índices prepostos. "Ah, estes índices são muito difíceis de serem alcançados.” é uma frase que escutamos muito. Esta abordagem está correta? Em termos. Existem bons programas de remuneração por qualidade, enquanto que outros não são tão bons, de fato. Todavia, associar qualidade do leite aos incentivos no pagamento por litro, como estímulo, e receita para o sucesso é uma abordagem muito errada! Devemos trabalhar a questão da qualidade do leite sempre, pois toda vaca eficiente produz leite de qualidade! Não existe uma vaca rentável com índices negativos em termos de CCS/ml, por exemplo. A tabela abaixo ilustra nosso raciocínio:

Tabela.1 - Perdas estimadas (%) causadas por mastite

Fonte: Adaptado de Philpot e Nickerson, 1991, citado por Fonseca & Santos, 2000.

Logo é preciso, compreender que uma CCS entre 340 a 500 mil CCS/ml, por exemplo, afeta a capacidade produtiva da glândula mamária entre 8 a 18% (de acordo com os dados acima), ou seja, praticamente 20% da sua produção diária, se arredondarmos valores. Em outras palavras, seria o mesmo afirmar que uma vaca com 400 mil CCS/ml não é um problema para a fazenda de leite... Não é?! Vejamos. Este número pode representar uma perda média de cerca de 15% da produção diária de uma vaca! (Ou rebanho se esta for a média do tanque). Pode não ser um problema para a IN 62, que determina CCS mínima de 500 mil/ml, mas para o bolso do produtor pode ser bastante significativo, sim! Tomando como exemplo, um rebanho com média de 25 L/vaca/dia, com aumento nos índices de CCS e níveis que impliquem na redução de produtividade nessa magnitude (15%), essa média cairia para cerca de 21 litros (redução de 4 litros/vaca/dia). Considerando um rebanho de 100 vacas em produção, e um preço recebido de R$1,10/L, seriam 400 litros de leite a menos por dia, R$440,00 ou R$13.200,00 a menos por mês. Nessa análise, não estamos levando em consideração o adicional por qualidade que o produtor poderia receber se conseguisse trabalhar com bons índices (o que está deixando de receber). Vejamos a simulação, abaixo:

Tabela.2 – Índices comparativos hipotéticos de qualidade do leite:


A Tabela.2 compara duas propriedades com produções iguais, mas com médias de produção diferentes, afetadas pela CCS média do rebanho. Partindo do pressuposto de que os sistemas de produção são muito semelhantes em termos de potencial de produção e custos, é possível verificar o impacto significativo da pior qualidade do leite em termos produtivos e preço final recebido. Consideramos a mesma linha de raciocínio da Tabela.1, ou seja, queda de 15% na produção média individual por conta de uma maior CCS (365 mil x 550 mil CCS/ml). Todos os números são fictícios embasados em estudos, mas servem como referência para simularmos o impacto da CCS em rebanhos. Vale lembrar que, em situação de custos semelhantes, dentre os quais destacamos o custo de alimentação, os efeitos de uma pior qualidade do leite são significativos.

Em nosso trabalho de consultoria, procuramos estabelecer índices de referência para diferentes setores da propriedade. Em termos de manejo da alimentação e nutrição, atentamos muito para a receita menos custo de alimentação (RMCA), o qual sofre impacto direto do DEL médio avaliado. A Fazenda A depois de pagar seu custo de alimentação trabalha com caixa de R$25.534,00 para pagar suas despesas mensais, enquanto que a Fazenda B dispõe de R$21.150,00.

Analisando o programa de remuneração por qualidade da indústria de laticínios do exemplo, é importante que o produtor tenha consciência de como cada item avaliado pode impactar na composição do preço final recebido. Vale lembrar que alguns indicadores são mais fáceis de serem melhorados do que outros. Para a maioria dos programas é importante que o produtor tenha como meta, no mínimo, índices de excelência em termos de CBT, uma vez que esse atributo depende somente do produtor e capacitação da mão-de-obra, sem envolver animais (exceção para casos de rebanhos com alta infecção por Streptococcus agalactiae ou Streptococcus uberis, que podem causar aumento de CBT no tanque, sendo assunto para outro artigo).

O controle e redução da CCS:

Muitos produtores e técnicos realizam abordagem incorreta sobre o assunto. O controle de CCS de um rebanho está, intrinsecamente, correlacionado com capacitação da mão-de-obra da propriedade e implantação de controles e processos adequados. Entretanto, o foco é direcionado e distorcido por muitos para a questão da “eficiência” e “eficácia” de tratamentos e uso de medicamentos. Antes de iniciarmos qualquer tratamento de mastite num rebanho, é necessário realizar um DIAGNÓSTICO correto da situação do rebanho e este implica no levantamento do que chamamos de “Status Microbiológico”. Neste levantamento apontamos quais são os agentes infecciosos presentes e de que forma (percentual) estão distribuídos no rebanho. Para esse levantamento existe uma metodologia de coleta e análises que deve ser cumprida, sendo que somente uma simples análise não nos leva à conclusão de, absolutamente, nada. A COWTECH trabalha em parceria com os maiores laboratórios do segmento no Brasil, discutindo e participando ativamente na forma e metodologia de diagnóstico e análises realizadas. Uma vez definido quais são os agentes (patógenos) causadores do problema de alta CCS no rebanho, nosso trabalho é direcionado para a principal medida e forma de controle e redução de CCS que é a LINHA DE ORDENHA. A resistência por parte de produtores e de alguns gestores de rebanho (infelizmente) em implantar a rotina de LINHA DE ORDENHA é bem comum. A nossa experiência aponta o motivo dessa resistência a um fator muito simples que é o trabalho! Sim. Implantar uma linha de ordenha e mantê-la como rotina, numa fazenda dá t! rabalho, sim! Todavia, se queremos excelência e profissionalismo, não há outra forma de atuação. Uma LINHA DE ORDENHA de sucesso implica em:

a-) rotina

b-) trabalho árduo

c-) identificação correta

d-) apartações constantes

e-) controle eficiente

Nem todas as propriedades estão, de fato, aptas a implantarem um programa de controle da qualidade do leite. A COWTECH aplica nestes casos, como rotina, o que chamamos de PROGRAMA DE CONTROLE E MELHORIA DA QUALIDADE DO LEITE, que se trata de uma metodologia de trabalho abrangente. Antes de qualquer medida, avaliamos se um sistema de produção com problemas pode ou está pronto para trabalhar a questão da qualidade. Nosso trabalho engloba:

a-) Levantamento e diagnóstico do manejo e rotina de ordenha

b-) Capacitação e treinamento da mão-de-obra

c-) Diagnóstico (análise e interpretação de resultados)

d-) Plano de Ação

e-) Execução (acompanhamento das atividades na propriedade)

f-) Conclusão (análise e interpretação de resultados)

De um modo geral, quando nos deparamos com problemas de mastite, existem duas grandes “aflições” semelhantes, mas conceitualmente, conflitantes: a do produtor que quer tratar logo suas vacas para reduzir sua CCS e as empresas de medicamentos querem pôr à prova toda a tecnologia e inovações de sua linha de produtos. Essa “aflição por tratar” é um tanto quanto perigosa por ser, extremamente, ineficiente. Quando abordamos e discutimos qualidade do leite com produtores, somos constantemente indagados sobre qual “protocolo de tratamento” usar ou qual seria o melhor medicamento (mais eficiente) para resolver seu problema? Essa abordagem é errada. Não existem protocolos bons ou ruins. O que existem são princípios ativos usados incorretamente e produtos (medicamentos) menos eficientes do que outros para determinadas circunstâncias, assim como existem os indicados e corretos. Logo, ao analisarmos o “status microbiológico”, recomendamos a realização de antibiograma para termos um parâmetro inicial do que pode funcionar ou não numa propriedade.

Antes de tratar:

Antes de tratarmos qualquer animal é necessário termos certeza de que o medicamento e protocolo utilizado é o mais adequado (antibiograma) e termos certeza de que a rotina de ordenha da fazenda (teste de caneca, pré-dipping, secagem de tetos, colocação de teteiras, etc.) está correta e a m. de obra capacitada para tal. Posteriormente é necessário que os animais sejam apartados e identificados em grupo de:

a-) animais sadios

b-) vacas recém-paridas

c-) animais infectados por Streptococcus agalactiae

d-) animais infectados por Staphylococcus aureus

Para que uma LINHA DE ORDENHA seja estabelecida com sucesso, é necessário que os funcionários sejam treinados e capacitados de modo que entendam o princípio dessa linha e a importância da manutenção da mesma. A COWTECH atua incisivamente em programas de treinamento de funcionários em fazendas para a realização dessa tarefa. Implantar uma LINHA DE ORDENHA no papel é muito simples. Na prática a conversa costuma ser outra e cada manejo e sistema tem suas particularidades. Por mais “absurdo” que seja, é possível reduzirmos a CCS de um rebanho sem realizar, sequer, um tratamento. Nossa preocupação inicial é a eliminação da ordenha (secagem), quando possível de animais infectados em final de lactação e, eventualmente, com alta CCS. Posteriormente, nosso cuidado é direcionado para o controle da infecção, impedindo que a mesma se alastre no rebanho. Sem a LINHA DE ORDENHA estabelecida e, em funcionamento, de nada adianta “sairmos tratando” animais, sem critério algum. Inúmeros são os casos de insucesso em programas de controle da qualidade do leite pela ausência de linha de ordenha ou pela falta de treinamento de equipes para trabalharem dessa forma. Em outras palavras, os funcionários precisam estar conscientes e “afinados”. É necessário eleger um responsável ou responsáveis pela apartação e controle dos animais, no momento da ordenha. Uma vez estabelecida a linha ela é eterna. É mantida durante o tratamento e erradicação de agentes infecciosos e se mantém com protocolos de controle na rotina de fazendas. Toda vaca recém-partida deve ter seu leite analisado e este animal so! mente se mistura ao lote de animais sadios após liberação por diagnóstico laboratorial. Esse conjunto de processos pode parecer ser complicado. De fato, requer cuidados, mas é a única maneira de trabalharmos com índices de referência.

Iniciamos nosso programa de tratamento, somente quando temos certeza de que uma equipe está pronta para execução de um programa. Este tem sido o diferencial e razão de sucesso dos programas de controle realizados pela COWTECH. Após os primeiros tratamentos (depois de controle microbiológico), realizamos exames e controles adicionais como levantamento individual de CCS, para maior detalhamento e tomadas de decisão pontuais, sendo esta análise mais uma medida de controle de rotina nas propriedades que trabalhamos (relatórios gerenciais: excelentes se interpretados; absolutamente inúteis se não interpretados).

O controle da qualidade do leite é um processo dinâmico, com muitos detalhes para serem levantados e controlados. O uso de medicamentos eficientes é apenas uma etapa do processo. Infelizmente o foco é direcionado para a eficácia destes. Os protocolos de tratamento são importantes, mas exercem papel coadjuvante num programa de controle de mastite e qualidade do leite. Ao produtor e técnicos, cabe a obrigação de escolher boas empresas e laboratórios (fabricantes de medicamentos), mas é importante ficar claro que a responsabilidade sobre o correto uso dos mesmos recai sobre o produtor e profissional responsável pela implantação do programa de qualidade. Infelizmente, determinados produtos e empresas são comumente rotulados como ineficientes ou “caros” quando a realidade é bastante distinta. Caro não é o medicamento, mas sim a ausência de um “processo” ou controle eficiente, como a LINHA DE ORDENHA. Em nosso trabalho no campo, direcionamos 90% dos nossos esforços para que chamamos de: “controle de processos”, dentre os quais o ator-principal chama-se: EQUIPE DE TRABALHO. Ao capacitarmos uma equipe, tudo é possível e os resultados positivos sempre são alcançados. Em alguns casos mais rápidos. Outros mais lentos.

Para concluirmos nosso artigo, vamos colocar aqui uma questão muito comum quando nos deparamos com problemas de qualidade do leite: “Quais são os índices de referência para uma boa qualidade do leite em termos de CCS e CBT?” Em alguns casos a pergunta chega dessa forma: “É possível enquadrarmos nossa propriedade que está com índices tão ruins na IN62?”. A resposta, para todos os casos e sem exceção é: não só é possível enquadrarmos dentro da IN62 como é possível obtermos índices muito melhores! A razão dessa certeza não é a normativa, mas sim a necessidade de sermos profissionais e trabalharmos com sistemas rentáveis. Alguns ainda relutam e colocam um “Será?!”. A resposta é dada com outra pergunta: “Por que será que os sistemas mais rentáveis de produção de leite do país apresentam índices de referência em qualidade do leite?!"



FONTE RURALBAN.COM

terça-feira, 5 de maio de 2015

Gado Jersey - seleção, expansão e cosmopolitismo



No mundo, o gado Jersey tem sido criado puramente há mais tempo do que qualquer outra raça bovina.

Em 1763, foram decretadas leis que proibiam a entrada, na ilha de Jersey (o berço da raça), de qualquer animal vivo que pudesse transmitir doenças em animais da ilha. Até hoje, os animais que vão competir em exposições fora da ilha, lá são vendidos, por não poderem retornar à origem. Estas leis sacramentam a pureza da Raça.

Em 1833 foi criada a Royal Jersey Agricultural and Hoticultural Society e, em 1836, realizou-se a 1ª Exposição. Criou-se uma escala de pontos que, embora tenha sofrido algumas modificações, é a base da escala de pontos atual.

O mais importante evento em toda a história do Jersey foi, indubitavelmente, a criação do Jersey Herd Book em março de 1866, pois a partir da escala de pontos definindo o tipo, a própria Associação passou a incrementar a seleção da raça em termos da rusticidade, precocidade, prolificidade, facilidade de parição, longevidade e produção leiteira e manteigueira.

Numa ilha como a de Jersey, que tem entre seus pontos extremos apenas 14,5 km e 17,5 km (largura e comprimento, respectivamente) e que devido à sua pequena área, provavelmente nunca comportou mais do que 10.000 cabeças, não foi difícil atingir as metas de seleção. Curiosamente foi durante a ocupação nazista (entre junho de 1940 e maio de 1945) que os criadores da ilha foram obrigados a utilizar critérios severíssimos para a seleção. As tropas de ocupação, sempre que podiam, importavam carne bovina da Alemanha e da França (também ocupada) porém, nos últimos seis meses de ocupação, cerca de quarenta cabeças eram abatidas por semana. Os criadores, diante de tal circunstância, resolveram agir do seguinte modo: se tivesse chegado a vez do criador "A" ceder, por exemplo, cinco animais para os nazistas e este criador tivesse apenas animais excepcionais, e um criador "B" tivesse cinco animais de inferior qualidade, o criador "B" teria seus animais abatidos e o criador "A" cederia os seus para o "B".

A raça Jersey, devido às suas características, teve fácil expansão no mundo.

Em 1850 chegaram os primeiros Jerseys nos Estados Unidos, e dezoito anos depois foi fundado o American Jersey Cattle Club, que atualmente registra aproximadamente 50.000 cabeças por ano.

Na última década, a raça Jersey recuperou algum espaço perdido nos Estados Unidos, quando o leite passou a ser melhor remunerado pela porcentagem de gordura, minerais e proteínas nele contidas. O Herd Book canadense teve início em 1901 e em 1906 foi fundado o South African Society's Book. Em 1986, a Dinamarca importou os seus primeiros Jerseys e, hoje em dia, a seleção dinamarquesa é reconhecida por ter uma das mais altas produções de gordura do mundo.

No Brasil, o Jersey foi introduzido no início do século, vindo o primeiro lote da Granja de Windsor pertencente a rainha Vitória da Inglaterra em 1896, para o Rio Grande do Sul pelo grande pecuarista J.F.de Assis Brasil, que formou seu primeiro criatório na Granja de Pedras Altas (RS), sobre o afixo itaevaté (Pedra Altas em tupi-guarani) de onde saíram os tourinhos que passaram a ser usados em cruzamentos com as vacas crioulas de diversas regiões gaúchas, formando o grande rebanho de vacas mestiças e puras por cruzamento, hoje existentes por todo o Brasil.

O primeiro Herd Book da raça no país, foi o de Pedras Altas. Posteriormente, face à expansão territorial da raça no Rio Grande do Sul, esta tarefa foi executada pela Secretaria da Agricultura. Em 1954 estes livros foram transferidos para a Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil, fundada em 1938 no Rio de Janeiro.

A raça Jersey está, há mais de 100 anos, fazendo história no Brasil, os trabalhos pelo melhoramento genético, a procura de alternativas de manejo, e as políticas de fomento, foram co-responsáveis, aliadas as qualidades da raça, pela implantação definitiva da Jersey no Brasil e pelo padrão dos animais aqui encontrados.

Algumas atitudes foram decisivas para esse sucesso, como a inauguração da I Exposição Nacional da Raça, que possibilitou uma série de mostras anuais, com a participação de animais provenientes de vários estados brasileiros, bem como os convênios assinados, ainda na década de 70, com 13 Secretarias Estaduais de Agricultura para a viabilização de um Plano Nacional de Distribuição de Tourinhos, visando a introdução e a consolidação da genética Jersey nos rebanhos leiteiros de praticamente todo o país. Essas medidas, foram significativas para o fomento da raça.

Outras, como a atualização do estatuto da A.C.G.J.B., datado de 1.934, a criação da Expomilk em conjunto com as outras raças leiteiras, e o incentivo para os criadores fundarem seus núcleos e filiadas partiram da diretoria da A.C.G.J.B. em 1.991 e também foram importantes para promover e posicionar a raça sobre um padrão de qualidade mundial, tendo o Brasil hoje o melhor banco genético do mundo.

Hoje estamos na XVIII Exposição Nacional da Raça Jersey, e temos 45 Exposições Ranqueadas em todo território nacional. Contamos com 1.718 associados ativos, 6 Filiadas e 34 Núcleos espalhados por todo território nacional. Possuindo um rebanho de 135.115 animais ativos.



O QUE ESPERAR DE UMA JERSEY?

PRECOCIDADE

A novilha Jersey tem seu primeiro parto mais cedo do que qualquer outra raça sendo assim seu custo de produção até a 1a. parição menor em comparação com outras raças. Isso significa mais lucro para o criador, recuperando-se o desempenho em menor tempo: exemplo temos uma vaca que aos dois anos produziu 9.993 kg de leite e 448 kg de gordura.

VINTE ANOS PRODUZINDO - LONGEVIDADE

Começa a produzir no segundo ano e continua sua vida reprodutiva até os 20 anos, atingindo o máximo de rendimento dos 10 aos 12 anos. Isso significa que o rendimento do investimento é mais longo. Exemplo:

SUNNY KING BERNA - produziu 111.255 kg de leite e 6.646 kg de gordura durante sua vida. Recorde mundial de produção de gordura em todas as raças.

BASIL LUCY MINNIE PANSY - produziu 126.857 kg de leite e 6.150 kg de gordura durante sua vida de mais de 21 anos. A média de produção durante seus 5.667 dias de lactação, foi de 22,4 kg de leite e 1,1 kg de gordura ao dia. Isto significa que o rendimento do investimento dura mais tempo.

ADAPTABILIDADE

A vaca Jersey não tem barreiras nem climáticas, nem geográficas, ela tem prosperado em todos os climas e condições.

Sua tolerância frente ao calor e ao frio, assim como a facilidade no que concerne a concepção e ao parto faz com que seja perfeitamente adaptável as mais variadas condições climáticas.

SEU PESO EM LEITE OU EFICIÊNCIA

A raça Jersey produz uma única lactação de 10 a 12 vezes seu peso em leite. Temos exemplos de vacas que produziram até 32,6 vezes seu próprio peso em leite. Isto é eficiência.

RENTABILIDADE

Segundo o New York and Northeast Dairy Herd Improvement Program Sumary, editado em 1.986 o rendimento líquido das vacas Jersey sobre as outras raças, no que se refere a custos dos alimentos é 14,18% em favor da vaca Jersey. Essa economia é que deu enorme vantagem ao crescimento da raça no mundo inteiro com destaque atualmente nos Estados Unidos.

PRODUÇÃO ECONÔMICA

Devido ao fato da vaca Jersey apresentar uma alta eficiência de conversão alimentar, sua produção é econômica. Por sua condição genética selecionada por milênios é a que mais produz leite nas pequenas e médias propriedades. A vaca Jersey é uma "máquina" que produz grande quantidade de leite com pouca exigência em sua manutenção. O futuro pertence ao JERSEY.

Exemplo: Recordista Sul Americana

CACIANA KNIGHT CABREÚVA DO PARATEÍ - aos 4 anos produziu 15.142 kg de leite.

Exemplo: Recordista Mundial

HASES BABES LAD CHARO - aos 5 anos produziu em 365 dias 17.938 kg de leite - 783 kg de gordura - 640 kg de proteína.

QUALIDADE DO LEITE

Leite Jersey contém maior teor de sólidos não gordurosos (proteína, lactose, vitaminas e minerais) e gordura do que qualquer outra raça leiteira. O leite Jersey contém 20% mais de proteína e 15% mais de cálcio. Os sólidos adicionais encontrados no leite Jersey proporciona mais nutrição e sabor sendo preferidos nos Estados Unidos e Canadá devido ao paladar. O leite Jersey tem teor de proteína mais elevado que todos os outros leites significando maior lucro na venda de leite para os proprietários da vaca Jersey.

Exemplo: Recordista Sul Americana

CACIANA KNIGHT CABREÚVA DO PARATEÍ - aos 4 anos produziu 15.142 kg de leite.

Exemplo: Recordista Mundial

HASES BABES LAD CHARO - aos 5 anos produziu em 365 dias 17.938 kg de leite - 783 kg de gordura - 640 kg de proteína.


FONTE: Dicas da Ruralban 398 - Gado Jersey‏

domingo, 5 de abril de 2015

Artigo: Tristeza Parasitária Bovina (TPB)



Autor

Sandro César Salvador

Médico Veterinário (UFMS). Mestre em Ciência Animal (UFPel). Doutor em Zootecnia (UFLA). Professor de Clínica Médica de Grandes Animais e Toxicologia. Departamento de Medicina Veterinária Universidade Federal de Lavras.




Chama-se tristeza parasitária bovina o complexo de duas enfermidades causadas por agentes diferentes, porém com sinais clínicos e epidemiologia semelhantes: babesiose e anaplasmose.

No Brasil, a babesiose bovina é causada pelos protozoários Babesia bovis e Babesia bigemina e a anaplasmose pela rickéttsiaAnaplasma marginale.

São parasitas que vivem e se reproduzem dentro das células vermelhas do sangue (hemácias) e que destroem as mesmas a cada ciclo de multiplicação e, por isso, causam anemia intensa nos animais afetados.

Os agentes da TPB são transmitidos principalmente pelo carrapato do bovino (Ripicephalus microplus). O Anaplasma marginale pode, ainda, ser transmitido mecanicamente por insetos hematófagos, como mutucas, moscas e mosquitos, ou por instrumentos (faca, agulha) durante a castração ou vacinação.

Geralmente as bezerras têm imunidade colostral, ou seja, estão protegidos pelo leite de colostro da vaca, durante os primeiros meses de idade. Depois disso podem ficar doentes ao entrar em contato com os carrapatos. Porém animais mais jovens podem adoecer por falhas na colostragem ou devido a queda dos níveis sanguíneos de anticorpos provenientes do leite da mãe, devido a outros fatores.

Sinais Clínicos

Os sinais clínicos na anaplasmose e na babesiose por Babesia bigemina são apatia, anorexia, emagrecimento, pelos arrepiados, coração acelerado, respiração acelerada (batedeira), ausência de ruminação, quebra de leite (se for vaca), anemia (mucosa branca do olho, da boca, da vulva, mais freqüente na babesiose), icterícia (amarelado, mais freqüente na anaplasmose). A temperatura é frequentemente maior que 410 C.

A infecção por Babesia bovis pode causar uma quadro conhecido como babesiose cerebral ou nervosa, devido ao entupimento dos capilares cerebrais.

Prevenção

A quimioprofilaxia é a prática na qual se utiliza um medicamento habitualmente empregado para o tratamento da tristeza parasitária como uma forma de se “prevenir” a doença. O medicamento eleito deve ter sua atividade conhecida e específica contra o agente que se deseja controlar (anaplasma, babesia ou ambos). O objetivo desta prática é evitar o surgimento de níveis elevados de parasitemia, mantendo o agente em níveis subclínicos. Vários autores destacam que a quimioprofilaxia exige conhecimento da epidemiologia dos agentes, sendo essencial que os animais sejam expostos aos agentes durante o período profilático para que ocorra infecção natural e desenvolvimento de imunidade. Haverá um ponto em que os níveis plasmáticos da droga serão suficientemente baixos para permitir que ocorra infecção, porém ainda elevados o suficiente para prevenir infecção aguda fatal.

O período médio de incubação (tempo decorrido entre a exposição ao organismo patogênico e a manifestação dos primeiros sintomas da doença) da Babesia é em torno de 07 dias e do Anaplasmaem torno de 28 dias. Esses dados são importantes no momento de se decidir pelas dosagens a serem utilizadas nos esquemas quimioprofiláticos. Se pensarmos em fazendas onde haja problema misto, ou seja, infecção por Babesia e Anaplasma, temos que recomendar duas doses de Diazenintervaladas de 25 dias, sendo que a primeira deve ser de 1ml/100Kg/SC (dose efetiva contra babesiose) e a segunda de 1ml/40Kg/SC (dose efetiva contra anaplasmose).

Tratamento

Para se instituir um tratamento adequado contra a Tristeza Parasitária Bovina torna-se necessário a observação de alguns pontos:


Diagnóstico precoce da doença – os animais devem ser avaliados constantemente e ao verificar um animal doente, os demais devem ser examinados de maneira mais criteriosa;


Instituir o tratamento o mais rápido possível e de forma correta – ter um protocolo adequado de tratamento e pessoal treinado para realizá-lo de forma correta;


Atentar ao peso do animal – sempre que possível pese o animal antes de tratar para que se evite a subdosagem ou a superdosagem;


Seguir as indicações de bula no que diz respeito à dosagem dos medicamentos e vias de aplicação;


Instituir tratamento de suporte para recuperação mais rápida dos animais – hidratação oral, protetores hepáticos e complexos vitamínicos.

O tratamento é feito com drogas de efeito babesicida (derivados de diamidina), anaplasmicida (tetraciclinas), ou de ação dupla (associação de diamidina com tetraciclina ou imidocarb).

O Protocolo Vallée para tratamento do Complexo da Tristeza Parasitária Bovina requer a associação do Diminazine B12 com o Oxitrat LA Plus ou o tratamento com o Diazen. ODiminazine B12 (babesicida, derivado de diamidina) deve ser usado na dose de 1ml/10 kg de peso vivo, por via intramuscular. Geralmente uma dose é suficiente para o controle da infecção porBabesia bigemina, mas nos casos de infecção por Babesia bovis pode ser necessário 2 a 3 aplicações, com intervalo de 24 horas (FARIAS, 1995). Já o Oxitrat LA Plus (tetraciclina de longa ação) deve ser aplicado por via intramuscular, sendo utilizado em dose única de 20mg/kg (1ml/10Kg de peso vivo), podendo ser reaplicado após 2 a 3 dias, em casos de recuperação mais lenta ou casos mais graves.

No caso do Diazen (imidocarb) a dose recomendada é de 1ml /40Kg de peso vivo por via subcutânea, em dose única.

Como tratamento de suporte recomenda-se a aplicação do Hepatoxan, devido à sobrecarga hepática, causada pelo excesso de hemoglobina a ser metabolizada. Esta sobrecarga será minimizada pela presença da metionina e da colina que são hepatoprotetores. Além disso,Hepatoxan contém em sua formulação a Nicotinamida, a Tiamina e a Piridoxina que são, juntamente com a Vitamina B12 do Diminazine B12, responsáveis pela velocidade de formação das hemácias o que faz com que os animais se recuperem mais rápido do estado anêmico, e contém também a cafeína, que com sua atuação direta no SNC auxilia o animal a sair do estado apático em que o mesmo se encontra, levando a recuperação mais rápida . A dose utilizada varia segundo o porte do animal a ser tratado.

Em síntese, o sucesso de um tratamento depende de realizar-se um diagnóstico precoce, eliminar o agente, dar condições ao fígado de reação e manter o animal sob condições favoráveis, com mínimo de movimentação, sombra, água e alimentos de boa qualidade à disposição (FARIAS, 1995).

domingo, 29 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

O cavalo árabe




A criação de cavalos, nos dias de hoje, não possui a mesma finalidade dos tempos pré-automobilísticos. Hoje, a criação de cavalos tem um apelo sentimental, uma força que transcende apenas sua utilização em corridas, em passeios ou para locomoção em áreas rurais. É algo que está dentro da alma humana, conviver e se integrar com esse maravilhoso animal, considerado um dos mais imponentes sobre a face da terra.

O Cavalo Árabe, também conhecido como um animal guerreiro, desperta grandes paixões em seus criadores e em todos que possam ter o privilégio de montá-lo ou mesmo de ter um contato direto. É um animal imponente, de porte nobre e que une os mais diferentes criadores e admiradores, por todo o mundo. Apesar de ser um cavalo de guerra, sua maior proeza foi a de continuar puro por tantas gerações, trazendo do passado o espírito de seus ancestrais e dos homens que fizeram história, montando e criando esses belos animais.

Nos dias de hoje, a criação do Cavalo Árabe e considerada uma verdadeira indústria, que movimenta bilhões de dólares em todo mundo. Sua criação não conhece fronteiras, classe social, idiomas ou política e faz dessa atividade, muitas vezes, a única coisa em comum entre inimigos mortais.

Com o passar dos séculos, e principalmente nos dias de hoje, a criação do Cavalo Árabe se tornou um símbolo de status e poder dos criadores, que fazem com que seus cavalos fiquem sob a luz dos holofotes em multimilionários leilões, que acontecem centenas de vezes por ano, no mundo inteiro. A paixão que esses cavalos despertam em seus criadores é inigualável, fazendo com que sua criação tenha se tornado uma atividade altamente profissional e técnica, onde são empregadas as mais modernas tecnologias da área veterinária e da genética, visando um constante aperfeiçoamento dos animais, sem que isso descaracterize a raça.

O Cavalo Árabe tem sido criado, principalmente, na Europa, nos Estados Unidos, no Oriente Médio e Norte da África e na América do Sul. O Brasil possui um grande número de criadores, tornando o país, um dos mais importantes no panorama mundial da raça. Grandes empresários e grupos econômicos de peso fazem parte deste lucrativo e imponente negócio que pode render milhões de dólares em apenas um leilão.

FONTE: Enviado por Ruralban

quinta-feira, 5 de março de 2015

O tipo bovino é importante na produção

O termo ou palavra "tipo", embora possa ter outros significados em criações e zootecnia, a tomaremos agora sob um aspecto mais prático e econômico, ou seja, em torno da qual se reúnem os indivíduos, de acordo com as suas aptidões ou produção.



Os bovinos podem assim ser classificados em 4 grupos ou tipos, que são os seguintes:

1º - tipo para carne ou corte;

2º - tipo leiteiro;

3º - tipo misto ou para a produção de carne e leite;

4º - tipo comum. 

Os três primeiros são tipos aperfeiçoados ou especializados, sendo todos eles precoces. Quanto ao 4º ou comum, é um tipo sem características definidas para qualquer uma das produções e, além disso, é tardio. 

Portanto, um criador, ao pretender explorar bovinos, deve, antes de tudo, ter em mente o que pretende produzir: carne, leite ou ambos os produtos, para então escolher o tipo adequado à produção desejada. 

É preciso levar em conta não só o tipo de gado para determinada produção, mas também outros fatores. Entre eles podem ser citados: as possibilidades e exigências do mercado, o clima, as condições de alimentação, o sistema de criação, as instalações existentes e também, a prática e a competência do criador. 

É preciso que todos esses fatores sejam levados em consideração porque, quanto mais aperfeiçoada e especializada a raça ou tipo, mais exigente será em relação ao clima, à alimentação, etc. Por esse motivo requer, não só maiores cuidados, mas também maiores conhecimentos e prática do criador. 

Ao escolher a raça ou tipo de bovino para criar, é aconselhável que o principiante aproveite a experiência dos seus vizinhos ou a orientação de um técnico, pois isso já lhe dá uma grande vantagem para obter o sucesso. 

Gado de corte

Os animais para a produção de carne apresentam uma boa conformação, têm o corpo cilíndrico, são precoces e de um bom desenvolvimento, tendo ainda um esqueleto fino e resistente.São exigentes quanto à alimentação, mas aproveitam bem as forragens que lhes são fornecidas. 

Como a especialização e aperfeiçoamento diminuem a rusticidade, os animais das raças aperfeiçoadas são mais "fracos" e portanto menos resistentes às doenças e aos parasitas, tanto internos quanto externos. Entre as raças de corte, podemos citar a Hareford, Durhan e a Charoleza. 

Gado leiteiro

Quanto aos animais do tipo leiteiro, possuem formas angulosas, peito mais estreito e cornelha aguda, pescoço fino, costelas bem arqueadas, são pouco "barrigudos" e possuem o "trem traseiro" mais desenvolvido do que o dianteiro. Possuem, ainda, o que se chama de corpo "em forma de cunha", o que pode ser observado principalmente nas vacas quando estão dando leite. 

O gado leiteiro é ainda mais exigente quanto à alimentação e o manejo do que o gado de corte. Além disso, é também menos resistente às doenças do que eles. Como raças leiteiras, podem ser citadas, entre outras, as holandesas, jersey, guernsey, flamenga, etc. 

Gado misto

Já o tipo misto, tanto produz carne de qualidade e em quantidades satisfatórias, como também leite em abundância, embora nenhum desses produtos seja produzido, por elas, nas mesmas quantidades das raças especializadas, ou seja dos tipos para carne ou para a produção leiteira. 

Quando no gado misto aparece alguma vaca de grande produção leiteira, isso concorre para que ela seja má produtora de carne, pois uma produção vem sempre em prejuízo da outra. Como principais raças mistas, existem as raças Schwitz, simental e normanda. 

Gado comum
 
Quanto ao gado ou tipo comum, sua principal característica é a sua grande rusticidade e notável adaptação ao meio ambiente, além de maior resistência às doenças e parasitas. Devido a essa característica, dão bons animais de serviço. 

Os bovinos desse tipo apresentam, porém, como inconveniente a sua conformação defeituosa e a falta de precocidade, bem como a baixa produção de leite ou rendimento de carne. Além disso, tratando-se de animais muito tardios, iniciam sua produção com muito mais idade do que as raças aperfeiçoadas. 

Basta citar que, nas raças aperfeiçoadas e especializadas para a produção de carne, os novilhos, de um ano e meio em diante, já podem ir para o corte, enquanto que nas raças comuns, somente com 4 a 5 anos estarão em condições de abate. 

O mesmo acontece com as raças aperfeiçoadas especializadas para a produção de leite, pois já antes dos dois anos as novilhas podem ser enxertadas e portanto, antes dos três anos já estão produzindo leite, enquanto que as das raças comuns só entram em lactação depois dos 4 anos. 

Esse tipo de gado pertence às raças nacionais e também é conhecido como "pé duro". Portanto, o criador deve criar raças aperfeiçoadas, puros, quando possível ou então mestiços dessas mesmas raças. 

Se o seu gado for comum, o melhor é introduzir um bom touro de raça aperfeiçoada, pois é essa a maneira mais simples e barata para melhorar a qualidade do rebanho e aumentar a produção.

FONTE: Enviada por Ruralban

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

39º Congresso da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil 2015



INSCREVA-SE JÁ para garantir a sua vaga, falta menos de um mês.
Foz do Iguaçu, 12-15 de Março, 2015.
Uma chance IMPERDÍVEL de participar em palestras e minicursos de especialistas do mundo todo.
50 Palestrantes do Brasil, EUA, Dinamarca, Reino Unido, México, Colômbia e Argentina.
Palestrantes:
Diretor Executivo, Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (WAZA)
Presidente, Associação Latinoamericana de Zoológicos e Aquários (ALPZA)
Vice-Presidente, Associação de Zoológicos e Aquários do México (AZCARM)
Diretora, Amphibian Ark
Grupo Especialista em Reprodução Para Conservação, (CBSG) Europa
Grupo Especialista em Reprodução Para Conservação, (CBSG) EUA
Grupo Especialista em Reprodução Para Conservação, (CBSG), América Latina
Wild Welfare
International Elephant Foundation
SAVE Brasil
CBEE
Eto Consultoria Comportamental e Bem-Estar Animal
ISIS
IPÊ
Associação Mata Ciliar
USP
Uniderp
Zoo Cali
Zoo Minnesota
Zoo Temaiken
Zoo Cincinnati
Zoo de Sorocaba
Zoo de São Paulo
Zoo de João Pessoa
Aquário de Campo Grande
Parque das Aves
Itaipu Binacional/Refúgio Biológico
Projeto Tatu-Canastra
Projeto Papagaio-verdadeiro
Projeto Papagaio-de-cara-roxa
Projeto Papagaio-de-peito-roxo
Projeto Charão
Projeto Papagaio verdadeiro
Projeto Lobo-Guará
Projeto Carnívoros do Iguaçu
... e muito mais.
Vamos juntos?
Confira a programação e inscreve-se:
www.congressoszb.com.br

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Conheça os sinais da comunicação dos cavalos




Os cavalos mostram três linguagens corporais distintas: o movimento de repressão, o empurrão e a apresentação da traseira. No movimento de repressão, utilizado por animais corajosos e dominadores, o cavalo coloca o corpo na frente do outro animal, impedindo-o de avançar. O empurrão com o ombro é a forma mais violenta de dominação e a apresentação da traseira ocorre quando o cavalo demonstra que vai escoicear. Um corpo flexível, cheio de movimentos, que simplesmente explora todas as suas possibilidades, demonstra muita alegria. Isso ocorre quando os animais estão encocheirados ou soltos. 

O cavalo se comunica usando oito sons principais. O mais conhecido é o relincho, que é um som longo, alto e agudo, usado para chamar a atenção sobre algo ou de alguém. O resfôlego é um som que se origina através da saída bruta de ar pelas narinas, que trepidam. É uma forma de limpar as vias respiratórias, aumentando a oxigenação. É o som que traz consigo curiosidade e medo ao mesmo tempo, quando vê algo novo. Muitas vezes é usado para alertar os outros animais da novidade. O guincho é um som emitido com a boca fechada, sendo baixo e freqüente em encontros não muito "românticos" entre éguas e garanhões. É dado em sinal de defesa, do tipo "cai fora".

O ronco, um som grave, curto e descontínuo, pode ser de cumprimento, namoro ou maternal. Quase sempre está ligado ao reconhecimento, a um sinal leve de excitação, ou porque viu um cavalo amigo, uma pessoa querida, um alimento, uma égua ou o filho (potro). O ronco de namoro é o mais excitante, pois é acompanhado do bater dos cascos e o movimento da cabeça, pescoço e cauda. Muitos cavalos reagem dessa forma na aproximação de seus donos. O urgido é um som agudo, comum entre os cavalos selvagens e ocorre em estados emocionais intensos. Semelhante ao resfôlego, mas sem trepidação, o sopro é um som mais suave e com uma mensagem menos tensa, significando apenas um "Hum! O que é isso?!". E ainda temos o suspiro, com a saída longa de ar pelas narinas, onde o animal demonstra um certo tédio, mal estar digestivo ou até mesmo angústia. 

Um dos sinais de comunicação mais utilizados e mais fácil de ser observado é o transmitido pelas orelhas. Elas mostram sempre aonde está direcionada a atenção do cavalo. Conforme a posição das orelhas, o cavalo mostra o seu ânimo e a sua atenção. Por exemplo: inclinação aguda para frente indica tensão, curiosidade ou boa intenção; caídas para o lado significam aborrecimento ou cansaço; abaixadas e voltadas para trás indicam animosidade ou agressão.

Os cavalos também usam combinações dessas posições, além de posições intermediárias que, por enquanto, só eles mesmo entendem o significado. Entretanto, sabemos que orelhas em pé e voltadas para trás denotam a presença de um dominador, que geralmente é o treinador ou o cavaleiro e indicam submissão, obediência, um indício de que a voz de comando foi utilizada para o adestramento como uma "ajuda". 

A cabeça mostra, através de movimentos pendulares, que existe alguma insatisfação, uma vontade de sair da situação em que está. Quando montados, demonstra desagrado com a embocadura ou com o exercício imposto. Mas, muitas vezes, o movimento com a cabeça serve apenas para aumentar o campo de visão do animal ou para chamar a atenção de alguém. A investida ou empurrão com a cabeça é também uma forma de atrair a atenção ou talvez a demonstração de não gostar de alguma coisa que está vendo ou sentindo. 

As pernas não servem somente para dar movimento e estrutura, também possuem a sua linguagem. Escavar o chão com as patas mostra o desejo de achar algum alimento ou de estar pedindo-o ao seu dono. Serve também de reconhecimento e como desejo claro de continuar com algum movimento, mostrando algum tipo de frustração. Levantar a pata dianteira é ameaça, pois dá início ao coice frontal, enquanto que levantar a perna traseira é um ato defensivo, anterior ao coice. O coice é uma forma de proteção, agressão, dominância e força, enquanto bater e pisar são maneiras como o cavalo demonstra que é o chefe, é uma forma de protesto. 

A face do animal também transmite sinais, através da boca, dos olhos e das narinas. O ato de abocanhar, onde o animal puxa o canto da boca, abrindo-a e fechando-a como se fosse morder, mostra o lado brincalhão, querendo dizer "olha, eu estou aqui e sei ser simpático!". Quando os cavalos possuem o hábito de mordiscar uns aos outros (pêlo e crina), pode ser a representação de cordialidade entre eles, a maneira que encontraram de demonstrar "amizade". Abrir os lábios e não morder, também é uma brincadeira, mas a mordida é uma forma de defesa. A boca contraída mostra angústia e dor, enquanto os lábios caídos mostram relaxamento. 

Os olhos demonstram medo, excitação, curiosidade, dor e interesse, assim como as narinas podem dilatar em estado de excitação, esforço ou emoção intensa. Prestando atenção no comportamento de pastejo do cavalo, veremos que, praticamente, não se modifica quando anoitece, o que revela uma capacidade de visão noturna relativamente boa. 

Os cavalos utilizam-se de vários recursos para se comunicarem através de seus próprios corpos ou com a emissão de sons, cabendo a nós conhecer e observar esses sinais de comunicação para que se possa chegar ao convívio mais completo. O cavalo faz sua parte de maneira natural e espontânea, expressando o que sente, avisando com antecedência do que gosta e do que não gosta, deixando clara sua posição de submissão e obediência, da mesma forma que alerta sobre sua postura de líder em determinadas situações. Será que estamos atentos a isso e correspondendo com a mesma franqueza aos sinais de comunicação. Bom, se ficou alguma dúvida no ar, chame seu cavalo e tenha uma longa conversa com ele!

FONTE: enviado por Ruralban

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Aprenda a fazer uma ordenha de cabras manual

A Embrapa desenvolveu o Kit de Ordenha Manual para Caprinos, uma tecnologia social que contribui para o desenvolvimento sustentável da caprinocultura leiteira de base familiar nas diferentes regiões do país. 



A correta utilização favorece a obtenção higiênica do leite, por meio da redução de micro-organismos com consequente controle da mastite/mamite (inflamação da glândula mamária) nos rebanhos.
Segundo a Embrapa, o Kit pode ser montado pelo próprio produtor e é composto por peças e utensílios facilmente encontrados no mercado.
• 1 balde plástico de 8 litros para armazenamento de água clorada
• 1 filtro para coar o leite (nylon, alumínio, aço inoxidável ou plástico atóxico)
• 1 adaptador para caixa de água de œ polegada
• 1 copo graduado para medir o detergente em pó
• 1 caneca de fundo escuro ou telada
• mangueira de borracha (5 metros)
• 1 adaptador de pressão de œ polegada
• 1 registro esfera de œ polegada
• 1 esguicho de jardim de œ polegada
• detergente alcalino em pó
• papel toalha descartável
• 1 par de luvas de borracha
• 1 caneca para ordenha
• 1 veda-rosca/teflon
• 1 seringa de 20 mL
• cloro comercial
• escova ou bucha

Para a realização de uma ordenha higiênica, os cuidados abaixo deverão ser observados:
• Condução dos animais para a sala de ordenha de forma tranquila.
• Adoção de uma linha de ordenha, para que as cabras sadias, que nunca tiveram mastite/mamite (inflamação da glândula mamária) sejam ordenhadas primeiro.
• Lavagem das mãos do ordenhador.
• Realização do teste da caneca telada ou de fundo escuro, para a retirada dos primeiros jatos de leite e detecção de cabras com mastite/mamite clínica, por meio da observação do leite, verificando se possui anormalidades como grumos, pus ou sangue.
• Lavagem dos tetos com água clorada.
• Secagem de cada teto com papel toalha absorvente e descartável. Não é recomendado a utilização de panos.
• Realização da ordenha com movimentos lentos e organizados para ajudar o estímulo e a descida do leite.
• Após a ordenha, imergir os tetos em solução antisséptica glicerinada (solução de iodo a 0,5% com glicerina).
• Manutenção das cabras de pé após a ordenha.
• Filtração do leite em coador apropriado.
• Resfriamento do leite em temperatura igual ou inferior a 4°C, logo após o término da ordenha.
• Atenção: O leite de cabras que estão com mastite ou em tratamento não poderá ser aproveitado. Esse leite deverá ser descartado.
• Lavagem e higienização da sala de ordenha, utensílios e equipamentos com a solução detergente de limpeza e água corrente.
• Para o preparo da solução de limpeza coloque 20 gramas de detergente alcalino em pó (conforme o copo de medida graduado) em uma garrafa PET de dois litros, contendo 1 litro de água de boa qualidade. Agite a garrafa até dissolver bem todo o detergente e em seguida complete a garrafa com água até encher. Utilize luvas para realizar a limpeza dos utensílios que entram em contato com o leite.

FONTE: Canal Rural

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Dez mitos no uso do sal mineral para bovinos

Uma técnica usada há décadas na pecuária de corte brasileira é a mineralização do rebanho. Apesar disso, parece que algumas informações distorcidas ainda prevalecem no meio. O objetivo da lista abaixo é, ao esclarecê-las, contribuir para o melhor uso da técnica. São dez pontos que elencamos como “mitos”, ou seja, algo “que não tem existência real ou passível de ser provada”, conforme uma das definições do dicionário “Caudas Aulete”. Vamos a eles:
Mito 1: “Sal mineral é tudo igual!” – Um sal mineral é uma mistura de vários elementos, óxidos e sais à disposição no mercado. Comprá-los e misturá-los é algo dentro das possibilidades de quase qualquer terráqueo. Mas, então, por que isso é mito? O que pode diferenciar um sal mineral de outro? O primeiro ponto seria a formulação do sal (as quantidades de cada matéria prima visando determinadas concentrações finais dos nutrientes no produto). Um produto mal formulado, isto é com níveis de garantia furados e consumo mal planejado, não será eficaz. Assim, mesmo que o animal o consuma, não será atingido o objetivo de atender suas exigências minerais. Outra questão ainda muito mais comprometedora é que existem inúmeras armadilhas no mercado em termos de matéria-prima. Ainda que algumas delas possam ser evitadas com uma análise de laboratório, outras podem ter um  laudo perfeito do laboratório, mas o nutriente não ser assimilável (não ser biodisponível, no jargão técnico). Outros diferencias seriam: qualidade da mistura, fontes mais nobres de matéria-prima, tipo de apresentação (granulado, floculado,,,), resistência ao empedramento e algo que tem feito muita diferença: apoio técnico da empresa ao produtor.
Mito 2: “O animal sabe que mineral precisa!” – Esse é um dos mitos mais difusos e duradouros. Já foi amplamente comprovado por pesquisas que o animal voluntariamente não seleciona minerais dos quais esteja deficiente. Exatamente por isso que precisamos colocar todos juntos, de maneira bem formulada para que eles os consumam. Como o sódio é o único mineral que efetivamente o animal mostra desejo em consumir, o cloreto de sódio virou o veículo ideal para ajudar nesta tarefa (Ver Mito 5).
Mito 3: “O mineral que importa no sal, mesmo, é o fósforo” – Segundo um extenso levantamento realizado pela Embrapa Gado de Corte, 100% das forrageiras analisadas teriam valores muito baixo de sódio (< 0,1% da matéria seca), que predisporiam deficiência. Nesta mesma pesquisa, o fósforo ficou em quarto lugar, com 72% das amostras abaixo de 0,12% da matéria seca. Zinco, com 96% das amostras menor do que 20 ppm (2º lugar), cobre com 82% menor que 4 ppm (3º lugar) e Cálcio com 38% menor que 0,2% da matéria seca (5º lugar), completam a lista. Não foram avaliados nesta pesquisa Cobalto, Iodo e Selênio, todos com histórico de deficiência e resposta a suplementação no Brasil. Fica claro, então, que o fósforo não é o único mineral que devemos nos preocupar. Como todos podem limitar a produção, devemos nos preocupar com cada um deles, bem como nos preocupar que estejam balanceados, sem grandes excessos que possam predispor a problemas de absorção (um mineral em excesso, prejudicando a absorção de outro).
Mito 4: “Quanto maior a concentração em minerais, melhor é o sal! Esse é o critério que eu uso na compra!” – Ao comparar dois produtos é comum o produtor optar por aquele que tenha valores de níveis de garantia dos nutrientes mais altos. A lógica seria que, se eles têm maiores concentrações, o animal vai ter mais desse mineral a disposição. O que “fura” essa lógica é o consumo! Se o sal tem 90 gramas de fósforo por quilograma do produto isso apenas significa qual a concentração dele e não quanto está à disposição do animal, o que vai depender da quantia que ele ingere desse sal mineral. Assim, se esse sal tem um consumo de 60 gramas/cabeça.dia, o consumo de fósforo pelo animal é de 5,4 g/cabeça.dia. Um sal com 88 de fósforo por quilograma do produto, mas com consumo de 70 gramas/cabeça.dia, suprirá com 6,16 gramas de fósforo por dia ao animal, quase 1 g a mais do que o de 90. Portanto, lembre-se: o animal não come concentração, ele come o sal!
Mito 5: “Só o sódio basta para acertar o consumo” -  Esse é um mito que todo nutricionista gostaria de acreditar, pois a única forma de formular o sal é considerar que isso é verdade. Enfim, precisamos de uma referência e a melhor que temos é o teor de sódio. Esta referência até funciona bem, no sentido que ao fazermos a média de muito dados de consumo, há uma convergência para que o valor obtido se aproxime daquele que atende as exigências de sódio. Assim, para estimar a o consumo de um mineral bastar identificar qual o consumo necessário para atender as exigências de sódio. Por exemplo, considerando como 10 g de Sódio a exigência de uma unidade animal (um animal com 450 kg), se o sal fornecido a ele tem 200 g de sódio por quilograma do produto, o consumo esperado deste produto é de 50 gramas/cabeça.dia, O cálculo é uma “regra de três”: Se em 1 kg do produto temos 200 g, quantos quilos do produto preciso para ter esses 10 g ou, simplesmente, 10 g/cab.dia dividido por 200 g Sódio/kg produto  = 0,05 kg produto.
Mito 6: “Regulando o consumo pelo teor de sódio, não há necessidade de monitorar o consumo” – O problema dos nutricionistas precisarem tanto desta referência é que ele passa, muitas vezes, a ser tido como uma referência absoluta. A realidade nos mostra que o consumo de minerais é muito variável e que essa variabilidade é pouco previsível. O que esta realidade nos impõe é monitorarmos o consumo, de preferência, de piquete à piquete e, na pior das hipóteses ter a média da fazenda no ano. (neste link há um exemplo deste cálculo:http://sites.beefpoint.com.br/sergioraposo/2013/12/26/cinco-dicas-basicas-para-ter-uma-producao-melhor-em-2014/)
Mito 7: “As empresas usam palatabilizantes para aumentar consumo” – O consumo de minerais interessa, sim, às empresas, pois quanto maior for o consumo, maiores serão suas vendas. Todavia, não há pior propaganda para uma empresa do que ela ter sais minerais com fama de alto consumo, pois isso é um fator altamente desestimulante para os compradores. Aliás, nunca há reclamação por consumo abaixo do valor recomendado, apenas quando ele fica acima. Ocorre que o maior prejuízo ao pecuarista, em geral, ocorre por não aproveitar todo o benefício de “zerar” as deficiências minerais. Dessa forma, é interessante que algum palatabilizante seja utilizado na formulação. Adicionalmente, resultados de pequisa mostram que ele ajuda a uniformizar o consumo, o que é muito desejável. (Mais informações sobre consumo uniforme do lote no texto: http://sites.beefpoint.com.br/sergioraposo/2013/09/17/mineralizacao-de-animais-em-pastagem-assunto-encerrado/)
Mito 8: “Mineralizar faz diferença mesmo na seca!” – As vendas de sal mineral aumentam na época que antecede a estiagem, mostrando claramente que o produtor tem aumentada sua preocupação em vista dos pastos mais pobres da seca. A crença por trás disso seria que, uma vez que a pastagem teria níveis mais baixos de minerais (o que é fato), consequentemente seria necessário dar mais minerais ao animal para compensar. Todavia, o que acontece na seca é que não adianta fornecer apenas os minerais, pois o nutriente mais limitante é a proteína. Há, inclusive, dados de pesquisa mostrando não haver diferença entre fornecer sal mineralizado e apenas sal branco aos animais na época da seca. A lógica é que a exigência dos minerais para manter ou perder peso na seca é tão baixa que o pouco que tem na pastagem já resolve. O conceito importante aqui é o seguinte: Quanto maior a produção, maior a necessidade de nutrientes (inclusive minerais). Por isso que a hora que mais se deve preocupar com a suplementação de minerais é nas águas. Na seca, também devemos, mas usando sal com ureia e proteinado, resolvendo primeiro o fator mais limitante.
Mito 9: “Se não usar cocho coberto, melhor nem mineralizar!” – Cochos cobertos, bem assentados, bem localizados, que não fiquem ilhados por acúmulo de água ajudam muito os lotes por eles atendidos a terem bom consumo e devem ser o padrão a ser atingido. Todavia, o pior cenário não é ter o sal mineral molhado pela chuva, mas a falta de espaço linear mínimo de cocho. Recomenda-se oferecer no mínimo 6 cm lineares de cocho para cada unidade animal atendida por esse cocho. Entre ter o sal preservado da chuva e dar acesso ao sal a todos os animais, mesmo que molhado, dê preferência à segunda opção. Ainda assim, ao usar cochos não cobertos, é aconselhável ter um monitoramento (e abastecimento) mais intensivo, uma vez que a umidade ajuda a empedrar o sal, o que prejudica seu consumo.
Mito 10: “Bobagem gastar com sal mineral! Um amigo parou de mineralizar e não notou diferença nenhuma!” – Esse é um mito para o qual basta o tempo para que seja derrubado. As vezes, nos deparamos com alguém que está fazendo esse “teste” e é possível que, em algum lugar no Brasil, de fertilidade natural muito alta e que o produtor se contente com índices produtivos medíocres que o “teste” funcione por um bom tempo, alongando a “vida útil” do mito. O confronto entre os níveis usualmente encontrados dos minerais nas forragens brasileiras e a exigência cada vez maior, a medida que melhoramos o manejo das pastagens e a genética dos animais, fazem com que possamos esperar que cada vez mais esses tipo de “teste” dure menos.
Um bom uso da técnica de suplementação mineral permite o aproveitamento de todo potencial produtivo da forragem. Ajudar esse aliado da produção a nos ajudar é altamente compensador. Ter esses conceitos corretos na ponta da língua ajudam a deixar o sal na ponta da língua dos animais e o azul mais vivo na conta da fazenda.
Por Sergio Raposo para BeefPoint