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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Favos de Mel

Do que são feitos os favos?
Exclusivamente da cera secretada pelas operárias.

Como os favos são produzidos?
As abelhas que secretam cera fazem uma espécie de "cortina", umas presas às outras pelas patas. Cada uma delas produz flocos de cera, que depois são mascados e amolecidos com um pouco de saliva. Em seguida, são colados e moldados na estrutura de cera que está sendo construída. No caso do favo, a estrutura é um agrupamento de alvéolos, ou células, cuja seção transversal é um hexágono. Esses alvéolos são dispostos lado a lado, de forma que cada parede é compartilhada por duas células (exceto as paredes mais externas, é claro). Eles também são dispostos fundo-contra-fundo, desencontrados, de maneira que cada favo possui duas camadas de alvéolos, cada camada voltada para um lado.

Por que o alvéolo é hexagonal?
Essa forma otimiza a construção, pois atende da melhor forma possível o compromisso entre economia de cera e trabalho versus a resistência mecânica final do conjunto. Naturalmente, esta não é uma decisão racional das abelhas; uma hipótese é que a seção hexagonal seja apenas o resultado final da tentativa de formar vários alvéolos contíguos de seção circular – uma forma muito mais comum na natureza.

Qual é o tamanho do alvéolo?
As européias constroem 857 alvéolos de operária em 100 cm² (considerando-se as duas faces). A A.m.scutellata, menor, constrói 1000 alvéolos no mesmo espaço. Quando é fornecida cera alveolada às africanizadas no padrão europeu, elas mantêm as dimensões originais da lâmina. Alvéolos de zangão são maiores e perfazem cerca de 520 por 100 cm². Alvéolos usados para cria de operárias e armazenagem de pólen geralmente têm as mesmas dimensões. O armazenamento de mel pode ser feito em alvéolos de operária ou de zangão.

Quantos alvéolos há num favo?
Depende da área útil do quadro (as medidas mais rigorosas são as externas), mas pode-se estimar, arredondando, para 7.000 alvéolos de operária por quadro de ninho (3.500 por face), e 4.000 alvéolos por quadro de melgueira (2.000 por face).
No caso de favo de zangão, um quadro de ninho possui cerca de 4.200 alvéolos (2.100 por face), e, um quadro de melgueira, 2.400 (1.200 por face).

domingo, 10 de novembro de 2013

Um pouquinho mais de Apicultura

O que é cera alveolada?
É cera derretida e estampada com hexágonos com a dimensão média dos alvéolos. As lâminas produzidas assim são cortadas no formato dos quadros e vendidas aos apicultores. Esta cera é fornecida às abelhas em substituição a favos velhos ou inutilizados.

Como a cera alveolada é fixada nos quadros?
Os quadros possuem fios de arame ou nylon atravessados, geralmente no sentido horizontal. A lâmina é soldada neles com ajuda de um pouco de cera derretida ou, no caso de arames, pelo seu aquecimento por uma corrente elétrica. Arames também podem ser incrustados com ajuda de uma carretilha.
Um cuidado muito importante ao soldar a lâmina é com o alinhamento dos alvéolos. Eles devem ficar com dois vértices opostos dos hexágonos perfeitamente alinhados na vertical. Isso pode não acontecer se a lâmina estiver mal cortada, no sentido atravessado (dois lados opostos alinhados com a horizontal) ou simplesmente cortada torta. Se isso ocorrer, a lâmina poderá ser integralmente rejeitada pelas abelhas.

É melhor soldar a lâmina encostada na barra superior?
O melhor, na verdade, é usar lâminas que aproveitem ao máximo o espaço disponível no quadro. Isso poupará as abelhas de produzirem cera, permitindo-lhes uma produção maior de mel. Mas quando a lâmina de cera é menor (em altura) do que o espaço disponível no quadro, há duas indicações de soldagem.
Quando o quadro for destinado à postura, é preferível soldar a lâmina encostada na barra superior. O espaço que sobrará entre a lâmina e a barra inferior normalmente não será puxado com alvéolos e, como vantagem, facilitará a movimentação da rainha e das operárias.
Quando o quadro se destina à armazenagem de mel, o ideal é soldar a lâmina encostada à barra inferior. Nessa situação, as abelhas puxam o favo e estendem-no até a barra superior, promovendo um aproveitamento integral do espaço e uma solidez muito maior do favo. Isso se reflete num armazenamento maior de mel por quadro, otimizando a função da melgueira. Além disso, e talvez mais importante, a resistência muito maior do favo, quando soldado em cima e embaixo, permite uma colheita e uma centrifugação muito menos sujeitas a quebras e despedaçamentos. E isso é especialmente importante quando se usam oito ou nove quadros na melgueira, pois eles se tornam ainda mais pesados do que o normal.

Como se solda cera com corrente elétrica?
Primeiro, os quadros devem ser aramados. O ideal é quatro fios em quadro de ninho e três em quadro de melgueira. O arame deve ser ancorado no início, passado pelos furos e ancorado novamente no fim, sem cruzamentos e amarrações intermediárias. Ele deve ficar bem esticado, mas não em excesso, caso contrário, poderá causar deformações nas laterais do quadro.
Para arames galvanizados, use uma fonte de tensão entre 12 e 18 volts. Para arame inox, use uma fonte entre 24 e 30 volts. Coloque a lâmina sobre os arames (um peso em cima da lâmina, como um pedaço de tábua, ajuda bastante). Ligue cada pólo da fonte a uma extremidade do arame e observe a incrustação ocorrer até a metade, mais ou menos, depois desligue os pólos.

Que fonte é essa?
Uma fonte de 12V possível é a bateria do automóvel, mas não é recomendável. Usando-a, você pode causar curtos-circuitos que danifiquem a bateria ou outro sistema elétrico do seu automóvel, além de descarregá-la, naturalmente.
Se você tem experiência com ligações elétricas, o melhor é fazer o seu próprio incrustador, adquirindo um transformador de tensão numa loja de artigos eletrônicos. Forneça essa especificação:

Para arames galvanizados:
Tensão de entrada: 127 ou 220 volts (escolha a que corresponde à sua rede)
Tensão de saída: 12 volts
Corrente de saída: 8 a 10 ampères

Para arames inox:
Tensão de entrada: 127 ou 220 volts (escolha a que corresponde à sua rede)
Tensão de saída: 24 a 30 volts
Corrente de saída: 8 a 10 ampères
Para qualquer tipo de arame:
Tensão de entrada: 127 V ou 220 V (escolha a que corresponde à sua rede)
Tensão de saída: 24 a 30 volts
Corrente de saída: 8 a 10 ampères
Em série com a entrada, ligue um dimmer para lâmpadas incandescentes. Ao fazer a primeira incrustação, ajuste o dimmer para que a incrustação seja rápida, mas sem provocar muito centelhamento.

Que arame é melhor?
Eu prefiro arame inox. Ele é mecanicamente mais resistente, e podem-se usar fios mais finos, que atrapalham menos a postura da rainha. É muito mais resistente à oxidação, e tem vida útil maior. Pela sua rigidez, é mais difícil de ser manipulado, e precisa estar num carretel para não virar uma maçaroca. Precisa de uma tensão elétrica mais alta para incrustação, por apresentar uma resistência elétrica maior. É mais caro, mas rende muito. O fio de 0,3 mm de diâmetro tem cerca de 1.800 metros por quilo, e apresenta uma resistência mecânica maior que a do arame galvanizado nº 22 (diâmetro de 0,7 mm), que ainda é muito usado.
O arame inox deve ser o do tipo rígido, usado para a confecção de molas. Há um fio mole, mais fácil de trabalhar, mas com uma resistência mecânica muito menor.

O arame não encrava na madeira dos quadros?
Sim, e isso acarreta uma diminuição da tensão de esticamento do arame ao longo do tempo. Para evitar esse problema, ponha ilhoses em todos os buracos dos quadros. No caso do fio de inox, mais fino, esse procedimento é absolutamente indispensável.

Quadros plásticos não são preferíveis?
Os quadros plásticos, em poliestireno, compõem-se de uma moldura, idêntica aos de madeira, e mais uma superfície alveolada, como se fosse uma lâmina de cera. Assim, estes quadros não precisam de aramação nem da incrustação de cera. Quando a parte alveolada é banhada com cera, a aceitação das abelhas é normal, mas o quadro dificilmente é aproveitado por elas quando o banho de cera não é feito.
Isso sugere dificuldades na reutilização dos quadros, e esta é de fato a principal reclamação dos usuários. É possível que para quadros de melgueira, que devem ser preservados tanto quanto possível, essa idéia dê bom resultado. Mas, como no caso das caixas de poliuretano, os quadros de poliestireno estão no mercado há tempo demais para ainda não terem se tornado uma alternativa bem conhecida.
Na apicultura orgânica, esses quadros são proibidos.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dentro das Colméias


Por que as abelhas constroem seus favos exatamente dentro dos quadros?
Somente porque são induzidas a isso. No centro de cada quadro, o apicultor coloca uma lâmina de cera alveolada, que funciona como um início do favo. As abelhas só continuam o que já receberam começado. Quando não são induzidas, ou quando sobra algum espaço relativamente grande numa caixa, as abelhas constroem favos fora dos quadros. Quando o apicultor esquece quadros sem cera alveolada, elas constroem favos atravessados, cada um passando por dentro de vários quadros. Neste caso, arrumar a colméia pode dar um trabalho enorme.

Por que as abelhas preenchem alguns espaços com cera e outros com própolis?
Essa foi talvez a maior descoberta da apicultura moderna, que possibilitou o desenvolvimento das colméias racionais. Não há uma razão conhecida, mas segundo as observações de Lorenzo Lorraine Langstroth, em 1851, as abelhas não fecham espaços maiores de 6,4 mm com própolis, nem constroem favos em espaços menores que 9,5 mm. Isso permitiu definir o espaço-abelha.

O que é o espaço-abelha?
É exatamente o intervalo de 6,4 a 9,5 mm que as abelhas sempre deixam livre. Conhecendo essas medidas, foi possível projetar a colméia racional, de quadros móveis, com a certeza de que as abelhas construiriam favos apenas nesses quadros, se corretamente induzidas, e não iriam colá-los entre si e nem às paredes das caixas. Essa é a dimensão mais conhecida na apicultura, mas há outras também importantes.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Apiciltura

O que são espaçadores Hoffmann?
São laterais de quadros mais largas na parte superior do que na inferior. O seu formato diminui a área propolisada entre dois quadros contíguos, facilitando a remoção do quadro. Ao mesmo tempo, o estreitamento curto e arredondado dos espaçadores facilita a inserção do quadro entre os demais.

Como as abelhas sabem onde devem colocar cada produto?
Não sabem. O apicultor apenas aproveita a sua tendência de organizar a colméia em camadas: primeiro crias, depois pólen, depois mel. Assim, se a primeira caixa (a mais de baixo) estiver bem, com favos em boas condições e com espaço sobrando, é muito provável que a rainha use esta área para pôr seus ovos.
Eventualmente, por falta de espaço ou de condições melhores, a rainha pode subir e fazer a postura numa melgueira. Para evitar isso, os apicultores às vezes usam telas excluidoras.

O que é uma tela excluidora?
É uma tela larga o suficiente para deixar uma operária passar, mas não uma rainha, nem os zangões. Com a tela posta entre o ninho e as melgueiras, pode-se ter segurança de que não haverá quadros de cria nas melgueiras.

Por que alguns apicultores não usam a tela excluidora?
Uma razão é porque a tela é um equipamento a mais para o apicultor manipular. Os manejos às vezes são demorados, e quanto mais peças o apicultor tiver de manipular, pior. Também, porque às vezes a tela parece funcionar como uma barreira para as operárias. Elas conseguem passar, mas simplesmente se negam a construir favos e depositar mel acima da tela, especialmente quando o fluxo de néctar não é dos mais fortes.
Quando colocada depois que algum mel ter sido armazenado na melgueira, zangões podem ficar presos ali e até entalarem na tela e morrerem.

sábado, 10 de agosto de 2013

Melgueiras

O que são ninhos e melgueiras?
Ninhos (ou caixas, ou câmaras de criação) contêm os quadros que serão usados para a postura de ovos e desenvolvimento das crias. Geralmente são mais altas e formam o primeiro ou os primeiros andares, se a colméia for vista como um edifício.
Melgueiras (ou sobrecaixas) são destinadas apenas à produção de mel, para que os seus quadros não contenham também crias e pólen. Geralmente são mais baixas que os ninhos e formam os andares mais altos do "prédio". Alguns apicultores preferem usar apenas ninhos nas colméias, inclusive fazendo o papel de melgueiras (ossobreninhos).
Ocasionalmente, usa-se a palavra caixa para fazer referência a um ninho ou a uma melgueira, indistintamente. A mesma palavra pode ser empregada no sentido de colméia - "tenho dez caixas de abelhas".

O que é melhor, melgueiras ou sobreninhos?
Sobreninhos são melhores porque permitem uma padronização de quadros - com ninhos e melgueiras, o apicultor precisa manter estoques de dois tamanhos de quadros e de lâminas de cera alveolada. Com sobreninhos, a tela excluidora torna-se totalmente dispensável, porque qualquer quadro com postura pode ser remanejado para o ninho.
Por outro lado, sobreninhos carregados de mel são pesados demais, e praticamente inviabilizam o manejo por uma só pessoa. Os favos de ninho também precisam ser centrifugados com muito mais cuidado, para não se partirem. Além disso, floradas não muito intensas ou enxames não muito fortes, que poderiam encher uma melgueira, talvez não sejam suficientes para encher um sobreninho, dificultando a colheita.

Não há uma alternativa intermediária?
Sim. Alguns apicultores usam e recomendam um tamanho intermediário de caixa, a ser usado como ninho (2 unidades) e melgueiras. O ninho padrão tem 24,4 cm de altura, a melgueira padrão tem 14,4 cm e essa caixa intermediária tem 16,8 cm. Por simplificação, essas alturas são eventualmente referidas como 24, 14 e 17 cm, respectivamente.Outros tamanhos também são ocasionalmente testados e recomendados por alguns apicultores.

Quanto pesam uma melgueira e um sobreninho?
Em colméias Langstroth, uma melgueira com dez quadros cheios de mel operculado contém cerca de 11 a 12 kg de mel. Um sobreninho nas mesmas condições contém cerca de 20 a 22 kg de mel. A caixa intermediária contém aproximadamente 13 a 15 kg de mel.
O peso das caixas varia com o tipo de madeira empregada. Uma melgueira de cedrinho, com dez quadros aramados e lâminas de cera alveolada pesa em torno de 5 kg. Um ninho nas mesmas condições, pesa cerca de 8 kg.
Quando são usados menos quadros na melgueira ou no sobreninho (8 ou 9), o peso do mel é um pouco maior.

Afinal, quantos quadros devem ser usados, 8, 9 ou 10?
Dez quadros é a capacidade normal, tanto das melgueiras quanto dos ninhos, e os espaçadores Hoffmann dos quadros são projetados para manter a distância de 35 mm entre os centros de dois favos contíguos. Em melgueiras e sobreninhos, porém, muitos apicultores removem um ou dois quadros, para que os favos de mel fiquem mais largos ("gordos"). Isso facilita muito a desoperculação com faca, economiza quadros e promove um melhor aproveitamento da caixa, já que um ou dois espaços vazios entre os favos são substituídos por mel. A remoção de quadros, porém, não pode ser feita a qualquer momento (veja item 8.14).
Em relação ao ninho, não há vantagem para as abelhas em usar-se menos de 10 quadros, porque elas não teriam o que fazer com o espaço excedente. Os alvéolos de cria têm um comprimento padrão, adequado para o seu desenvolvimento. No entanto, alguns apicultores recomendam a manutenção de 9 quadros no ninho para facilitar a retirada e reposição dos quadros durante o manejo.
É bom frisar que o transporte de caixas com menos de 10 quadros pode acarretar muitas quebras e esmagamentos de favos e abelhas, pelas colisões ocorridas em razão dos movimentos pendulares dos quadros.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A Colméia



O que é uma colméia?
É a casa das abelhas. Por extensão, a palavra também é usada para fazer referência às abelhas que a habitam.

Como é uma colméia?
A colméia dita racional é uma caixa, ou um conjunto de caixas empilháveis, dispostas sobre um fundo (ou chão) e cobertas por uma tampa (ou teto). Geralmente, é feita de madeira. Dentro das caixas, ficam os quadros (ou caixilhos), que são estruturas retangulares, como molduras, destinadas a conter os favos feitos pelas abelhas.
Esse é o modelo moderno básico, mas inúmeros outros são possíveis. No passado, as colméias eram cestos de palha emborcados. Caixas comuns, sem quadros, também foram usados por décadas.

De que outros materiais podem ser feitas as colméias?
Há muitos anos existe no mercado internacional colméias feitas de material sintético, como o poliuretano. Embora ocasionalmente alguém se manifeste favoravelmente a elas, o mais comum é ouvir-se queixas e suspeitas. Seja como for, elas parecem estar no mercado há tempo demais para ainda não terem emplacado, já que o peso leve é um grande atrativo para os apicultores. Talvez com a adoção de melhores tecnologias e materiais, a colméia sintética acabe se tornando uma boa alternativa.
Mais raramente, ouve-se falar em outros materiais, como isopor ou concreto, mas nenhum deles com resultados importantes.
Na apicultura orgânica, somente caixas de madeira são permitidas.

Qual é o melhor tipo de colméia?
É difícil dizer. Hoje em dia, a apicultura mundial inclina-se para o modelo Langstroth (ou americana), talvez nem tanto pela sua funcionalidade, e mais pela sua popularidade. É um caso em que usar o mesmo modelo que todo mundo é melhor porque todos os insumos, equipamentos e acessórios disponíveis já estão padronizados e são, portanto, muito mais baratos e facilmente encontrados. Quando não mencionado, esse texto sempre fará referência a colméias Langstroth.
Várias alternativas ao modelo Langstroth já existiam ou foram desenvolvidas depois que ela apareceu no Brasil. As mais importantes são a Schenk, a Curtinaz e a Schirmer. Algumas foram projetadas para usarem as bitolas de madeira padrão no país. Outras foram adequadas para climas mais frios ou mais quentes. Outras são reversíveis, para que a disposição dos quadros em relação ao alvado possa mudar de acordo com a temperatura. Outras tiveram os seus quadros desenhados para facilitar a desoperculação. Outras previram a unificação das dimensões, com caixas e sobrecaixas idênticas. Quase todas têm uma ou mais vantagens em relação à Langstroth, mas nenhuma delas foi capaz de superá-la a ponto de tornar-se um novo padrão de fato. Portanto, se você estiver iniciando na apicultura, compre caixas Langstroth.

sábado, 6 de julho de 2013

Audiência pública debate alta mortalidade de abelhas devido ao uso de agrotóxicos

Projeto prevê suspensão da medida que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos neonicotinoides, em vigor no país desde 2012



Especialistas debateram nesta quinta, dia 4, em audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na Câmara dos Deputados, alternativas para aplicar agrotóxicos em determinadas culturas sem prejudicar a vida das abelhas. O problema vem sendo estudado no Brasil há pelo menos quatro anos. A audiência ocorreu a pedido do deputado Antônio Roberto (PV-MG).


Representantes de apicultores e do Ministério do Meio Ambiente relataram casos de mortalidade e apontaram como maior culpado o uso de agrotóxicos neonicotinoides. Há suspeitas de que a substância seja fatal às abelhas ou provoque lesões como a perda de orientação no espaço ou de olfato.



Desde 2012 o Ibama e o Ministério da Agricultura estabeleceram regras para o uso de pesticidas à base dessa substância. Na Europa, produtos com neonicotinoides estão proibidos devido aos riscos que causam ao sistema nervoso de insetos polinizadores, o que restringe a área de atuação da espécie e, assim, o rendimento de diversas culturas.



– Abelhas saem e não voltam para as colmeias porque perdem a orientação. Ou não encontram as flores a serem polinizadas porque não têm olfato – explicou o presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), José Cunha, representante de 350 mil apicultores. Segundo ele, não há um número exato de mortes no Brasil, mas o fenômeno é mundial.



No país, ficou proibida a pulverização aérea de agrotóxicos neonicotinoides que contenham os ingredientes ativos Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina ou Fipronil. Um projeto de decreto legislativo (PDC 809/12), no entanto, prevê a suspensão da medida, prevista em decisão do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).



O PDC está pronto para análise da Comissão e recebeu parecer pela aprovação do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP). O deputado Antônio Roberto, no entanto, adiantou que, quando a proposta chegar à Comissão de Meio Ambiente, trabalhará por sua rejeição.



O argumento de Duarte Nogueira é de que o Ibama extrapolou suas atribuições legislativas e que a medida pode causar prejuízos ao país. O coordenador-geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama, Márcio Freitas, porém, rebateu dizendo que cabe ao Ibama regular agrotóxicos. Ele disse ainda que, em resposta às demandas dos produtores, o instituto flexibilizou a regra, permitindo a pulverização dos agrotóxicos nas culturas de soja, cana, trigo e arroz fora da floração, caso não haja outra alternativa disponível e viável. Somente as lavouras de algodão podem ser pulverizadas.



– Não temos nada contra a aplicação aérea, mas dizer que ela é segura é complicado. A gente sabe que não há controle sobre toda a aplicação aérea no país – destacou Márcio Freitas. Na avaliação do coordenador, faltam regulações claras, o que teria levado, em maio deste ano, em Rio Verde (GO), um avião a pulverizar em cima de uma escola, intoxicando 42 crianças.



– A soja é um dos produtos que necessita do uso de agrotóxicos. Se nós utilizarmos uma ou duas substâncias, logo haverá uma resistência e as pragas não serão controladas – alerta o chefe-geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Embrapa, Alexandre José Cattelan.



– O que nós vemos é que o governo reagiu em estudos baseados no Sudeste do país. Mas o Centro-Oeste, que tem a maior produção de soja do Brasil, seria extremamente prejudicado – aponta o diretor executivo da Aprosoja, Fabrício Rosa.



Segundo especialistas, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com a utilização de 300 mil toneladas por ano. Por isso, é cada vez mais importante aprofundar os estudos, para que o uso de determinados produtos não causem riscos a biodiversidade do país.



– Não somos apenas o maior consumidor do mundo, como temos uma biodiversidade nativa que ainda não foi estudada e catalogada, e que sofre os efeitos desses agrotóxicos, já que a substância atinge áreas nativas – acrescenta Maria Cecília.



Para o Ibama, o primeiro passo para se tomar uma decisão em relação à restrição do produto é a conclusão desses estudos.



– Para que tomemos uma decisão no sentido de restringir esse produto, precisamos concluir nossos estudos. Esses produtos não só causam a morte das abelhas, mas também uma desorientação. Por isso, ainda há dúvidas de qual a dose, como isso acontece. Os estudos que estão acontecendo são estudos novos que antes não eram realizados – opina Márcio Freitas.



Abelhas são responsáveis pela polinização de 70% das culturas



As abelhas, principalmente as silvestres, são responsáveis pela polinização de cerca de 70% das culturas,que respondem por 90% da oferta global de alimentos. A mortandade desses foi batizada de Colony Collapse Disorder (CCD) e identificada inicialmente nos Estados Unidos, no inverno no fim de 2006, quando apicultores relataram perdas de 30% a 90% de suas colmeias.



– Cerca de 90% da comida consumida no mundo vem da polinização e cerca de 43% são polinizadas por espécies de abelhas. Apesar de algumas plantas não dependerem da polinização específica para a reprodução, elas são beneficiadas por esses insetos – ressalta a pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, Maria Cecília de Lima e Sá de Alencar Rocha.



De acordo com a CBA, a agroindústria tem ganho de 20% em sua produção em função da polinização natural de abelhas e aves. Em termos globais, os serviços de polinização prestados pelas abelhas no ecossistema ou nos sistemas agrícolas são avaliados em US$ 54 bilhões por ano.

Fonte: RuralBR

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Que abelha devo criar?

Que abelha devo criar, européia ou africanizada?
Essa pergunta é nitroglicerina na apicultura brasileira. Desconheço algum estudo formal que tenha comparado o desempenho das duas raças no Brasil, mas os relatos informais de apicultores que tentaram trabalhar com européias (inclusive eu) sistematicamente indicam produtividade e agressividade significativamente menores do que as das africanizadas.
No entanto, ainda pairam dúvidas sobre a qualidade das européias testadas por aqui, grande parte delas proveniente de um mesmo fornecedor brasileiro. O sucesso das européias em outros países, inclusive de clima mais quente, como a Austrália, entusiasma muitos criadores, embora muito mais no plano teórico do que no prático.
Por enquanto, a criação de africanizadas parece ser quase um consenso nacional, apesar de algumas vozes contrárias. O argumento decisivo é a rusticidade muito maior das africanizadas, que podem ser criadas sem nenhum medicamento, o que não ocorre com as européias, em quase todo o resto do mundo.
Uma lista parcial das vantagens e argumentos favoráveis a umas e outras encontra-se a seguir:

Pró Africanizadas:

· Estudos já confirmaram que a africanizada é uma abelha mais rústica, menos sujeitas a doenças. Por exemplo, a podridão de cria americana, que atinge colméias européias argentinas, nunca chegou aqui.

· Talvez pelo mesmo motivo, o comportamento higiênico mais apurado, parasitas como a varroa, que infernizam as européias, não costumam causar maiores prejuízos às africanizadas. É verdade que o clima quente da maior parte do Brasil é desfavorável à varroa, mas alguns estudos já determinaram a superioridade das africanizadas em condições idênticas.

· Por essa razão, é possível manter-se um apiário de africanizadas mais natural, sem o uso de medicações, o que é uma grande vantagem. Pelo que se sabe de outros países, essa é uma situação bastante incomum em colméias européias, que normalmente dependem de antibióticos e acaricidas para se manter produtivas.

· A maior agressividade das africanas é às vezes uma aliada do apicultor, pois dificulta o roubo das colméias.

· Diversos relatos informais de apicultores brasileiros dão conta que a produtividade das africanizadas é, quase sempre, muito maior do que a das européias.

Pró Européias:

· São muito menos agressivas. Demoram mais a iniciar um ataque, atacam com menos abelhas, perseguem a vítima por uma distância muito menor e recompõem-se em um tempo muito menor do que as africanizadas.

· Têm menor propensão a enxamear.

· Têm menor propensão a abandonar o ninho.

· Pilham menos.

· Quando um quadro é manipulado, comportam-se mais calmamente, sem correrias frenéticas de um lado para outro. Isso facilita muito o manejo em geral e a localização da rainha, especificamente.

· São maiores e carregam cargas maiores - precisam de menos viagens para colher a mesma quantidade de néctar, por exemplo.

· Vivem mais.

· Muitos países que usam apenas européias têm produtividades médias que chegam a três ou quatro vezes a do Brasil.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Perguntas sobre APICULTURA - Coleta de produtos

Como a abelha coleta pólen?
Ela usa a língua e as mandíbulas para tirar algum pólen das anteras e umedecê-lo. Muitos grãos também ficam presos ao seu pêlo na operação. Depois, ela "escova" esses grãos, geralmente durante o vôo, mistura-os ao pólen umedecido e compacta tudo na corbícula, uma reentrância existente no seu par de pernas posterior. A medida que mais pólen vai sendo coletado, a carga nas corbículas aumenta, e alguns pêlos são envolvidos pelas bolotas, para que elas permaneçam firmes no lugar.

Como a abelha coleta própolis?
Com ajuda das mandíbulas e do primeiro par de patas, ela remove o material resinoso da planta. Depois, armazena-o na corbícula, de forma semelhante ao que faz com o pólen. Antes de usar a própolis, a abelha ainda mistura-a com cera, numa proporção que pode chegar a 30%, para tornar a sua consistência mais trabalhável.

Como a abelha coleta água?
Ela suga a água e armazena-a tal como faz com o néctar, na vesícula melífera.

O que estimula as abelhas para a colheita?
Basicamente, a necessidade das abelhas, a disponibilidade de espaço na colméia e a abundância local dos recursos. Num clima quente, por exemplo, a necessidade de refrigerar a colméia comanda a busca de água. Em floradas grandes, a necessidade por pólen e néctar e o espaço de armazenamento disponível orientam a sua colheita.
Em vários estudos, observou-se que a alocação de campeiras para colheita de um recurso específico estava relacionada à pronta aceitação deste recurso pelas abelhas domésticas na hora da chegada da campeira. Por exemplo, se uma campeira que coletou água é imediatamente aliviada da sua carga na chegada à colméia, ela provavelmente voltará para buscar mais água. Se, por outro lado, ela demora muito a conseguir livrar-se da sua carga, ela provavelmente dirigirá seus esforços a outro produto na próxima viagem.

Onde as abelhas guardam esses produtos?
O pólen é armazenado nos alvéolos próximos à área de cria, que é o seu principal consumidor. O néctar é armazenado nos alvéolos que estão acima e ao lado da área de cria e pólen. A própolis é usada diretamente no objetivo: tapar frestas e envolver corpos estranhos que não puderam ser removidos. A água não é armazenada nos favos, mas distribuída entre diversas abelhas jovens, que a manterão nas suas vesículas melíferas até que ela seja necessária.

Como as abelhas produzem cera?
Operárias, normalmente entre 8 e 17 dias de idade, secretam cera na forma de flocos, através de glândulas cerígenas, localizadas na parte frontal do abdômen. Para produzir cera, as abelhas precisam ingerir muito mel.

Quanto mel deve ser ingerido para a produção de 1 kg de cera?
Em média, as abelhas ingerem 8 kg de mel para produzir 1 kg de cera.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Perguntas sobre APICULTURA

Quanto pesa uma abelha?
Em média, uma abelha recém nascida (com o aparelho digestivo vazio) pesa cerca de 65 mg (africanizada) e 83 mg (européia). Isso dá 15.000 africanizadas/kg e 12.000 européias/kg, mas não use esses dados para calcular o peso de um enxame, pois nele, as abelhas possuem um conteúdo intestinal variável, que pode chegar a 80% do seu peso líquido. Em média, estima-se de 7.000 a 10.000 abelhas por quilograma.

Como a abelha coleta néctar?
A abelha suga a substância adocicada (néctar, pseudonéctar, calda, suco, refrigerante, etc.) com a ajuda da sua prosbócide (língua). A substância é então conduzida até uma porção do aparelho digestivo chamado de vesícula melífera, uma espécie de antecâmara do estômago, que pode ser amplamente distendida.

Quanto néctar a abelha pode transportar?
Em média, a carga de néctar de uma européia situa-se entre 20 e 40 mg, podendo chegar, ocasionalmente a 80 mg. A carga média da africanizada é um pouco menor, e a máxima pode chegar a 60 mg ou um pouco mais.

A que distância uma abelha voa para colher néctar?
O mais próximo possível. Três quilômetros é uma distância máxima freqüentemente mencionada, mas as abelhas voarão mais do que isso se necessário. Economicamente, quanto mais próxima do apiário estiverem as flores, melhor, pois as abelhas consumirão menos mel durante a atividade da coleta.
Na prática, freqüentemente considera-se que a flora apícola útil ao apiário está circunscrita num raio de 1 a 1,5 km, o que corresponde a uma área circular de 300 a 700 hectares.
A certificação de apicultura orgânica exige que não haja cultura convencional (não orgânica) num raio de 3 km do apiário.

domingo, 10 de março de 2013

Uso da fumaça na APICULTURA

Por que o apicultor põe fumaça nas abelhas?
A principal razão é bloquear ou diminuir a resposta agressiva. Um dos efeitos da fumaça é impedir que os feromônios de alarme sejam bem percebidos pelas operárias, o que evita que muitas abelhas saiam da colméia para defendê-la.
Muitos acreditam também que a fumaça dispare na colméia um comportamento de preparação para a fuga: as operárias passariam a engolir mel e armazená-lo na vesícula melífera, para um eventual abandono da colméia. Isso, ocuparia as abelhas por algum tempo e alteraria o seu comportamento de defesa, mudando de agressão para fuga. As abelhas que engolem mel também teriam maior dificuldade para ferroar. Este efeito, porém, não está bem documentado na literatura, e, pessoalmente, admito sérias dúvidas sobre a sua realidade.
Outra utilidade muito importante da fumaça é a condução das abelhas. Como elas geralmente são repelidas pela fumaça, o apicultor a utiliza para afastar as abelhas de terminados locais, como a superfície da caixa antes da recolocação da tampa.

A fumaça não estressa as abelhas?
Sim, bastante. Manejos muito freqüentes podem até provocar o abandono de toda a colméia. A fumaça é quase sempre necessária, mas, por qualquer ângulo que se examine (estresse das abelhas, contaminação de favos e mel), sempre será preferível usar a menor quantidade possível de fumaça numa manipulação.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Como as abelhas lidam com as variações de temperatura

                                  
Como as abelhas lidam com as variações de temperatura?
A capacidade de as abelhas lidarem com variações de temperatura está ligada ao tamanho do enxame. Uma abelha sozinha tem mínima proteção, uma colméia numerosa pode manter o seu centro a 35 ºC, em situações externas de extremo calor (até 70 ºC) e de extremo frio (até -80 ºC).
Para resfriar uma colméia, as abelhas utilizam a evaporação da água, um processo eficiente, porque absorve grande quantidade de calor ao ocorrer. Elas expõem a água, na forma de películas nas suas mandíbulas ou gotículas espalhadas pela colméia, a uma corrente de ar provocada por elas mesmas, com o bater de suas asas. Dessa forma, conseguem sobreviver em ambientes muito quentes, desde que haja água suficiente disponível.
Para esquentar uma colméia, as abelhas agrupam-se em torno do centro, onde estão as crias. Quanto mais baixa a temperatura, mais apertado será o agrupamento. As abelhas, nessa situação, assumem uma posição relativa que força o entrelaçamento dos seus pêlos torácicos, aumentando a capacidade de isolamento térmico das sucessivas camadas. Essas camadas são formadas por abelhas voltadas para o centro do grupo, e há um revezamento entre as que estão em posição mais externa e as que estão mais ao centro.
Elas também são ajudadas pela presença de alvéolos vazios, que formam câmaras de ar parado, que é um bom isolante. Se ainda assim a temperatura continuar caindo, as abelhas passam a produzir calor pela vibração da sua musculatura torácica. Nesse caso, porém, elas necessitam ingerir quantidades maiores de mel para repor a energia perdida. Em outras palavras, transformam-se em estufas movidas a mel.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Perguntas sobre APICULTURA - Abelhas XIII

Por que as abelhas abandonam a colméia?
Quando as abelhas são submetidas a um nível de estresse ou privação muito grande, elas podem abandonar a colméia e tentar a sorte em outro lugar. Uma causa comum é o calor excessivo. Caixas com pouco espaço e sem ventilação, quando deixadas ao sol, provocam abandono (é o caso de caixas-isca de papelão, por exemplo). Períodos de carência alimentar muito prolongados e ataque de formigas também. O mesmo com manejos descuidados ou muito freqüentes.

Por que as abelhas às vezes matam a sua rainha?
Diversos fatores podem provocar a substituição da rainha. Quando ela já não produz feromônios em quantidade suficiente, as abelhas podem resolver trocá-la. Também quando o seu desempenho é baixo (postura deficiente) ou o seu estoque de esperma acaba (ela só consegue produzir zangões). Em alguns casos, as abelhas parecem culpar a rainha por algum distúrbio maior na colméia, e liquidam-na por "peloteamento" (formam uma bola em torno dela até sufocá-la). Em qualquer caso, o propósito parece ser sempre obter uma rainha nova, melhor que a atual.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Perguntas sobre APICULTURA - Abelhas XII

Como os enxames se reproduzem?
Em algumas situações, uma colônia resolve se dividir, e a isso se dá o nome deenxameação. Ela ocorre com freqüência durante floradas abundantes, quando o espaço na colméia torna-se insuficiente para armazenar o néctar que entra e a nova prole que está sendo gerada pela rainha. Quando a rainha não produz feromônios em quantidade suficiente para todo o enxame, a enxameação também pode ocorrer (é o que acontece com rainhas mais velhas).
O primeiro passo do processo de enxameação é a produção de princesas.
Antes de nascerem as princesas, as operárias submetem a rainha a um regime forçado, negando-lhe alimento e tratando-a rudemente, para que não fique parada. Supostamente, isso serve para interromper a postura e deixá-la mais leve para a viagem da enxameação. No dia da saída, muitas operárias engolem o máximo de mel, para garantir a sua sobrevivência até que uma nova morada seja encontrada, e para poderem produzir cera para a construção dos primeiros favos. Muitas operárias, especialmente as mais jovens, abandonam a colméia, levando junto a rainha (ou arrastando-a, em alguns casos).
Ao abandonar a colméia, o enxame agrupa-se nas imediações, num galho de árvore, num poste, num automóvel, onde ele achar mais conveniente. Em seguida, abelhas batedoras saem em busca de um lugar seguro para formar a nova colméia (em alguns casos, essa pesquisa pode iniciar antes mesmo da saída do enxame). Elas avaliam ocos de árvores, cupins abandonados e cavidades em rochas, além de espaços em telhados, caixas vazias, tonéis abandonados e muitos outros. Quando uma batedora acha um bom lugar, volta ao enxame e comunica a boa notícia dançando. Mais abelhas aparecem para avaliar a escolha e, se ela for melhor que as alternativas encontradas por outras batedoras, o enxame decide fazer a nova colméia ali.

O que acontece com a colméia que perdeu um enxame?
Fica com a casa, toda a cria, as reservas de pólen, parte das reservas de néctar e mel, parte das operárias, especialmente as mais velhas, e uma ou mais princesas ou rainhas novas, que lutarão até a morte até que só sobre uma para comandar a colméia.
Dependendo do tamanho original do enxame e das condições da colméia, outros enxames podem ser produzidos - os enxames secundários. Eles são menores e podem conter uma ou mais princesas.
Numa colméia de um apiário, a enxameação representa um prejuízo certo, uma vez que, não apenas parte do mel foi levada embora, como foi drasticamente diminuída a força de trabalho para coletar mais. Em geral, de colméias que enxameiam, não se consegue nenhuma produção significativa de mel na temporada. Algumas vezes, porém, especialmente se houver bastante espaço para crias e mel na colméia, a enxameação ocorre suficientemente tarde, para que bastante mel já tenha sido estocado.

sábado, 10 de novembro de 2012

Perguntas sobre APICULTURA - Abelhas XI

Quanto tempo uma abelha leva para nascer?
Este tempo, ao contrário do que muitos imaginam, é variável. Temperaturas altas na área de cria podem acelerar o processo, enquanto que as temperaturas baixas retardam-no. O ciclo médio de desenvolvimento das abelhas européias, em dias, é o seguinte:

Já as africanizadas são um pouco mais precoces, a rainha nasce em 15 dias, e a operária, em 19-20 dias.

O que as abelhas comem?
Resumidamente, néctar e mel, como fonte de carboidratos, e pólen, como fonte de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, além de água. As larvas de operárias e zangões, até 4 dias de vida, são alimentadas pelas abelhas com secreções nutritivas, produzidas pelas glândulas hipofaringeanas e mandibulares das operárias. Após o 4º dia, a alimentação das larvas muda para outros tipos de geléia e uma mistura de néctar, mel diluído e pólen. Após o nascimento, durante cerca de duas semanas, a operária consome muito pólen, pois depende dele para, nessa fase da vida, produzir as substâncias que alimentarão as larvas e a rainha. Gradualmente, a dieta da operária começa a mudar para néctar e mel, à medida que ela abandona o serviço de alimentação e assume outros serviços, como a coleta de água, néctar, pólen e própolis.A rainha alimenta-se quase que somente de geléia real, tanto na fase larval quanto em toda a sua vida adulta. A geléia real é um produto semelhante à comida da larva, mas com uma proporção muito maior da secreção mandibular e, por essa razão, mais rica em algumas substâncias nutritivas.
Zangões adultos são alimentados pelas operárias nos primeiros dias, e depois se alimentam sozinhos, basicamente de néctar e mel.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Perguntas sobre APICULTURA - Abelhas X

Como elas fazem quando o sol não está visível?
O sol pode não estar visível para nós, mas estar para as abelhas. Ocorre que elas enxergam um espectro de luz diferente dos humanos, que não inclui as freqüências mais baixas (próximas do vermelho), mas inclui as mais altas, já na faixa ultravioleta. E as freqüências ultravioletas atravessam camadas finas de nuvens, de forma que o sol permanece visível para as abelhas mesmo em muitos dias nublados.
Mas é possível que a visualização do sol não seja tão importante. Acontece que as abelhas são capazes de se orientar após o pôr-do-sol e, eventualmente, até de forragear à noite. Para isso, elas consideram a posição exata do sol no momento, como se pudessem enxergá-lo através da Terra ou estimar a sua posição.

Como elas informam uma posição atrás de um obstáculo?
A direção é informada como se ele não existisse. Por exemplo, uma florada atrás de um morro é indicada na dança como se as abelhas tivessem de atravessá-lo para chegar lá. A distância informada, porém, corresponde ao gasto de energia necessário para alcançar o objetivo e ela, nesse caso, é maior do que seria se não houvesse morro. Na busca, as campeiras que assistiram a dança fazem as voltas que forem necessárias para alcançar o destino.

A que velocidade voa uma abelha?
Em média, a 24 km/h.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Perguntas sobre APICULTURA - Abelhas IX

Quando as abelhas pilham as colméias vizinhas?

Geralmente quando a produção de néctar é baixa, e uma colméia vizinha tem mel em estoque e está desprotegida por falta de operárias. Esse comportamento freqüentemente é ativado pelo próprio apicultor que, durante o manejo, expõe o estoque de mel das colméias à investigação das vizinhas ou fornece alimentação artificial com xarope de forma descuidada ou em alimentadores deficientes.

Como as abelhas se comunicam?
Principalmente, por meio de interações químicas. Essas interações se processam pela produção de feromônios, substâncias secretadas por diversas glândulas que são percebidas pelo olfato. Os feromônios são o principal meio de estimulação e coordenação de quase todas as atividades das abelhas. Os feromônios produzidos pela rainha, por exemplo, inibem a construção de realeiras pelas operárias, inibem o crescimento dos ovários das operárias, atraem zangões nos vôos nupciais, atraem as operárias em geral e particularmente as nutrizes, que alimentam a rainha com geléia real.
Feromônios de operárias estão muito ligados à defesa da colméia. A ferroada libera um feromônio que induz outras abelhas a atacarem. Por esta razão, é comum a ocorrência de várias ferroadas no mesmo local. Também por isso, é conveniente a limpeza freqüente das roupas de proteção.
Um outro feromônio de operária é o de localização, usado para atrair ou orientar outras abelhas em direção ao alvado, água ou fonte de alimento. A liberação desse feromônio se dá numa posição bastante familiar aos apicultores: a abelha ergue o seu abdômen, expõe a glândula de Nasanov, localizada próximo à extremidade, e bate as asas para dispersar a substância.
As crias também produzem feromônios que estimulam as operárias a atendê-las e ajudam a inibir o desenvolvimento dos ovários das operárias.

E a dança das abelhas?
Feromônios são o principal, mas não único meio de comunicação. Interações táteis e sonoras, como o roçar de antenas ou as danças também são muito usadas. As danças são padrões de movimento, vibração, ruído e direção utilizados com diferentes propósitos, dos quais o mais conhecido é a passagem de informações sobre uma fonte de alimento. Nessa dança, por exemplo, a abelha percorre um trecho reto do favo "requebrando-se" e depois volta ao início desse trecho num trajeto de semicírculo. Em seguida, percorre de novo o mesmo trecho reto e volta em outro semicírculo, mas desta vez pelo lado oposto.
Para saber a qualidade e a distância dessa fonte, as abelhas levam em conta o entusiasmo da dançarina, o tempo gasto no trecho reto e o número de vezes em que os passos foram executados. Já a direção da fonte é passada como um ângulo, formado entre o trecho reto da dança e uma linha vertical. Este ângulo corresponde ao formado pelos pontos sol-colméia-fonte (a colméia no vértice).
Assim como o achado de alimento, o de novas casas no momento da enxameação também é comunicado por danças. Além disso, elas também estimulam determinadas atividades, como o forrageamento e a enxameação [WIN03].