domingo, 16 de janeiro de 2011

O cavalo Pantaneiro

Rústicos, o cavalo Pantaneiro se originou dos cavalos trazidos pelos colonizadores espanhóis e se adaptou ao ambiente alagado.

Céltico, Barbo , Andaluz, Árabe e Crioulo Argentino provavelmente contribuíram na formação do animal mais a pressão da seleção natural.
O cavalo Pantaneiro têm cascos adaptados ao solo úmido e não apodrece, como nos cavalos comuns. Acostumado com as enchentes, pasta com o nariz debaixo da água naturalmente.
É um excelente exemplo de como uma espécie exótica consegue se adaptar a uma região diferente de sua origem, para poder sobreviver.

'A primeira fase da formação histórica do Cavalo Pantaneiro está ligada à fundação de Buenos Aires, na Argentina, em 1.541. Pedro Mendoza trouxe cavalos e éguas, que foram abandonados após o incêndio da vila e seu despovoamento. Reaprendendo a viver nas planícies, o rebanho se reproduziu tanto que em 1580, quando da segunda fundação de Buenos Aires, já havia registro de manadas selvagens nas planícies da Argentina. Eram chamados "chimarrões".

Um século depois essas manadas eram calculadas em milhares. Já tinham chegado ao Paraguai e daí passaram ao Brasil, trazidas pela mão dos índios cavaleiros (GUAICURUS, dos quais os KADIWÉU eram os predominantes) e pelos Padres jesuítas, quando vieram fundar as reduções guaraníticas (Sete povos das Missões, Brasil e Salto del Guairá, Paraguai). Essas manadas se expandiram tanto que alguns animais chegaram ao Paraguai e, daí, pelo Chaco, passaram ao Pantanal do Mato Grosso.
A segunda fase da formação do Cavalo Pantaneiro começa exatamente no ponto onde os Bandeirantes desbravadores deixaram os cavalos soltos por toda a região pantaneira. Estes animais foram-se espalhando pelas imensas planícies Mato-grossenses, inundadas quase que em tempo permanente pelo rio Paraguai. Em conseqüência das distâncias e dificuldades de comunicação entre esta extrema zona e o litoral, o Cavalo Pantaneiro ficou totalmente isolado de outra espécies eqüinas, cruzando-se livremente entre si, sem qualquer influência e infusão de outros sangues.
Tornou-se um ANIMAL DE MUITA CORAGEM.
Criadores tradicionais preferem mantê-los semi-selvagens para que não percam a rusticidade.
Segundo o historiador cuiabano Cavalcante Proença, os primeiros cavalos vieram em 1.580, com Dom Alvar Nunes Cabeza de Vaca, um misto de conquistador e missionário, nomeado governador do Rio da Prata pelo Reino Espanhol, com a missão de salvar Buenos Aires e desenvolver Assunção, no Paraguai.
Cabeza de Vaca veio de navio até Santa Catarina, com quatrocentas pessoas e 26 cavalos. Daí seguiu por terra para Assunção, num percurso que o fez atravessar o Pantanal, até a altura do encontro do rio Cuiabá com o Paraguai. Nesse trajeto perdeu alguns cavalos, que se tornaram "baguá" (cavalo selvagem).
Nesses tempos o cavalo valia uma fortuna. Há uma escritura pública de 1551, em Assunção, da compra de um cavalo por quatro mil pesos de ouro. Pouco mais de cem anos depois, na mesma Assunção, seu valor não passava de quatro pesos. O que fez tamanha diferença foi que o cavalo se aclimatou facilmente nessa parte da América e se multiplicou depressa, principalmente como cavalo baguá, criado em liberdade.
O cavalo, vindo da Europa, assombrou os nosso índios. A maioria das tribos o tinha como fera (e o evitava) ou o via como caça (e o comia). Apenas uma nação, a dos mbaiás-guaicurus, entendeu direito o cavalo e o viu co­mo transporte e como arma. E esses índios, que já eram senhoriais e conquistadores, usaram o cavalo para aumentar infinitamente sua capacidade de luta e seu raio de ação. Tornaram-se, a partir de então, os “índios cavaleiros”.
Com suas diversas ramificações — entre as quais as dos Kadiwéu, existentes até hoje na região da Bodoquena, Mato Grosso do Sul, os índios cavaleiros ocupavam um território que ia de Cuiabá a Assunção. Combatiam tanto as outras tribos quanto o branco — espanhol, português - que vinham em busca de domínio e de escravos. Se eram quase imbatíveis lutando a pé, montados se tornaram o cão.
Félix de Azara, comandante das Fronteiras Espanholas do Paraguai de 1781 a 1801, escreveu que a salvação era que os guaicurus se contentavam com uma só presa em cada ataque, “ do contrário não restaria um só português em Cuiabá”.
Em 1795, o rebanho dos índios cavaleiros já era calculado em 8.000 animais pelo coronel Rodrigues do Prado, comandante do For­te de Coimbra, na divisa com a Bolívia. Quase todos mansos e adestrados na arte da guerra, da cavalaria e do esporte.
Na Guerra do Paraguai, em 1864, os índios cavaleiros, já então brasileiros por um tratado de paz assinado com a Co­roa em 1791, lutaram ao nosso lado, num Regimento Pantaneiro formado com cavalos de sua própria criação. E se tornaram importante fator militar na defesa de Mato Grosso.
A pureza da raça, em parte, só foi possível graças aos índios guaicurus.

Muitas das práticas de manejo, ainda hoje vistas no Pantanal, vêm dos guaicurus, os índios cavaleiros, que chegaram a entender mais de doença de cavalos do que dos incômodos deles próprios — no dizer do jesuíta espanhol Sánchez Labrador .
Os índios cavaleiros deram-se tão bem com o cavalo que criaram um modo próprio de montar, tanto no esporte como na guerra.
Isso acabou imortalizado pelo pintor Jean Baptista Debret no quadro Ataque da cavalaria guaicuru, hoje um clássico de nossa iconografia histórica, Ele imortalizou a imagem do guaicuru, galopando sobre o costado do Cavalo Pantaneiro, para fugir do alcance da mira inimiga. Diga-se de passagem, esses índios guerreiros foram considerados, à sua época, a mais ágil cavalaria do mundo.
O cavalo Pantaneiro é um animal ágil, resistente, inteligente, persistente, capaz de suportar longas caminhadas e possui um bom temperamento. Ele se multiplicou, formando um tipo adaptado às condições bioclimáticas, fruto da seleção natural por mais de quatro séculos, com pouca ou nenhuma interferência do homem.
O Cavalo Pantaneiro constituiu-se num fator de importância econômica e social, tornando-se imprescindível em trabalhos de gado e no transporte das boiadas, tanto no Pantanal como na região serrana.
Atualmente está sendo muito usado nos Clubes de Laço, em provas de laço comprido, de apartação, de team penning, em soltas, em provas de rédeas, nas cavalgadas, em enduros, e tem-se mantido à altura de outras raças, em todas as competições.
Os principais tipos de pelagem dos Pantaneiros são: tordilho (a maioria), baio , castanho, alazão, rosilho e lobuno. Todos os pelos são aceitos, menos o albino (melado).
No final do século XIX, a raça entrou em declínio principalmente devido a doenças, como a "peste das cadeiras " e a anemia infecciosa eqüina.
Por isso foi fundada em 1972 a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Pantaneiro (ABCCP), cuja sede é em Poconé, MT., tendo por finalidade congregar os criadores, organizar e manter o Registro Genealógico da raça, fomentar a criação e estudar todos os assuntos referentes ao Cavalo Pantaneiro. Em 1988 a EMBRAPA/CPAP implantou um núcleo de criação na Nhecolândia, Corumbá MS., na Fazenda Nhu Mirim. Em 1.989 foi fundada a Associação dos Criadores do Cavalo Pantaneiro do Mato Grosso do Sul (ACCP/MS), que teve um período de grande movimentação, mas que, infelizmente tinha paralisado suas atividades. Em 2.003 foi reconstituída sua documentação e voltou a ter importante papel na criação e seleção do Cavalo Pantaneiro, participando inclusive da Expo-Grande, MS. A Universidade Federal do ato Grosso do Sul (UFMS) também mantém um criatório, na Fazenda Escola, em Terenos, MS. e, tem sido de relevante ajuda na seleção do Pantaneiro. O MS. hoje, tem um rebanho tão bom quanto o do MT., berço da raça deste "pequeno grande cavalo".
O Cavalo Pantaneiro tinha mesmo que ser um bicho muito especial. As condições de sobrevivência e de serviço nas fazendas pantaneiras exigem um animal de resistência, de estamina e inteligência que a conjuntura histórica desenhou quase milagrosamente para essa região.
Não é brincadeira passar ás vezes mais de seis meses dia e noite com a perna dentro d'água. Para a maioria dos outros cavalos isso é suficiente para apodrecer o casco e dar febre, fazendo uma geléia branca e disforme. Não é fácil sobreviver quase meio ano com o capim embaixo d’água, precisando bancar o anfíbio para não morrer de fome. O cavalo "enterra" a cabeça na água e, pasta. Não é pouco trabalhar o dia inteiro no brejão, com as quatro patas enfiadas no barro e na lama. Para um cavalo com casco aberto e impulsão traseira, isso seria a rendição e o afrouxamento.
Como diz um especialista em cavalos, Dr. Pedro Gouveia, há mais de meio século formando e julgando vários dos mais caros craques nacionais: "o que em outros cavalos seria defeito — o casco fechado e o corpo de atleta nada­dor, com o peito amplo e a garupa pequena e inclinada —, no Pantaneiro se transforma em virtudes insuperáveis. Esse cavalo miúdo, frugal e resistente ainda vai acabar reconhecido como o animal de serviço ideal para o Brasil."
Uma corrente da formação do Cavalo Pantaneiro diz que por volta de 1.736, o então Governador do Paraguai, mandou emissários comprar uma manada de vacas em São Vicente, SP., donde vieram as célebres "vacas de Gaete". Na travessia dos campos da Vacaria (Rio Brilhante, MS.), de Maracajú, MS., indo pelo Pantanal, alguns cavalos foram extraviados, outros foram roubados pelos índios guaicurus e, posteriormente, disseminaram-se pelos pantanais do Mato Grosso.
Outra corrente diz que o Pantaneiro descende dos cavalos da Fazenda do Curral, no Estado de Goiás e, que era do Imperador D. Pedro II, o qual presenteou o Governador do Mato Grosso (Don Luis Melo Albuquerque Pereira e Cáceres), com um lote de éguas e um garanhão. Este, além de servir às éguas da Cavalaria Real, passou a ser usado pelos fazendeiros da região pantaneira de Vila Bela da Santíssima Trindade, na época Capital do Estado do Mato Grosso. Por terem indo da Fazenda do Curral, por muitos anos, foram chamados de "CURRALEIROS" . Com a fundação da ABCCP., veio o REGISTRO no Ministério da Agricultura, com o nome de CAVALO PANTANEIRO.
O que ninguém discute mais é se o Pantaneiro é uma raça ou não. É uma raça perfeitamente fixada há mais de trezentos anos — atesta em documento oficial a Comissão Coordenadora do Cavalo Nacional, do Ministério da Agricultura."

Para conhecer mais do pantaneiro, acesse: http://www.meucavaloepantaneiro.com.br
E o site oficial da raça: http://www.abccp.com.br/

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